“Racionalidade” não é a mesma coisa que “racionalismo”

O que é racional (racionalidade) é fundamentado na Razão, em conformidade com as suas exigências e os seus princípios — sendo que “razão” é a faculdade de conhecer, de julgar (juízo), e a faculdade de combinar juízos.

karl popper webA Razão — a racionalidade — inclui nela o cepticismo em relação à própria capacidade humana de julgar bem, em oposição a um certo racionalismo monista e imanente (Hegel) que afirma o carácter racional da realidade no sentido da História (um absurdo!), e que o pensamento racional é capaz de atingir a verdade absoluta (outro absurdo!), porque (alegadamente, diz ele) as próprias leis do pensamento racional são também as leis dos objectos do próprio conhecimento (e este é o maior absurdo de Hegel);

Ou de um outro tipo de racionalismo cientificista que atribui à razão humana a capacidade de conhecer a Verdade (por exemplo, os positivistas, o Carlos Fiolhais e o cientismo moderno).

Existe outro tipo de racionalismo, mais aceitável racionalmente (Platão, Descartes, Leibniz), que entende a Razão como um meio de conhecimento seguro e independente da experiência sensível, em oposição ao empirismo. A minha divergência com este grupo de filósofos é a de que o conhecimento pode ser independente da experiência sensível (como é óbvio), mas não é garantidamente seguro; não temos qualquer tipo de garantia racional de que esse conhecimento adquirido seja seguro.

Eu “alinho” com Kant — e por isso é que alguns católicos e muitos evangélicos que lêem este blogue, não gostam do que escrevo. Lêem, mas calam; e às vezes há sinais de desagrado, que são injustificados. A corrente filosófica de Kant é conhecida como “Criticismo”. Um bom exemplo de um discípulo de Kant é Karl Popper.

Muitos desses católicos e evangélicos, que visitam este blogue, pensam que o cepticismo em relação ao conhecimento da Realidade é sinónimo de cepticismo em relação a Deus. Pensam de forma absurda, irracional. Confundem (quiçá sem o saberem) Kant com Espinosa: este último, sim, privilegia a razão como princípio de explicação do universo, e em oposição à metafísica, não se dando conta de que qualquer negação de uma determinada metafísica é. em si mesma, uma outra metafísica.

Kant reconheceu a interdependência entre a Razão e a Sensibilidade, atribuindo à Razão o poder de fundamentar o conhecimento, mas divergindo dos outros filósofos citados porque admite que as formas a priori de todo o conhecimento limitam à partida as possibilidades da Razão. É nesta linha kantiana que Karl Popper desenvolveu a sua doutrina filosófica.

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Um “refugiado” não é exactamente o mesmo que um “fugitivo”

A professora Helena Serrão publica aqui um texto de Hannah Arendt (aqui, em PDF), não sobre filosofia propriamente dita, mas sobre o estatuto de “refugiado” que a Hannah Arendt nega ser aplicável a si mesma. Trata-se, portanto de política, e não propriamente de filosofia. Aliás, Hannah Arendt não foi uma filósofa, porque não criou doutrina e/ou sistema: o mais que podemos dizer dela é que foi uma “filósofa política” — a não ser que se defenda a ideia de que todo o ser humano é filósofo.

refugee webHannah Arendt estudou os grandes filósofos desde os primórdios da História (por exemplo, estudou profundamente Santo Agostinho), mas estudar filosofia não faz de ti (ou dela) necessariamente um filósofo.

A palavra “refugiado” vem do latim “refugiu”, que significa “lugar onde alguém se abriga para fugir a um perigo”; ou, no sentido figurado, “refúgio” significa “auxílio”, “meio de escapar a”, “recurso”, “amparo” [Texto Editora].

Já na língua alemã (que é a língua materna de Hannah Arendt), “refugiado” traduz-se para “Flüchtling” que tem uma conotação diferente da de origem latina: “Flüchtling” (masculino), traduzido à letra para as línguas latinas, significa também “fugitivo”; não tem exclusivamente a conotação de “refugiado”.

