O liberalismo começou por ser democrático, mas hoje traduz a burocracia da servidão democrática

Ao ler este texto acerca da opinião crítica de Isabel Moreira sobre a (pretensa) obrigatoriedade do uso de máscaras na via pública, podemos verificar que a crítica de Isabel Moreira se baseia no formalismo processual jurídico e em um determinado conceito (lockeano) de “Estado de Direito”. Esta forma de ver o problema é arrepiante.

“É bom perceber que a OM lida apenas com um aspecto da pandemia. Com todo o respeito, a ideia de ‘máxima prevenção’ não é admissível num Estado de direito. Usar máscaras na rua ou condicionar mais ainda os eventos referidos na notícia é uma compressão muito complexa da liberdade nas suas diversas dimensões”, começou por escrever a deputada socialista, numa publicação partilhada no Facebook.

hcq-zinc-webA visão do mundo através de lentes do formalismo processual jurídico traduz uma mundividência burocratizada da realidade, por um lado, e acientífica, por outro lado. Dou um exemplo ilustrativo:

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, decretou o estado de emergência e o respectivo recolhimento obrigatório nacional por causa de quatro novos casos de COVID-19 a nível nacional — e estes quatro novos casos de COVID-19 dizem respeito a pessoas da mesma família!.

¿Justifica-se um estado de emergência de um país inteiro por causa de quatro novos casos de COVID-19 em uma mesma família?

A “lógica” que está por detrás da recomendação da Ordem dos Médicos da obrigatoriedade de uso de máscaras na rua, é a mesma “lógica” que subjaz ao decreto da primeiro-ministra da Nova Zelândia; ou seja, aparentemente não há lógica nenhuma; mas só aparentemente.

Para entendermos melhor a tal “lógica que não existe”, vou citar G. K. Chesterton: “O bolchevismo e o grande capital, são parecidos; ambos são sustentados pela ideia segundo a qual tudo se torna mais fácil e simples depois que se elimina a liberdade; e o inimigo irreconciliável de ambos é aquilo a que se convencionou chamar pequenas e médias empresas [no original: ‘Small Business’]”.

Se restringirmos a liberdade do indivíduo, este ficará mais disposto a pagar caríssimo pela restituição da liberdade perdida.

Quando as poderosas multinacionais farmacêuticas fazem uma campanha (através dos me®dia vergonhosamente manipulados) contra o Protocolo de Zelenko, fazem-no por uma razão: a Hydroxychloroquina é um produto muito barato e acessível a quase todas as bolsas. Ora, um medicamento barato, em princípio, não dá grande lucro. Para as grandes farmacêuticas globalistas, aceitar a receita do Protocolo de Zelenko significaria perder dinheiro (no sentido em que deixam de ganhar dinheiro).

Para as multinacionais farmacêuticas globalistas, é necessária uma vacina caríssima, por um lado, e por outro lado a descoberta de um cocktail de medicamentos caríssimos (pago pelos Estados dos países) para lidar com o COVID-19 — e por isso, também, é que o anúncio recente da descoberta de uma vacina na Rússia contra o COVID-19 foi imediatamente classificada, pelos me®dia ocidentais, como sendo uma “vigarice russa”.

Tal como acontece com a Ordem dos Médicos e com os caciques políticos portugueses, a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a primeira-ministra da Nova Zelândia (por exemplo) obedecem também à “lógica” das grandes multinacionais globalistas — que incluem não só as grandes farmacêuticas, mas também os poderes fácticos globalistas que promovem o eugenismo e o abortismo (por exemplo, através da vacinação obrigatória), e defendem a versão contemporânea e actualizada da teoria da população de Malthus (por exemplo, Bill Gates, George Soros, o Charles da casa real britânica, Al Gore, os cabecilhas da Esquerda americana em geral, etc. ).

Ora, a Isabel Moreira utilizou a visão burocrática do formalismo processual jurídico para assim evitar uma análise científica e política adequada ao problema da restrição das liberdades no contexto da COVID-19 (não nos esqueçamos de que as revoluções são partos sangrentos das burocracias) — porque, se restringirmos a liberdade do indivíduo, este ficará mais disposto a pagar caríssimo pela restituição da liberdade perdida.

