A TVI é o canal de televisão menos pluralista e mais próximo do Bloco de Esquerda

Hoje, a TVI anunciou as “catástrofes” do COVID-19 nos Estados Unidos de Donald Trump e no Brasil de Jair Bolsonaro — mas “esqueceu-se” de falar na Bélgica, por exemplo, que atingiu as 800 mortes por milhão de habitantes; ou a Espanha que já ultrapassou as 600 mortes por milhão.

Os editores da TVI não têm vergonha na cara; aliás!: não têm cara.

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A “protestantização” da Igreja Católica

Uma das características do luteranismo — que o diferenciava decisivamente da Igreja Católica — é a submissão canina e cobarde ao Poder político. E, por este andar, irá chegar um tempo que será indiferente ser católico, ou luterano, ou de se pertencer a outra seita qualquer.

O Homem-Massa no século XXI

Um livro que deveria ser obrigatório ler no liceu (vamos pugnar pelo retorno dos liceus, que o politicamente correcto e o nacional-porreirismo abrilista aniquilou) — seja na disciplina de Filosofia ou na de Língua Portuguesa — é a “Rebelião das Massas” (1929) do filósofo Ortega y Gasset.

homem-massa-webO meu filho mais novo é doutorado em Bioquímica por uma prestigiada universidade do mundo anglo-saxónico. Eu digo-lhe, insistentemente: “tens que complementar a especialização, por um lado, com a aprendizagem (nos tempos livres) das artes tradicionais e/ou das disciplinas das Humanidades, por outro lado.”

Umas das críticas feitas por Ortega y Gasset (partilhada também por Patrick J. Deneen no seu livro “Why Liberalism Failed“) é a crítica do monopólio da especialização — repito e sublinho: monopólio; porque “especialistas” sempre os houve — a que Gasset chamou de “Barbárie da Especialização” inerente a uma “Era da Auto-satisfação”.

A “Era da Auto-satisfação” e da “Barbárie da Especialização” (sic) é o tempo moderno das economias de abundância, que gerou gentinha da estirpe da Maria João Marques, a que se refere aqui o José da Porta da Loja. Esse tipo de gentinha é o que Ortega y Gasset chamou de “Homem-Massa”.

A Maria João Marques é o avesso do radicalismo esquerdopata; mas faz parte da mesma teia e trama cultural que gerou o Homem-Massa que “nunca tem dúvidas e raramente se engana” (ao Cavaco Silva, faltou-lhe o liceu) — a minha primeira crítica (civilizada) às ideias da Maria João Marques teve como consequência imediata o bloqueio no Twitter; aquela triste criatura não admite quaisquer críticas.


O Homem-Massa possui a psicologia de uma criança mimada e exibe um sentimento superioridade em relação a quem ouse contrariá-lo: tem um ego do tamanho do universo — mas o seu ego mantém-se a um nível infantil de desenvolvimento —, ao mesmo tempo que despreza os aspectos hierárquicos da sociedade, da Natureza e da cultura; e todas as instituições da sociedade são concebidas (pelo Homem-Massa) à sua precária medida (o Homem-Massa é um sofista moderno, uma espécie de Protágoras de Abdera, mas com inteligência inferior): segundo o Homem-Massa, as instituições deixaram de ter valor em si mesmas, porque são todas (igualmente) equivalentes, e porque “o homem é a medida de todas as coisas”.

O Homem-Massa está isento de restrições — esta ausência de restrições advém (não só, mas também) do preceito cultural segundo o qual “Letras são Tretas” que é assimilado nas Multiversidades (as Universidades já não existem). As “Letras são Tretas” geraram um vazio epistemológico no Homem-Massa (uma ausência de uma perspectiva histórica do conhecimento), uma ignorância acerca do passado histórico, e mais: até mesmo um desprezo por esse passado histórico aliado a uma egologia eternamente presentista.

culto-do-corpo-webO actual narcisismo exacerbado – e pior!: o culto do narcisismo!: quem não é notoriamente narcisista é desprezado pela cultura do Homem-Massa — é característico da “Era da Auto-satisfação” que alimenta a ideia endógena segundo a qual “a vida é coisa fácil e sem grandes limitações” que leva o Homem-Massa a fechar-se em relação a qualquer juízo crítico sério; e uma tendência culturalmente ingénita de impôr as suas ideias triviais e sem qualquer respeito pelas ideias dos outros. Esta vulgaridade é característica do “barbarismo espiritual” (sic) da “Barbárie da Especialização”.

O Homem-Massa acredita que a Matéria é a única realidade, por um lado, e por outro lado é adepto exclusivo do “culto do corpo”; prefere viver sob um regime que não privilegie a discussão livre — e vem daqui o fechamento em relação a qualquer juízo crítico (o Homem-Massa prefere a supressão do debate de ideias, em nome da supremacia de uma putativa “especialização”).

O Homem-Massa caminha a passos largos para a sua morte espiritual, ao mesmo tempo que frequenta freneticamente ginásios e clínicas médicas para tentar adiar a sua morte biológica.

O Homem-Massa desconhece (ou despreza) a literatura anterior ao século XX.

As grandes obras literárias (Cervantes, Shakespeare, Camões, etc.) são anti-utopias, porque acentuam as falhas humanas e demonstram a tendência inevitável do ser humano para a tragédia (o Homem-Massa ignora a categoria do “trágico”, o que o transforma em um neurótico permanente). Pelo contrário!: o Homem-Massa ignora (ou nega mesmo) a existência da Natureza Humana. E assim a literatura clássica foi praticamente banida das Multiversidades, em nome da “Barbárie da Especialização” .