Ora, na tradição semântica latina, um “refugiado” não é exactamente a mesma coisa que um “fugitivo”.

No mesmo dicionário, “fugitivo” significa “que fugiu”, “falaz”, “indeciso”, “que desertou”, “um indivíduo que foge”, “desertor”, “evadido”. Um “refugiado” não pode ser um criminoso evadido, mas um “fugitivo” pode ser.

fugitive webUm indivíduo que foge da justiça do seu país porque cometeu um crime manifesto, emigrando para outro país, não é um refugiado: é um fugitivo. Ora, a língua alemã não faz a diferença entre os dois termos: no alemão, um “refugiado” de uma guerra e um “fugitivo” criminoso são ambos “Flüchtlinge” (masculino, plural).

Com alguma ironia, diria eu que a professora Helena Serrão teve azar em dar comigo sobre este assunto porque eu estudei a língua alemã durante anos.

Um individuo que escolhe Portugal para se abrigar da guerra que assola o seu país, é um “refugiado”; outro indivíduo que escolhe Portugal para se esconder da polícia criminal do seu país, é um “fugitivo”.

Por exemplo, não é legítimo que se diga que “um assassino sírio procurou refúgio em Portugal”. Refúgio tem conotação de “abrigo”, “protecção” no sentido humanista; é um absurdo que se diga que “um Estado de Direito deu protecção a um criminoso” (fugitivo) — com excepção do Brasil de Lula da Silva, que vai paulatinamente deixando de ser um Estado de Direito.

Os acordos de extradição entre países existem para extraditar “fugitivos”, e não para extraditar “refugiados”.

Atendendo à conotação pejorativa que pode acontecer ao estatuto de “Flüchtling” em língua alemã, compreendo a ideia de Hannah Arendt. Mas, na nossa língua e na nossa cultura, fazemos bem a diferença entre um refugiado e um fugitivo. Por isso, o argumento da professora Helena Serrão, utilizando Hannah Arendt, não é válido.

O CDS de Nuno Melo fecha a Esquerda à direita (é a Direita fofinha, que a Esquerda gosta)

O Nuno Melo escreveu aqui um textículo a desancar no IL (Iniciativa Liberal) e no CHEGA; parece-me que ele pretende fazer tábua rasa do CDS, como se o passado não existisse, em uma espécie de afirmação presentista da realidade política. Aliás, o presentismo é uma característica da União Europeia que temos: a alienação do passado e da História dos povos da Europa é a maior preocupação do leviatão europeu que o Nuno Melo serve.

Nas “Confissões”, Livro XI, Santo Agostinho diz que há três modos de tempo: “o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes, e o presente das coisas futuras”: ou seja, o presente não existe mais do que existem o passado ou o futuro — o momento presente desaparece em cada instante e torna-se passado, embora o presente não possa ser reduzido a um simples limite sem duração. Segundo Santo Agostinho, o presente revela, portanto, a natureza paradoxal do tempo que é a de ser a condição do não ser.

Ora, no CDS também existe um “presente das coisas passadas”; por exemplo, Assunção Cristas, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Portas, Nuno Melo, entre muitos outros. Ou o Nuno Melo renega esse “presente das coisas recentes passadas” do CDS, ou então não tem legitimidade e credibilidade para falar em reconstrução do CDS. Mas o Nuno Melo não renega esse passado recente e hipócrita do CDS, porque faz parte activa dele.

adolfo-dias web

Não vale a pena fazer aqui uma análise crítica do texto de Nuno Melo, porque é um vira-o-disco-e-toca-o-mesmo de um partido que apoiou (pelo menos tacitamente) o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos (Adolfo Mesquita Nunes), as quotas (anti-mérito) nas administrações das empresas (Assunção Cristas).

