O partido CHEGA não é de “extrema-direita”

Eu estive hoje a ler (na diagonal) o programa do CHEGA, e não me parece que esse partido seja de “extrema-direita” — sem dúvida que é um partido de Direita que defende a liberdade, embora sem ser “libertário” como é o caso do partido IL (Iniciativa Liberal): é esta a principal diferença (mas não é a única) entre o CHEGA e o IL (Iniciativa Liberal).

O problema é o de que o rótulo de “extrema-direita” é hoje discricionário e irracionalmente utilizado — a começar pela irracionalidade dos “jornalistas” que está hoje na moda.

Ademais, o CHEGA é um partido declaradamente republicano, o que me leva a ter alguma dificuldade em votar nesse partido: o CHEGA poderia deixar ficar a questão da “república” em aberto (ou passar por cima do assunto “em voo de águia”), mas optou por se declarar marcadamente um partido republicano (a não ser que a “IV república” possa vir a ser uma monarquia).

Em muitas coisas estou de acordo com o CHEGA — por exemplo, a instituição de uma taxa única de IRS, como existe (por exemplo) na Irlanda ou na Hungria (ver no Google: “curva de Laffer”); e estou de acordo com a eliminação do imposto sucessório (é um abuso do Estado).

Já não concordo com a proposta do partido CHEGA em aprovar uma espécie de “lei do morgadio”, através da qual um pai poderia deserdar discricionariamente um filho ou filhos.

A minha discordância tem menos a ver com o conceito positivista e moderno de “igualdade”, do que com o Direito Natural (Jusnaturalismo, e a consideração dos princípios metajurídicos do Direito Positivo): quem traz os seus próprios filhos ao mundo não deve tratar como “filhos” uns, e como “enteados” outros. Ademais, a lei actual já permite, de certo modo comedido e excepcional, dar uma fatia maior da herança a um determinado filho ou filhos, embora sem deserdar totalmente os outros. Aliás, o próprio programa do CHEGA afirma o seguinte: “Todos os homens deverão ser iguais em Dignidade”; ora, não vejo como um pai que deserda os seus filhos os trate com semelhante dignidade natural e existencial.

O partido CHEGA é a favor da participação de Portugal na União Europeia — mais uma razão para não o classificar de “extrema-direita”; um partido de extrema-direita (por exemplo, o de Marine Le Pen, em França) é um partido soberanista e avesso a qualquer tipo de construção de um leviatão europeu.

O André Ventura, como advogado que é, tentou contornar o problema da participação de Portugal na União Europeia com a distinção (artificial) entre os conceitos de “Euro-integração”, por um lado, e “Euro-diluição”, por outro lado. Trata-se de uma distinção engenhosa entre conceitos indistintos. Naturalmente que esses dois conceitos são deixados (pelo CHEGA) sem as respectivas definições (como convém).

O “princípio do interesse geral”, segundo o CHEGA, parece-me rosseauniano (soa a “Vontade Geral” de Rousseau); neste caso, o “interesse geral” parece-me discricionário porque depende do critério (aleatório) das elites, muitas vezes no exercício da política em modo de “acto gratuito”. É preciso ter cuidado com o conceito de “interesse geral”, que só pode ser realmente legítimo em uma democracia participativa  (por exemplo, a Suíça).

Não concordo com a total privatização da TAP (Transportes Aéreos “da Portela”), por exemplo, proposta pelo André Ventura. A privatização dos transportes urbanos pode rapidamente conduzir a uma “africanização” dos transportes públicos (terceiro-mundo) em Portugal — nem na Suíça super-capitalista os transportes urbanos são privados! Não concordo com o CHEGA! Por exemplo, em Inglaterra, a rede de privatizada de ferrovia nacional (falo por experiência própria) coloca o serviço de ferrovia intercidades muito abaixo da qualidade portuguesa (que já é baixa).

