O gongorismo coimbrinha do senhor António Figueiredo e Silva

Em uma carta a um editor alemão, Karl Popper escreveu o seguinte:

(…)

«[o intelectual] tem o dever de transmitir aos seus concidadãos (ou “à sociedade”) as suas ideias de forma mais simples, mais clara e mais sóbria possível. (…) Quem não for capaz de se exprimir de forma clara e simples, deve permanecer calado e continuar a trabalhar até conseguir a clareza de expressão.

(…)

a arrogância dos pretensamente instruídos é a verborreia, o pretensiosismo de uma sabedoria que não possuímos. (…) Uma outra receita é escrever em estilo empolado dificilmente inteligível, e juntar de quando em quando uma ou outra banalidade: agrada ao leitor, que se sente lisonjeado por encontrar, numa obra tão “profunda”, reflexões que ele próprio já tinha feito.

(…)

Quando um estudante entra na universidade, não sabe quais os critérios que deve adoptar. Assim, aceita os critérios que lhe são propostos. Uma vez que os critérios intelectuais (…) toleram o gongorismo e a arrogância (todas essas pessoas [universitárias] parecem saber imenso), algumas boas cabeças são completamente afectadas. »

Se lermos os textos do senhor António Figueiredo e Silva, em geral, e este texto em particular, verificamos a presença da linguagem gongórica que é própria da universidade coimbrinha.

Em confronto com o gongorismo coimbrinha, a linguagem vernácula popular — a linguagem dos “impropérios” do povo que o senhor António Figueiredo e Silva critica — tem, pelo menos, a virtude de ser facilmente entendível pelos cidadãos em geral, e de não pretender parecer um “saber imenso”.

Entre o romantismo de Ramalho Eanes e o funcionalismo público de António Costa

Ramalho Eanes apela aos mais velhos que cedam o ventilador a quem tem “mulher e filhos”; este é um exemplo do romantismo anético que é característico das elites políticas lisboeiras.

Em caso de necessidade de atribuição de ventiladores, o critério da escolha deve ser o da necessidade, e não o da idade (“¿Quem precisa mais?” — é a pergunta que se deve fazer); até um burro consegue perceber isto, mas o romântico Ramalho Eanes não vê: o romantismo é uma espécie de “utilitarismo virado do avesso”.

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A elite política é maioritariamente constituída por funcionários públicos, gente que sempre viveu à custa do Orçamento de Estado e, em muitos caos, gente que nunca soube o que é trabalhar. É este tipo de gente que manda fechar o país.

Um jogo de xadrez tem regras, mas (dentro do jogo) os jogadores têm liberdade (1)

Uma das críticas que eu fiz (aqui, no blogue) a Fernando Pessoa foi forma determinista como ele encarou a astrologia. Contudo, preste (o leitor) atenção: eu não sou contra a astrologia, se esta for concebida como S. Tomás de Aquino a descreveu.

A astrologia não é — nem pode ser — um método de adivinhação do futuro.

Antes de se considerar uma carta astrológica de um qualquer indivíduo, tem que se ter em conta a sua herança genética e epigenética, o meio-ambiente onde ele foi criado, o meio cultural em que ele se formou, a sua educação académica, e outras variáveis que não menciono aqui e agora. Só depois de se ter uma noção destas variáveis pessoais, uma carta astrológica começa a ter algum sentido.

Depois de se ter a noção dessas variáveis, a carta astrológica faz algum sentido exactamente não por ser uma adivinhação do futuro (quiromancia), mas por ser apenas uma avaliação racional de tendências.

Por exemplo, uma analogia: se eu vejo um velho Renault 4L a 130 km/hora em uma rua da cidade em hora de ponta, posso afirmar com segurança que é provável que o condutor vá ter um acidente. Porém, se eu vejo um BMW topo de gama a 130 km/hora numa rua da cidade, já digo que é possível que vá ter um acidente, porque o BMW tem travões ABS e uma estabilidade e aderência que o Renault 4L não tem.

Dizer que “é provável”, ou que “é verosímil”, ou que “é possível”, não é adivinhar o futuro (não é a mesma coisa que “ter a certeza”): é apenas seguir a teoria da probabilidade.

Por alguma razão, quando está Lua cheia, ninguém “aguenta” os malucos nos manicómios. E a propósito da Lua, é conhecida a teoria das marés de Galileu, que se demonstrou errada porque ele baseou a sua (dele) teoria apenas no movimento de rotação da Terra, e propositadamente não tomou em consideração a influência da Lua no movimento das marés.

Galileu não colocou a hipótese da influência lunar no movimento das marés porque tinha um preconceito negativo em relação à astrologia.

Esta forma de ver a astrologia não é incompatível com a doutrina da Igreja Católica — porque não se trata de adivinhar o futuro. S. Tomás de Aquino diz isto mesmo (por outras palavras) no Summa Contra Gentiles.

O António Guterres está “lélé da cuca”

O Guterres nunca me enganou; um indivíduo insidioso, com ares de bonacheirão, que singrou na política através de um certo sincretismo ideológico característico da chamada Terceira Via socialista (por exemplo, Tony Blair).

Agora, o Guterres vem exigir 10% do total do PIB do planeta (de todos os países do mundo) para a ONU ! — alegadamente para combater o vírus da China.

O homúnculo está louco!

O valor total exigido por Guterres para a ONU é de cerca de 8 biliões de Euros (8 triliões Euros, na classificação anglo-saxónica), o que corresponde a 2.900 vezes o actual orçamento anual da ONU que é de 3 mil milhões de Euros (ou 3 biliões de Euros).

O homenzinho não pode estar bem da cabeça…!

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O comunismo emotivo e lacrimejante, ou as lágrimas de crocodilo do senhor António Figueiredo e Silva

Winston Churchill escreveu:

“Tentar manter boas relações com um comunista é como fazer festas a um crocodilo. Nunca sabemos se devemos afagá-lo debaixo do queixo ou bater-lhe por cima da cabeça. Quando abre a boca, nunca sabemos se está a sorrir ou a preparar-se para nos comer.”

Está hoje na moda uma espécie de “comunismo emotivo e lacrimejante” em que, em vez de sorrir, o comuna chora-nos o coração; mas sorrindo ou chorando, o comuna prepara-se sempre para nos comer.

Há quem pretenda confundir “emoção” e “poesia/literatura”. Outro reaccionário — graças a Deus ! — escreveu o seguinte:

“O que se escreve a partir da emoção, é retórica. Os poemas forjam-se a frio”

Nicolás Gómez Dávila 

Portanto, tentar apelar-nos para “um mundo onde não há desigualdades” é retórica de comunista lacrimante. É tentar enganar o leitor, utilizando a lágrima no olho. É estratégia manipuladora de filho-de-puta.


«O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benefícios; a virtude inerente ao socialismo é a distribuição equitativa de desgraças.» — Winston Churchill


O texto do senhor António Figueiredo e Silva em PDF