Votar no CDS é apoiar, de forma indirecta, o centrão socialista composto pelo Partido Socialista e Partido Social Democrata, porque o CDS de Nuno Melo fecha a Esquerda à direita.

Eles mentem !

“Esquerdistas empedernidos citam a posição de Adam Smith favorável ao imposto sobre heranças, como se as desigualdades de nascimento (…)”

Desigualdade de nascimento e imposto sobre heranças


Eu desafio, a quem quer que seja, que me identifique, em alguma obra de Adam Smith, uma frase ou sentença em que este se manifeste claramente favorável a um imposto sobre as heranças de propriedade privada.

Na “Riqueza das Nações” [Gulbenkian, 1989, 444], Adam Smith escreveu (mutatis mutandis) que aquele homem que não tivesse mais do que o seu corpo para alimentar e os seus braços para trabalhar, não poderia viver a obrigação do “sobre-trabalho” sem o qual não há lucro, senão como uma forma de “violência” — o que levou a que Karl Marx escrevesse (“A Santa Família”) que “é assim que Adam Smith polemiza algumas vezes contra os capitalistas”.

O que Adam Smith pretendeu dizer é que o trabalho escravo não é moral- e economicamente justificável; mas certamente não quis dizer que as heranças sobre a propriedade privada devessem ser abolidas.

É certo que Adam Smith deu prioridade à utilidade, em detrimento da liberdade [“Lectures on Jurisprudence”, Oxford Uni., 1978]— o que acontece hoje com a Esquerda utilitarista [incluindo o IL (Iniciativa Liberal)].

Ou, melhor dizendo: tendo de escolher expressamente entre a utilidade e a liberdade, Adam Smith escolhia a utilidade — o que, aliás, estava na moda, na época, sob influência das ideias de Bentham —, ao contrário do que acontecia com David Hume que dava primazia à liberdade.

Tudo isto levou a um abuso de interpretação das teses de Adam Smith, por parte da Esquerda (como fez Karl Marx).

Por exemplo, da crítica moral à “ordem esclerosada e hipócrita” da sociedade de tradição cristã (idem), feita por Adam Smith, não se pode honestamente inferir que ele pretendesse acabar com as heranças.

O grande inimigo da União Europeia é a democracia segundo Espinoza

AUnião Europeia decretou o novo Pacto de Imigração, que elimina as soberanias nacionais em matéria de admissão de imigrantes nos países — o que significa que os burocratas da União Europeia podem, por exemplo e por mais absurdo que isto possa parecer, decretar que Portugal terá que receber 20 milhões de brasileiros, ou 5 milhões de afegãos.
A política de imigração, nos países da União Europeia, depende agora exclusivamente de burocratas e de políticos que nunca trabalharam na vida deles: autênticos parasitas e sibaritas.

No parlamento europeu, votaram contra a nova lei fascista, 130 deputados — os do ECR Group (European Conservatives & Reformists), que é um grupo parlamentar anti-federalista, e o Identity and Democracy Group, que é o grupo parlamentar a que pertencerá o CHEGA.
Votaram a favor da nova lei fascista, 420 deputados, incluindo o grupo parlamentar a que pertence o Nuno Melo, do CDS (no CDS, nada de novo).


Mediante pequenos mas sucessivos passos políticos, os fascistas e burocratas da União Europeia vão retirando aos povos e nações da Europa os seus direitos mais básicos de auto-determinação — que incluem  o direito comunitário de decisão sobre admissão de alógenos culturais no seu próprio território.


A política discricionária de imposição coerciva de imigrantes (económicos) aos países da Europa tem, como objectivo principal, a pulverização cultural no interior das diversas nações, por um lado, e, por via desta pulverização cultural, conseguir a atomização social nas comunidades nacionais (anomia), por outro lado.


Hannah Arendt (“As Origens do Totalitarismo”) chamou a atenção para este tipo de estratégia política totalitária proveniente da sempre renovada (ao longo dos séculos) “elite” política gnóstica:

pulverização cultural + atomização social = formação de massa política.