Com o advento do Homem-Massa, a noção de “ser humano” foi reduzida a aspectos físicos comezinhos, como a genitália e a cor da pele (e ao feminismo estupidificante e radical da Maria João Marques). Na Era da Especialização, o Homem-Massa convenceu-se de que “eu é que sei!” (a dúvida socrática desapareceu da nossa cultura intelectual), adoptando um isolamento epistemológico e uma certeza moral invioláveis.

O senhor Guilherme Valente apazigua a China, na esperança de ser o último a ser comido

O senhor Guilherme Valente escreve aqui uma ode prosaica à China. Ou seja, temos um exemplo de um Valente que se acobarda perante o Poder chinês.


As ideias mestras do senhor Valente, em relação à China, são as seguintes:

1/ Os europeus são os culpados pelo regime comunista chinês.

2/ Se o Ocidente não chatear a China, o regime chinês evoluirá (“se não se sentir ameaçado”) — para uma coisa qualquer que o senhor Valente não diz o que é.

3/ A China, ao contrário do Ocidente, “não impõe aos outros os modos de viver próprios”.

4/ A Teresa de Sousa é ignorante porque critica a China.

5/ Na China, o sistema actual é “capitalista” (segundo o senhor Valente).


Tenho muita dificuldade em compreender o arquétipo mental do senhor Valente.

Por exemplo, quando o regime chinês patrocina e promove a recolha de órgãos (do corpo humano) a partir de cidadãos chineses ainda vivos, o senhor Valente provavelmente dirá que “a culpa é do Ocidente”.

Fico pior que estragado com estes “intelectuais” de merda!

E depois temos (no senhor que é Valente) a certeza do futuro — mesmo que os factos indiciem o contrário do que é desejado por ele: “o regime chinês vai evoluir”, diz o senhor Valente, mesmo sabendo que o regime chinês alterou recentemente a sua Constituição para albergar a figura de um líder vitalício.

Para o senhor Valente (que se acobarda), os factos não contam.

Basta ver o que se passa com a actual influência da China nos países africanos para percebermos que o senhor Valente (acobardado) não tem razão: a China impõe aos países africanos a forma chinesa/comunista de estar no mundo.

Finalmente, o distinto senhor Valente (que se apanasca, face à China) não percebeu a diferença entre um regime de cariz económico liberal/capitalista (por exemplo, os Estados Unidos), por um lado, e, por outro lado um regime fascista em que as empresas privadas são estritamente controladas pelo Estado (por exemplo, na Itália de Mussolini, ou na Alemanha de Hitler, ou na actual China).Churchil-Quote-Appeaser-web

Winston Churchill escreveu o seguinte: “um apaziguador é alguém que alimenta um crocodilo na esperança de ser comido (por este) em último lugar”. E parece que o senhor Valente é um apaziguador.

O José Pacheco Pereira diz que “os factos que não me interessam, não existem”

«EL máximo error moderno no es anunciar que Dios murió, sino creer que el diablo ha muerto.»

→ Nicolás Gómez Dávila

Razão tinha o mestre Nicolás Gómez Dávila: se as pessoas se convencem de que o diabo não existe, isso dá muito jeito à acção diabólica.

JPP-ZAROLHOTal como ao diabo lhe dá jeito ocultar a sua acção (através da divulgação da sua morte), ao José Pacheco Pereira também lhe convém que o marxismo cultural não exista; mas ele não é o primeiro burro que nega as evidências de uma doutrina a que os mais comedidos e prudentes lentes em filosofia chamam de “Utopia Negativa”.

É uma questão de semântica. Por exemplo, o termo “interseccionalidade” é muito usado hoje nos Estados Unidos para para traduzir a “práxis” (a prática política) marxista cultural que tem (entre outros conceitos) como base o conceito de “tolerância repressiva” de Marcuse.

Se o José Pacheco Pereira diz que “o marxismo cultural não existe”, então induzo eu a teoria segundo a qual ele também pensa (¿será que ele pensa?!) que Gramsci e Lukacs não existiram; ou então o Pacheco “pensa” que Gramsci e Lukacs não eram marxistas; e que ambos não insistiram na instrumentalização da cultura na acção política (em vez da acção política de classes do marxismo clássico).

É claro que “marxismo cultural” é um conceito abrangente: representa uma corrente política e ideológica que “se desviou”, por assim dizer, do marxismo clássico, seja através da Escola de Frankfurt, seja através de Gramsci e Lukacs.

Caros leitores: o José Pacheco Pereira é uma fraude intelectual. O rei vai nu!.

Porém, ele tem uma virtude: assim como o bom carioca consegue escrever um samba partindo do simbolismo de uma casca de amendoim, assim o Pacheco escreve um longo texto a partir de uma merda qualquer. É obra desenganada!

Eu não vou aqui entrar na crítica que o Pacheco fez a um determinado texto de Nuno Melo, pela simples razão de que não li o texto deste último. Porém, seja qual for a pertinência da crítica do Pacheco ao Nuno Melo, não se lhe dá o direito ao burro de afirmar que “o marxismo cultural não existe”. É burrice. Ou truculência política e desonestidade intelectual.