A restrição da liberdade da “Cultura do Cancelamento” do Bloco de Esquerda que manda em Portugal

Lembro-me de um comício do CDS na Póvoa do Varzim em 1976 (¿ou 1977?), em que o Zeca Afonso (que se dizia que era simpatizante do Partido Comunista) abrilhantou a festa do CDS. Naquela altura, não passava pela cabeça do Zeca Afonso pedir desculpas públicas por cantar numa festa do CDS.

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Vivemos hoje num país menos livre do que em finais da década de 1970 — em parte devido ao efeito “Bloco de Esquerda”, que é o partido da “Cultura do Cancelamento” em Portugal.

E o Olavo Bilac não teve outra hipótese senão pedir desculpas públicas por cantar numa festa do CHEGA, sob pena de ser culturalmente “cancelado” pelo Bloco de Esquerda que é quem manda em Portugal.

O Sérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) e a Introdução Geral acerca do marxismo cultural

O Sérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) escreve uma introdução geral em duas partes acerca da existência, ou não, do marxismo cultural. A introdução geral dele tem um duplo objectivo — aliás exarado logo no início do texto: o primeiro, o de sublinhar a opinião (dele) de que Nuno Melo é um normalíssimo político; e o segundo objectivo, o de se superiorizar a José Pacheco Pereira e a António Guerreiro que ele próprio considera serem “os mais importantes intelectuais públicos do país”.

António Sérgio escreveu um ensaio que foi publicado em 1952 (Cartas de Problemática, nº 4) que fala da tendência típica dos portugueses universitários (de tipo Sérgio Barreto Costa) para o discurso redondo e para as “introduções gerais”:

“Liga-se a este culto da sabichice estreme o portuguesíssimo apego às introduções gerais. Sempre que um típico intelectual lusitano tem por mira instruir-nos sobre determinado assunto — embrenha-nos na selva de uma introdução genérica, histórico-filosófico-preparatória, cheia de cipoiais onde se nos enreda o espírito e onde nunca se avista a estrada recta e livre.

Depois, quando já nos achamos cerca da orla da floresta, principiando-se a enxergar o bom caminho e o objectivo — pronto!, acaba-se o fôlego ao nosso autor e a nós próprios, exactamente no instante em que se ia abordar o tema.”

Caros amigos: não nos interessa saber se o Nuno Melo é um “normalíssimo político”, ou não; o que nos interessa é saber — de uma forma sucinta e sem introduções gerais — se ele tem razão, ou não. E Nuno Melo tem razão.

Comentar a Introdução Geral do Silva Papaeira seria incorrer no erro de laborar em uma nova Introdução Geral, desta feita de minha lavra; mas sempre podemos fazer uma ou outra crítica circunstancial, por exemplo, quando o Papaias confunde “cultura intelectual”, por um lado, e “cultura antropológica”, por outro lado; e essa confusão é levada a cabo através de uma sorite1:

«Assim sendo, e uma vez que, para Marx, “a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante”, é completamente impossível que a supremacia cultural esteja, neste momento, nas mãos da esquerda.»

Basta lermos os editoriais de praticamente todos os jornais portugueses para sabermos qual é a “força intelectual dominante” em Portugal. Só um burro não vê.

É claro que o José Pacheco Pereira é (aparentemente) um burro que se julga experto; o rei vai nu. Não seria necessário escrever uma Introdução Geral rebuscada para constatar um facto tão notório.

Em termos estritamente epistemológicos (deixemos de lado as interpretações subjectivistas), o Sérgio Barreto Costatem razão, isto é, constrói a História de forma correcta — por exemplo, quando fala em Lukacs e em Gramsci.

É claro que o Pacheco não leu Gramsci; ou se leu, entrou em dissonância cognitiva e em estado de negação.

Mas o Papaeira “esqueceu-se” de falar dos desenvolvimentos ideológicos a partir de Lukacs e de Gramsci: a Utopia Negativa (a Escola de Frankfurt, a Teoria Crítica, e o posterior desenvolvimento ideológico marcuseano), e o neo-estruturalismo ou Pós-modernismo.

O marxismo cultural não se restringe a Lukacs e a Gramsci. 


