O José Ornelas topa-os à légua

jose ornelas homossexuais

Se a Igreja Católica impõe o celibato e a abstinência sexual — ¿como é que o Zé Ornelas sabe quem são os homossexuais que são padres fixes? Se calhar, a experiência dele é tão grande que já os topa a uma légua…

É por causa dos “bispos Ornelas” desta vida que a Igreja Católica chegou ao ponto ter padres gays “muita fixes meu!”… ainda vamos ter casamento entre padres…

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Novo anúncio da Calvin Klein

Eles não odeiam a imodéstia; eles não odeiam a objectificação sexual; eles não odeiam a Esquerda radical.

Eles odeiam a beleza.

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A “tolerância repressiva” de Marcuse (Rui Tavares + Augusto Santos Silva)

Existem dois pesos e duas medidas na aplicação da tolerância, tal como definiu e recomendou Marcuse (marxismo cultural): é a chamada “tolerância repressiva”: tudo o que vem da Esquerda é bom, e tudo o que não vem da Esquerda é mau.

Tudo, sem excepção.

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Em Portugal, existem dois tipos de justiça: uma justiça para a Esquerda, e outra justiça, diferente, para a Direita.

A “singularidade pachequista” (ou a puta que pariu)

O raciocínio retorcido (“Spin”) do Pacheco é o seguinte: o Galamba e o Pinheiro mentiram na CPI (não foi só o Galamba que mentiu: Tu Quoque, Pinheiro!), mas a verdadeira culpa é dos arruaceiros do CHEGA que intoxicaram não só a opinião pública, mas também os comentadores e os jornalistas.

“Se pensam que o efeito negativo das mentiras de Galamba e Pinheiro são os únicos estragos causados nos portugueses, não se esqueçam do efeito arruaceiro de como alguns deputados intervêm na CPI.”

Intoxicação da opinião pública

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Mas o “spin” do Pacheco vai mais longe: segundo ele, quem está a “estuporar a democracia” é a oposição ao governo… ou seja, o monhé faz merda da grossa (nomeadamente quando não ouviu o presidente da república acerca do Galamba), e a culpa é do conceito subjectivo pachequista de “arruaceiro”… !

O Pacheco, o arruaceiro-mor do reino, que depois do 25 de Abril de 1974 foi visto (por muita gente) a fugir à frente da polícia do Porto na Manif do dia 1º de Maio, não admite uma oposição ao “amigo Costa” que não seja suave e compreensiva em relação às mentiras do Galamba. “O Galamba mentiu na CPI, mas não exageremos!”.

Isto é de um cinismo sem possível classificação de grau, ou um cinismo que se aproxima do grau absoluto — é a singularidade pachequista.


Em termos matemáticos, uma “singularidade” é o ponto em um determinado domínio de uma função no qual o valor da função se torna indefinido. Em uma singularidade típica, a função “aponta para o infinito”, ou seja, na área em torno da singularidade o valor da função aumenta à medida em que este se aproxima daquela ― quanto mais próximo da singularidade, maior é o valor; quando o valor chega à singularidade, torna-se infinito. Em termos da lógica, a singularidade aponta para o absurdo de uma função.

Na astrofísica, o buraco-negro é também referido como uma “singularidade”. Quando a matéria de uma estrela em fim de vida é comprimida para além de um terminado ponto — conhecido como “radius de Schwarzchild” —, torna-se impossível a alguma coisa escapar à sua gravidade, produzindo um ponto de massa de uma “densidade infinita”. Na singularidade, as leis da Física (e da ciência em geral) deixam de ser aplicáveis.


O cinismo do Pacheco aproxima-se da respectiva “singularidade” que é um buraco-negro da política.

É a inversão revolucionária da culpa (a inversão do sujeito/objecto): a culpa da acção negativa dos revolucionários é sempre das respectivas vítimas, porque estas não compreenderam as noções revolucionárias que levariam a um inexorável futuro perfeito e destituído de qualquer “mal dos arruaceiros”.

A função heurística do Contrato Social de John Rawls

“¿A experiência hipotética de Rawls é a maneira correcta de abordar a questão da justiça? ¿Como podem princípios da justiça resultar de um acordo que não aconteceu de facto?”