A estratégia totalitária da União Europeia não é nova: apenas mudou de vestes; e visa a implementação de um neo-feudalismo (com a criação dos novos servos da gleba), desta vez massivamente apoiado pela Esquerda, e pela cripto-esquerda (por exemplo, em Portugal, o PSDois e o CDS).

O grande inimigo da União Europeia é a democracia — segundo o conceito generalista de Espinoza: “Quando, no Estado, o povo em conjunto detém o soberano Poder, é uma democracia”.

A atomização da sociedade moderna deriva parcialmente da organização moderna do trabalho, onde ninguém sabe concretamente para quem trabalha, nem quem concretamente trabalha para si.

Porém, fenómenos sócio-políticos como o comunismo e o nazismo elevaram o aproveitamento político da atomização social a níveis imprevisíveis, potenciando formações de massa necessárias à construção de sistemas totalitários fundados na brutalidade do Estado leviatão moderno a que Nietzsche chamou de “o mais frio dos monstros frios”.

O leviatão da União Europeia que os burocratas globalistas estão a construir é o “o mais frio dos monstros frios”.

leviatao europeu webA atomização da sociedade por que a União Europeia pugna através de uma imigração discricionária e em massa que pretende [claramente] destruir a coesão social das nações da Europa, a celebração cultural do modus vivendi LGBTQPBBQ+ na educação das nossas crianças (a celebração cultural dos “direitos de braguilha”) que condiciona ou mesmo retira as defesas naturais de uma dada sociedade; a promoção política da anomia defendida por esta União Europeia conduz (intencionalmente) à solidão do cidadão desligado culturalmente do Todo social, solidão essa que tende a retirar ao cidadão qualquer tipo de sentido de vida.

Se retirarem ao ser humano a ligação (anomia) com o Outro social (que inclui a coesão social e cultural), o sentido de vida (que é sempre metafísico) desaparece.

É neste quadro deprimente e pré-totalitário que mentes envilecidas, como a da Isabel Moreira, defendem a legalização da eutanásia: é o sentido da vida, de origem cristã, que está a ser colocado em causa pela burocracia do leviatão europeísta.

No seguimento da pulverização cultural (nomeadamente por intermédio da anomia causada pela imigração em massa) e da consequente atomização social, cresce espontaneamente na sociedade um medo difuso e uma “ansiedade flutuante e indefinida” — que pode facilmente transformar-se em pânico social (“free-floating anxiety”, v. “The Psychology of Totalitarianism“, de Mattias Desmet, 2022, 95), como aconteceu, por exemplo, com o medo difuso e a ansiedade indefinida, e mesmo pânico social, causados, na cultura antropológica, pelo boato propalado pelos me®dia do “fim-do-mundo causado pelo COVID-19”.

Temos, portanto:

1/ pulverização cultural (imigração em massa) + 2/ atomização social (anomia) + 3/ perda do sentido de vida + 4/ ansiedade indefinida e pânico social

=> formação de massa totalitária.

Em resultado das quatro condições supracitadas, aumenta geometricamente a violência e a agressividade na sociedade — a ligação entre a anomia social (o isolamento social) e o aumento da agressividade na sociedade foi já estabelecido empiricamente (Gustave Le Bon, idem, 95).
Pessoas condicionadas pela solidão (anomia), falta de sentido de vida, e pela ansiedade indefinida, têm uma tendência extraordinariamente potenciada para a violência e para o aumento da agressividade em circulação na sociedade: as pessoas nesta condição procuram uma causa, uma razão, um objecto, para extravasar e canalizar a formação de massa totalitária que aguarda as instruções futuras dos burocratas do leviatão da União Europeia por intermédio dos me®dia.

O Miguel Esteves Cardoso ou é burro, ou come merda

“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas antes com desigualdade justa”.