Notas

1. uma Sorite é um sofisma que consiste em acumular proposições que podem ser verdadeiras, mas cuja conclusão é ilegítima por falta de ligação entre as proposições. Por exemplo: “Sou o homem mais belo do mundo. Com efeito, Paris é a cidade mais bela do mundo, o meu colégio é o mais belo de Paris, o meu quarto é o mais belo do colégio; sou o homem mais belo do meu quarto. Por isso, sou o homem mais belo do mundo”. → Cyrano de Bergerac

2. “da Silva Papaeira”: ¿por que razão os “intelectuais” portugueses utilizam sempre três nomes?

A Messalina do bas-fond me®diático português

Marine Le Pen pretende ocupar a posição política de Macron

marine-le-pen-webQuando o Front Nationale — partido fundado por Jean-Marie Le Pen e actualmente liderado por uma mulher (Marine Le Pen) — mudou recentemente de nome para “Rassemblement National”, eu desconfiei da existência de uma estratégia política obscura por parte de Marine Le Pen.

Coincidindo com a mudança de nome do partido, Marine Le Pen reforçou a influência interna do lóbi político gayzista no partido. A desculpa da Marine Le Pen foi a de que uma maior influência do lóbi gayzista no partido seria uma afronta aos islamistas.

Coincidindo com as férias de Verão e aproveitando-se de um certo anonimato estival, Marine Le Pen procedeu agora a uma purga política interna que veio marine-le-pen-2-webreforçar ainda mais o lóbi gayzista no partido, para além de afastar todos os quadros do partido ligados à área da Direita Identitária.

Mas as mudanças de Marine Le Pen não ficam por aqui: chega-nos a notícia de que o partido Rassemblement National se absteve na votação de uma lei que permite o aborto até aos nove meses de gravidez por razões alegadamente de “stress psico-social” — ou seja, a nova lei aprovada com a cumplicidade de Marine Le Pen permite o aborto até aos 9 meses de gestação baseando-se em razões puramente subjectivas. Apenas um deputado independente do partido Rassemblement National votou contra.

Note-se que, enquanto o partido Rassemblement National se chamou “Front Nationale”, as posições políticas deste partido sempre foram contra o aborto como método contraceptivo. Claramente, esta posição mudou, por intermédio de Marine Le Pen.

Portanto, as verdadeiras fauces de Marine Le Pen vêm-se revelando….

A normalização do normal

A cidade americana de Somerville estendeu aos grupos “poliamorosos” os direitos civis concedidos pelo Estado às pessoas unidas pelo matrimónio — por exemplo, os direitos decorrentes da Segurança Social e da assistência médica, assim como o direito dos membros dos grupos “poliamorosos” a visitar os seus “cônjuges” nos hospitais.

Rapidamente o “casamento” poliamoroso será legalizado no Estado de Massachusetts.

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Em um verbete anterior, esbocei a diferença de propósitos entre o marxismo cultural do Bloco de Esquerda — mas também do Livre, do PAN, e mesmo da ala radical do Partido Socialista de que faz parte o António Costa —, por um lado, e o liberalismo de Stuart Mill — do IL (Iniciativa Liberal) e de um certo PSD de Rui Rio —, por outro lado. Chamei à atenção para o facto de, não obstante os métodos de acção política serem semelhantes, os fins a alcançar (num e noutro caso) são díspares, senão mesmo opostos.

Segundo Fernando Pessoa, os liberais são “aqueles que cuja teoria do progresso inculca a ideia de que ele se faz por uma lenta alteração da sociedade, não tanto nem somente dentro de moldes em que essa vida social se encontra vasada”. (…) “Para o liberal, os moldes (culturais) alargam-se mas a sua forma fica”.

O problema (que Fernando Pessoa não terá visto) é o facto de o “progresso” não obedecer a uma qualquer lei da natureza, por um lado; e por outro lado, o facto de só existir progresso na ciência; e mesmo na ciência, o progresso é estabelecido em função de determinados pontos de referência assinalados epistemologicamente “a posteriori” — como escreveu o reaccionário Nicolás Gómez Dávila: “duvidar do progresso é o único progresso”.


Depois da normalização legal da eutanásia, a legalização e a normalização do “casamento” poliamoroso será uma das prioridades do Bloco de Esquerda e do IL (Iniciativa Liberal) e com ajuda preciosa dos me®dia — embora por razões diferentes. O problema é que o IL (Iniciativa Liberal) não se dá conta de que está a fazer o jogo político destrutivo e totalitário do Bloco de Esquerda.