Será que um contrato social hipotético dá alguma garantia de justiça?

John Rawls reconhece (“O Liberalismo Político”) que não foi celebrado nenhum contrato social real (na sua teoria do “véu da ignorância”): a função do “contrato” (diz ele) é de mera avaliação da maior ou menor justiça das convenções sociais.

Um contrato social (propriamente dito) define, à partida, o que é justo; John Rawls diz que não é isso que ele quer: pretende ele utilizar o “processo contratualista” como um meio (e não como um fim, em si mesmo) para se descobrir o que é justo. Portanto, a natureza do “contrato” do “Véu da Ignorância” de Rawls é apenas heurística.

Ainda assim, teoria contratual de John Rawls não resistiu ao pragmatismo que caracteriza Michael Sandel.

O liberalismo actual é liberticida, mas em nome da “liberdade”

John Rawls foi o precursor da versão igualitarista do liberalismo que influenciou os partidos socialistas ditos “democráticos”; mas também influenciou partidos ditos “liberais” que se dizem de Direita apenas porque defendem a propriedade privada (como é o caso do IL [Iniciativa Liberal]).

Haveria que distinguir entre liberais clássicos, por um lado, e libertários e utilitaristas, por outro lado; mas esta distinção raramente é feita.


Este artigo da professora Helena Serrão (ver ficheiro PDF), que cita John Rawls, aborda as teses deste último em relação aos conceitos de “processo contratual” da abordagem contratualista igualitarista.

Para os ditos “liberais” (mas também para os “libertários” e utilitaristas), não existe uma concepção pré-estabelecida de “vida boa” ou de “melhor sociedade”; não existe — como existe na filosofia política tradicional desde os socráticos — uma optimização de um “fim ideal da existência individual” (nem da existência comum dos seres humanos que implica uma noção de “Bem”).

Para os “liberais”, e libertários utilitaristas, a sociedade é reduzida a uma estrutura de cooperação entre pessoas que podem ter concepções diferentes do que é uma “vida boa” (felicidade) e de tal forma que as posições individuais podem ser absolutamente irreconciliáveis mas todas elas, em princípio, consideradas legítimas.

Tal como os libertários, John Rawls defende a ideia segundo a qual um qualquer princípio de coexistência que seja racionalmente defensável (independentemente de qualquer concepção substantiva) deverá ser considerado “justo”. Esse princípio de coexistência, qualquer que seja desde que seja “racional”, é reduzido a uma espécie de mecanismo que permite organizar as vidinhas das mais abstrusas idiossincrasias individuais.

É dentro desta visão “liberal”, por um lado, e “libertária” e utilitarista, por outro lado, que se situa a “estrutura de cooperação”, em que vemos, por exemplo, a Isabel Moreira (certamente seguidora de John Rawls) a defender o aborto, a eutanásia, a adopção de crianças por pares de invertidos, a Ideologia de Género, e não tarda nada, a legalização da pedofilia: tudo se reduz a um “processo contratual” entre partes, sendo que a idade de decisão e responsabilização das “partes” (em algumas áreas, por exemplo, na autonomia sexual) pode ser reduzida por processo de promulgação do Direito Positivo, por exemplo, para os 10 ou 11 anos de idade, ou até menos.

As opiniões liberais, libertárias e utilitaristas, e ditas “progressistas” (como se o progresso fosse uma lei da natureza), galopam pela História deixando um rastro de civilizações em chamas. Numa sociedade, como a actual, onde prosperam os actos mais aberrantes — o terrorismo, por exemplo —, o liberal e o libertário rendem-lhes homenagem em nome da “liberdade de consciência”.

O libertarismo e o liberalismo são liberticidas, mas em nome da “liberdade”.

Para os liberais e libertários utilitaristas, não existe “bem” se não for “justo”. Para eles, o “bem” é sinónimo de “justo”; as duas noções são coincidentes; não há “bem” independente do “justo”. O problema, aqui, é chegarmos a um acordo sobre o que é o “justo” para, depois, daí deduzir o “bem”. É neste contexto de interrogação sobre o “justo” na estrutura de cooperação entre indivíduos (processo contratual) que John Rawls escreveu o texto publicado pela professora Helena Serrão.