Nicolas Gómez Dávila 


No último texto do Miguel Esteves Cardoso que eu li, há anos, ele defendeu a tese segundo a qual o D. Afonso Henriques era guei. Portanto, da opinião do Miguel Esteves Cardoso podemos esperar tudo.

Chamaram-me à atenção para este artigo no jornal Púbico, com o título “Antiwokismo Primário” (ver imagem em baixo).

migel esteves cardoso woke web

jornal publico racista webEle começa por se referir a “uma sociedade mais inclusiva”, mas não diz o que isso significa.
Pessoas como o Cardoso são “campeãs” de indefinições de conceitos, porque é por intermédio da imprecisão terminológica, da ambiguidade ou da ambivalência de juízos, que elas fazem sucesso nos me®dia — a indefinição do Miguel Esteves Cardoso é o “vestido preto” da Ivone Silva: “com um vestido preto, nunca me comprometo”.

Em princípio, o Miguel Esteves Cardoso defende uma “sociedade mais inclusiva” que exclui os que, alegadamente, não defendem uma “sociedade mais inclusiva”.

Ou seja, os que pretendem “incluir” têm o monopólio da “inclusão”.

Portanto, o Miguel Esteves Cardoso defende uma sociedade que inclua (a tal “inclusividade”) toda a gente excepto aquelas pessoas que ele exclui da sociedade. Isto significa que a “inclusividade”, segundo o Miguel Esteves Cardoso, é um conceito subjectivo.

Os valores tradicionais que trouxeram a nossa sociedade até à modernidade deverão ser preteridos, segundo o Esteves, em beneficio de novos mandamentos: a não-discriminação e/ou indiscriminação, a “inclusividade” e o orgulho na transgressão moral.

Não é possível incluir uma coisa sem excluir outra coisa. E só um burro, como o Esteves, não vê isso.

O Esteves, em busca da igualdade, passa uma bitola sobre a sociedade inteira, para cortar o que diferencia: a cabeça. Decapitar é o rito central da missa “Woke” .

Como podemos constatar, através da História, as formações de massa de cariz igualitarista (puritanismo) constituíram-se sempre como a condição psicológica prévia de decapitações colectivas, científicas e frias (por exemplo, formação de massa na Revolução Francesa, no nazismo, no estalinismo — e no aquecimentismo actual e no Wokismo que, para já, apenas “decapita” simbolicamente através do “cancelamento” ideológico).

O Miguel Esteves Cardoso entra em contradição (ou é burro): a cultura “Woke”, que ele defende, sacrifica a verdadeira diversidade de pensamento, à boa maneira marxista: hoje, as pessoas têm medo de se expressar. A inclusividade “Woke” é a antítese de diversidade de pensamento. A cultura “Woke”, que era suposta ser uma condutora de diversidade e inclusão, tornou-se no oposto da diversidade e da inclusão.

A cultura “Woke” (também chamado de “politicamente correcto”), que o Esteves defende, pretende institucionalizar sistemas de pensamento, de expressão e de comportamento uniformes e exclusivistas. Qualquer pessoa que não se conforme com esses sistemas “Woke” é considerada persona non grata na sociedade (através do chamado “Woke Washing”).

Um segundo termo impreciso, utilizado pelo Esteves, é o conceito de “igualdade” (“igualdade de oportunidade”). O Esteves não se refere, ali, à igualdade perante a lei: o Esteves quer que a lei se foda. O Esteves pretende a imposição de privilégios “ao contrário” — conforme anúncio do jornal Púbico aqui em baixo —, ou seja, a prevalência dos privilégios para as minorias. jornal publico racismo web

Aquele que reclama “igualdade de oportunidades” acaba, por fim, a exigir que se penalize o melhor dotado.

A “igualdade” segundo o Esteves, não é a “igualdade natural” entre os homens, que não significa que todos tenham o mesmo Poder ou as mesmas características: a “igualdade natural” significa “dignidade igual”, que não é o mesmo que “igualdade social” (igualdade de condições) que a cultura “Woke” (que o Esteves defende) pretende implementar na nossa sociedade.