Quando foi da normalização legal do “casamento” gay, os políticos (do Bloco de Esquerda ao PSD, e mesmo no CDS de Paulo Portas) disseram-nos que “a homossexualidade era coisa normal”, não obstante apenas cerca de 2% da população ser homossexual. O termo “normal” passou a ter uma dimensão abstrusa, produto de um nominalismo radical que infesta a cultura das “elites” políticas actuais.

Quando dizemos que o comportamento característico especifica- e exclusivamente de apenas 2% da população “é normal”, estamos a adoptar uma concepção acientífica da realidade social e cultural.


Precisamos de contrariar esta elite política; e para isso necessitamos de um partido político burkeano forte (burkeano, de Edmund Burke):

  • um partido político que defenda a coesão social e os interesses da maioria (mesmo que o católico bonzinho Seara Duque não concorde) e dos seus costumes;
  • um partido político que se oponha sistematicamente à humilhação do povo por parte da elite política (como esta faz constantemente, por exemplo, quando diz que “o povo português é racista”. A humilhação do povo tem o propósito de o submeter e controlar);
  • um partido que defenda os pressupostos morais básicos e as normas fundamentais que caracterizam a vida boa comunitária;
  • um partido que defenda o respeito pela autoridade, a começar pelos pais e extensível aos idosos em geral;
  • um partido que dê valor à família e apoie políticas de nascimento de crianças;
  • um partido que reconheça as nossas dívidas históricas em relação aos mortos, heróis nacionais incluídos.

Esse é o partido da normalização do normal.

José Seara Duque, o católico bonzinho

O católico bonzinho é aquele que segue piamente o papa Chiquinho (e o Anselmo Borges): se o Chico manda que ele se lance a um poço, o católico bonzinho despenha-se a ele e à sua família inteira; não faz a coisa por menos.

Quando um determinado católico não é manifestamente “bonzinho”, então segue-se que é “populista”. É esta a mensagem do católico bonzinho José Seara Duque, expressa aqui.


Ainda não percebi o que significa “populismo”. A própria Wikipédia diz o seguinte: “não existe uma única definição do termo”. Se por “populismo” entendermos “demagogia”, então a nossa classe política inteira é certamente populista.

Quando o católico bonzinho Duque se insurge contra a actual elite, pode estar a assumir uma atitude populista — segundo a Wikipédia: “Populismo é um conjunto de práticas políticas que se justificam num apelo ao “povo”, geralmente contrapondo este grupo a uma “elite”.”


papa-lutero-webO “católico bonzinho” difere do “católico fervoroso”, na medida em que o primeiro (por exemplo) não jejua às Sextas-feiras. O católico bonzinho não é fã de sotainas; prefere os padres com calças de ganga, se possível, rotas. O católico bonzinho adora as hóstias na mão, e concorda em fechar igrejas porque o Estado pode e manda.

O católico bonzinho é religiosamente muito inclusivo: “inclusivamente” Maomé e Lutero (e até mesmo os ex-canibais da Papua ou o Candomblé dos trópicos); e quem não “inclui” Maomé e Lutero (e o Candomblé), é populista.

O católico bonzinho não é maniqueísta; mas os católicos que não são bonzinhos são “populistas”.

Tal como ordena o chefe Chiquinho, o católico bonzinho defende as suas ideias sem qualquer tipo de consequência política — porque o católico bonzinho, é bonzinho, e detesta a acção política. E quem actua politicamente no reino da cristandade, é populista.

Tal como filósofo cristão bonzinho Kierkegaard, o católico bonzinho fica paralisado perante o livre-arbítrio, face à possibilidade de escolha — exactamente porque é bonzinho: o católico bonzinho é suicidário, dá sempre a outra face política aos marxistas; e quando um qualquer católico expulsa os vendilhões do templo, então este é populista.

O católico bonzinho é aquele que pretende submeter a autoridade secular da Igreja Católica à autoridade do Estado. Aliás: o católico bonzinho é aquele que não se importa de submeter qualquer tipo de autoridade à autoridade do Estado — o católico bonzinho é cúmplice do despotismo.