O liberalismo igualitarista actual (Isabel Moreira, PS da ala Esquerda, Bloco de Esquerda) não acabou com os ricos: apenas suprimiu os ricos decentes. Hoje, a sociopatia é um dos requisitos fundamentais do candidato a rico na sociedade dita “liberal”.


Para os “conservadores”, o “justo” e o “bem” são conceitos diferenciados (não se confundem), por um lado, e o “bem” é considerado um valor superior ao “justo”, por outro lado.

Ademais, (segundo os “conservadores”) os princípios que organizam uma sociedade não podem ser neutros em relação ao conceito de “bem”: ou seja, a sociedade não se pode organizar correctamente se partir do princípio de que o “bem” é o que cada indivíduo quiser que seja, limitado apenas pela lei que pode ser revogada e/ou revista ao sabor das modas. Para os “conservadores”, a vida social deve promover o “bem comum”, e não apenas satisfazer as idiossincrasias mais desviantes e mesmo aberrantes de personalidades das mais abstrusas.

Enquanto os liberais e libertários utilitaristas têm uma visão presentista da sociedade (o desligamento em relação ao passado histórico), os “conservadores” insistem no facto insofismável de que as próprias concepções individuais de “vida boa” (felicidade) não podem ser separadas das raízes individuais num contexto social que tem uma história que condiciona inexoravelmente as soluções que podemos dar aos problemas morais, e por maioria de razão, aos problemas da justiça distributiva.

Se seguirmos as ideias liberais, libertárias e utilitaristas, em toda a linha e até às suas últimas consequências, verificamos que não há nenhuma razão para que a pedofilia não venha a ser legalizada no futuro do Ocidente, dependendo apenas do “progresso da opinião pública” (Karl Popper), uma vez que as leis mais desumanas podem apenas depender da aquiescência, activa ou passiva, dos membros da comunidade (não há, a priori, uma noção comum e pública de “bem” baseada na tradição e na História).

É assim que o “justo”, do liberal e do libertário, coincide com o “bem”: depende apenas da janela de Overton, a cada momento da História, legalizar (mediante o processo contratual e a estrutura de cooperação) o que de mais monstruoso existe no ser humano (tal como aconteceu na Alemanha de 1933).

O método indutivo-dedutivo aristotélico aplicado à ética

Este texto de Michael Sandel, publicado pela professora Helena Serrão (ler aqui em PDF), foi (aparentemente) impresso em Portugal pela Editora Presença, de Lisboa; mas está escrito em língua brasileira; e isto preocupa-me: por exemplo, em português escreve-se “facto”, e não “fato”; e por aí fora…

Pelo facto de a Editora Presença publicar, em Portugal, livros em língua brasileira sem qualquer aviso ao comprador, deveria ser objecto de uma indemnização legal ao consumidor.


Michael Sandel faz parte de uma corrente filosófica a que se convencionou chamar de “comunitaristas”, que se opõe aos libertários (individualismo radical). Da corrente dos “comunitaristas” fazem parte, também e por exemplo, Michael Walzer, Alasdair MacIntyre, Charles Taylor.

O texto de Sandel é muito interessante porque aplica, à reflexão ética, o método indutivo-dedutivo científico de Aristóteles, que encarou a investigação científica como uma progressão a partir das observações até aos princípios gerais, e destes, de novo, de volta até às observações — Aristóteles sustentou que o cientista deveria induzir princípios interpretativos a partir dos fenómenos a interpretar, e, a seguir, deduzir afirmações (proposições) sobre os fenómenos a partir de premissas que incluam estes princípios.

Observação → indução → princípios interpretativos → dedução → de volta à observação

Este modelo aristotélico foi posteriormente adoptado por Roger Bacon (não confundir com Francis Bacon), e ainda hoje é válido até certo ponto.

Na segunda parte do texto, Sandel adopta o criticismo kantiano (Kant, Karl Popper) que exige discussão pública das teorias subjectivas e individuais (tanto em ciência, como na ética).