O Esteves não defende a igualdade de direitos: para ele, a igualdade de direitos é insuficiente (tal como defendido por Karl Marx). A igualdade, a que o Esteves chama “de oportunidades”, orienta-se em direcção de um igualitarismo que procura igualar os meios e as condições de existência — ou seja, o Esteves favorece a igualdade em detrimento da liberdade individual, por um lado, e por outro lado, confunde igualdade e identidade — porque, em bom rigor, a igualdade parte do princípio de que os indivíduos têm dignidade igual, mas não que são semelhantes em todos os outros aspectos. Em boa verdade, igualdade e diferença são perfeitamente conciliáveis — só o burro do Esteves não compreende isto.

Outro conceito emburrado pelo Esteves é o de “justiça”: o burro não consegue distinguir “igualdade”, por um lado, e “justiça”, por outro lado. Em rigor, a desigualdade social não é necessariamente injusta, entendida em si mesma.

A Susana Peralta e o socialismo liberticida do Monhé das Cobras

Uma dessas socialistas — que granjeou um alvará de “inteligenta” por intermédio do apedeutismo universitário que grassa actualmente —, de seu nome Susana Peralta, defende a ideia de que é preciso acabar com as heranças e doações através de impostos niilistas.

Com o narcisismo canastrão e puritano de Peraltas, Peralvilhas e Moreiras, estamos a regredir enquanto sociedade.

A esperteza saloia da criatura revela-se em dois sofismas:
1/ “é preciso garantir a igualdade de oportunidades dos que nascem” (princípio dos liberais contemporâneos que se esquecem dos que não nascem, abortados);
2/ “a descendência familiar (a geração dos “nascituros iguais”) é uma lotaria que não merece valor (os filhos não têm valor específico suficiente para garantir as heranças)”. A argumentação da labrega peralvilha é uma contradição em termos.

monhe-das-cobras-webÉ este tipo de gente que acusa o CHEGA de “populismo”.
O Partido Socialista do monhé está prenhe de radicais em lugares de relevo, como o é o caso da Peralta ou da Isabel Moreira.

É gente que “pensa” que, através de um excesso de regulação legal, se pode alterar a Natureza Humana: segundo os radicais actuais, faz-se uma lei, e o agir humano deixa de ser humano.


Para Hegel, a acção humana é um processo histórico da liberdade que se pensa, e se quer como princípio universal.

Os radicais do Pê-Ésse do monhé vêem a liberdade como um princípio “marxizante” que a reduz a uma expressão de um determinismo existencial radical.
Enquanto o Partido Socialista de Mário Soares celebrava a liberdade, o Pê-Ésse do monhé nega a liberdade (no sentido jurídico e mesmo filosófico). Com o narcisismo canastrão e puritano de Peraltas, Peralvilhas e Moreiras, estamos a regredir enquanto sociedade.

Através da liberdade [no sentido jurídico, em Hegel], a vontade realiza-se no ser estático das coisas de que o ser humano se apropria e que se tornam em “coisas privadas”, objectos da satisfação propriamente dos impulsos vitais.

Vontade, propriedade privada, interesses materiais, formam uma constelação que nos reenvia à antropologia do liberalismo clássico [e não ao “liberalismo” do IL, que de clássico tem quase nada]: o interesse (privado) é legitimado sem ser necessariamente classificado como “egoísta”. “Nada se realiza sem interesse” [Hegel, “Enciclopédia das Ciências Filosóficas”, Vol. III, § 475, 274 — edições 70, Lisboa, 1992].

Este Sujeito da Vontade, é a personalidade jurídica tornada possível pela leitura cristã do Direito Romanoe tem um direito imprescritível à apropriação, na qual se objectiva. O interesse da propriedade particular é uma forma elementar da objectivação, a felicidade humana inclui ser-se proprietário de coisas, passa pelas coisas, coisifica-se, a fim de satisfazer — de uma maneira humana e livre — a sua vitalidade.

“Que eu tenha algo em meu poder exterior, é isso que constitui a posse, e o aspecto particular que faz com que eu me aproprie de algo, sob o impulso das minhas necessidades naturais ou das minhas tendências e do meu livre-arbítrio, é o interesse particular da posse” [Hegel, “Princípios da Filosofia do Direito”, § 45, Guimarães Editores, 1986].

A subjectividade do interesse particular da pessoa assenta sobre uma relação negativa a outrem — quando a coisa pertence a alguém, não pertence a outrem: no gozo da minha propriedade, apenas me relaciono com ela. A pessoa descobre que não se pode subjectivar — a menos que descubra que o mundo de que quer apropriar-se é o mundo dos sujeitos identificados como sujeitos activos (é isto que a elite socialista pretende).

O agir humano não coloca em jogo as coisas, antes impõe relações inter-subjectivas entre sujeitos morais, a fim de que se ponha a questão da realização da sua felicidade sob a regra do universal. Os interesses são inter-subjectivos [continuo a resumir Hegel].

Naturalmente que Hegel também se referiu ao conceito de Notrecht mas apenas para se acautelar de situações extremas — o que não é o caso referido pela Peralta quando esta defende o fim (por via da força bruta do Estado) das heranças e doações vulgares e corriqueiras.


Naturalmente que, os “elitistas” do costume, virão dizer que a Peralta “apenas pretende a tributação das heranças, e não acabar com as heranças” — é como aquele meliante que diz à rapariga que “apenas pretendo meter a cabecinha”. O princípio defendido pela peralvilha é populista e marxista.


Referindo-se a gentalha da estirpe da Peralta, David Hume chamou à atenção para o perigo particular que espreita, em política, os “fantasmas da igualdade” que substituem os fundamentos do real, pelo ideal: os “fantasmas da igualdade” não podem ser hipostasiados (materializados) sem “a mais rigorosa Inquisição” social, “mais temível e terrível do que o presente estado de desigualdade” [David Hume previu não só a estupidez da Peralta, como a actual cultura de cancelamento Woke].

No seu “Tratado da Natureza Humana” [Tomo III, 112], David Hume escreve que “a propriedade privada é uma espécie de relação entre a pessoa e o objecto” na qual “a imaginação passa natural- e facilmente da consideração de um campo à da pessoa à qual pertence”, e identifica esta relação como “uma espécie de causalidade” que “dá à pessoa a capacidade de produzir alterações sobre o objecto a fim de melhorar ou modificar a sua condição”.

Ora, esta “capacidade de produzir alterações sobre o objecto a fim de melhorar ou modificar a sua condição é o fundamento da liberdade da transmissão de propriedade mediante as heranças — porque é gerada no sentimento exclusivamente humano de esperança da continuidade civilizacional através das gerações vindouras.

6 MILAGRES DO SOCIALISMO WEB

As inconsistências tipicamente americanas

A companhia americana de tabaco Philip Morris continua a operar na Rússia — apesar das sanções impostas pelo Congresso americano.

Só em 2022, a Philip Morris pagou ao Estado russo cerca de 5 mil milhões de US Dollars em impostos e, em Março passado, recebeu de Putin o prémio de “Verdadeiro Amigo da Rússia”.

Se fosse o caso da empresa portuguesa Corticeira Amorim vender meia dúzia de rolhas à Rússia, o governo americano enviava imediatamente a CIA. Mas sendo a Philip Morris a furar o bloqueio comercial imposto pelo próprio governo dos Estados Unidos, nada acontece.

São estas inconsistências americanas que aborrecem. Aliás, já vêm de longe: Rockefeller financiou o governo de Estaline, e a empresa de Henry Ford apoiou o movimento político eugenista que influenciou o holocausto nazi, apoiou o isolacionismo americano na I Guerra Mundial, e financiou directamente a Alemanha de Hitler. Tudo isto está documentado.

Phillip Morris