Manuel Pizarro, o ministro amigo-da-onça

¿Alguém se lembra da figura de cartune brasileira do “amigo-da-onça”? Reencarnou no ministro da saúde Manuel Pizarro.

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“Ao contrário do que acontece em outros países europeus, o Governo, numa atitude de grande equilíbrio, entendeu não proibir o fumo do tabaco nas esplanadas abertas.”

ipse dixit, o amigo-da-onça

Aqui, a “lógica” do amigo-da-onça é a seguinte: «nós somos uns filhos-de-puta, mas até somos menos filhos-de-puta do que os outros».


«Após esta resposta, o ministro da Saúde foi interrogado sobre a lógica de o Estado estar a limitar a venda de um produto que é legal.

“Estamos a referir cafés e restaurantes. Não faz muito sentido que, sendo proibido fumar em cafés e restaurantes, seja permitido vender tabaco nesses estabelecimentos. Há uma contradição na mensagem que se transmite às pessoas”, alegou o amigo-da-onça.»

Seguindo a “lógica” do amigo-da-onça, dentro do espaço fechado das tabacarias é, por lei, proibido fumar, e por isso também deveria ser proibido vender tabaco dentro das tabacarias.


De acordo com o amigo-da-onça:

“está sim em causa saber se é desejável que a organização das nossas comunidades e do nosso sistema social encoraje o tabagismo em vez de favorecer a saúde pública, tendo em vista que as novas gerações não sejam atingidas pela adição ao tabaco”.

O partido do amigo-da-onça, e ele próprio, defendem a legalidade do transgenderismo em crianças pré-pubescentes; mas o amigo-da-onça está é preocupado com a relação das novas gerações com o tabagismo.

Simultaneamente, o amigo-da-onça defende a legalização do fumo da Cannabis e drogas derivadas: um jovem português pode-se injectar com heroína legalmente e em “salas de chuto” (lei do Partido Socialista e Bloco de Esquerda) com o apoio do Estado, mas a presença de uma máquina de venda de tabaco em cafés e restaurantes é, segundo o amigo-da-onça, um grande perigo de “adição”.

Manuel Pizarro amigo da onca web

Não nos esqueçamos de onde veio Manuel Pizarro: na década de 1980, foi vereador comunista na Câmara Municipal do Porto. Só um comunista pode ser um amigo-da-onça.

Adenda: eu não sou fumador.

Os primeiros capitalistas foram frades católicos

“A usura ou empréstimo a juros é um roubo. Ainda que os bancos acelerem a economia.”

A pobreza pode acabar em Portugal se os bancos forem taxados pesadamente


Os frades franciscanos, apóstolos da pobreza, foram os primeiros teóricos da riqueza. Foram os franciscanos, praticantes da pobreza radical, que em nome do justo uso e da liberdade de contratar, justificam as práticas de enriquecimento da sociedade do início do século XIV (estamos no tempo de Filipe, o Belo, em França, da sua querela política com o Papa Bonifácio, e da extinção da Ordem dos Templários).

O prémio de seguro de risco (aplicado no comércio, por exemplo, mas também nas propriedades privadas) foi “inventado” pelos frades menores franciscanos no século XIII (os “Fratelli”), e os templários utilizavam taxas de juro na suas transacções financeiras na Europa do mesmo século.

A defesa da proibição da taxa de juro era apenas uma corrente ideológica mais radical (desde Santo Ambrósio, no século V, até S. Bernardo, no século XV) da Igreja Católica, que não era unânime.

No século XV, os frades católicos italianos fundaram uma instituição bancária de nome Monti di Pietá, que abriu várias sucursais em cidades italianas. É desta instituição italiana Monti di Pietá que adveio o nome do Banco Montepio. Diziam os frades italianos que, uma coisa é uma pessoa particular emprestar dinheiro a juros a outra (o que envolve uma relação entre indivíduos), e outra coisa, diferente, é a criação de uma instituição financeira (os Monti di Pietá) impessoal, destinada a financiar a economia em geral e em termos impessoais.

Eu não sou contra os impostos aplicados aos Bancos — pelo contrário. Apenas não concordo que os juros bancários, se sendo comedidos e dentro de certos limites racionais, possam ser considerados “roubo”.