Com excepção das considerações supracitadas, estou genericamente de acordo com o CHEGA.

O partido CHEGA é considerado de “extrema-direita” pela Esquerda (Esquerda que inclui o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas) porque defende a primazia da protecção do Estado em relação ao direito (natural) à vida, à família natural (e à protecção do casamento enquanto instituição que se caracteriza pela aliança entre a mulher e o homem — aliança entre os dois sexos — com a sucessão das gerações).

Qualquer indivíduo ou grupo de pessoas que critique, por exemplo, o aborto pago pelo Estado (com o dinheiro de todos nós) é hoje considerado de “extrema-direita”.

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12 de Outubro, dia mundial dos cuidados paliativos

No que diz respeito aos cuidados paliativos, Portugal (e o seu Serviço Nacional de Saúde) está ao nível da Albânia, Bielorrússia, Bósnia, Costa do Marfim, Nepal, Suazilândia, Turquia, entre outros (grupo 3b).

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Por isso é que a Esquerda utilitarista (Bloco de Esquerda, Partido Socialista, e o PSD de Rui Rio) pretende legalizar a eutanásia: não é uma questão de “direitos do condenado-à-morte” (isso é “cumbersa” fiada de demagogos profissionais), mas antes é uma questão de poupança de dinheiro do Estado.

No grupo 4a (imediatamente acima de Portugal) estão, por exemplo, a Espanha, a Costa Rica, o Quénia, a Malásia, a Mongólia, a África do Sul, o Chile, Israel, Hungria, a Dinamarca, a Finlândia, Holanda, etc.

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No grupo 4a (mais acima ainda) está a maioria dos países da União Europeia, os Estados Unidos, Austrália e o Canadá.

Abaixo de Portugal estão países (por exemplo) Angola, Brasil, Moçambique (no grupo 3a), para além dos países do grupo 1 e 2.

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A Turquia é um Estado terrorista, e como tal deve ser tratado

A posição “acagaçada” da União Europeia, em relação à política externa da Turquia, dá razão à posição de Donald Trump de pretender retirar as tropas americanas da Síria.

Ou seja, os políticos europeus detractores da decisão de Donald Trump de abandonar os curdos na Síria, perdem a razão quando se acobardam perante o Estado terrorista que é a Turquia.

Rousseau passou a vida a plagiar conceitos

Vemos aqui um texto que nos demonstra como o Jean-Jacques Rousseau foi o precursor da Teoria Crítica — a arte retórica niilista de colocar em dúvida a própria dúvida: e é só nisto que Rousseau é original, porque a crítica que Rousseau faz aos filósofos é literalmente copiada de Pascal [por exemplo, quando Blaise Pascal afirma que a filosofia conhece “280 bens supremos” de modo que cada filósofo teria a sua própria moral].

Ainda no referido texto, Rousseau [a negação romântica da ciência, como acontece hoje, por exemplo, com o Bloco de Esquerda e com uma certa parte do Partido Socialista] refere-se à dúvida sistemática de Descartes, criticando-a:

“Estava naquele estado de espírito de incerteza e de dúvida que Descartes exige para a procura da verdade. Este estado não é feito para durar, é inquietante e penoso; deixa-nos apenas o interesse do vício e a preguiça na alma. Não tinha o coração tão corrompido para aí me comprazer; e nada preserva melhor o hábito de reflectir que estar mais satisfeito consigo do que com o seu destino”.

Mas assim como Rousseau copiou Pascal, assim Descartes copiou Santo Agostinho que antecipou, no século IV, a famosa ideia de Descartes do século XVII: “cogito, ergo sum”:

“¿Quem quereria duvidar de que vive, se lembra, compreende, pensa, sabe ou julga? É que, mesmo quando se duvida, compreende-se que se duvida… portanto, se alguém duvida de tudo o resto, não deve ser dúvidas acerca disto. Se não existisse o Eu, não poderia duvidar absolutamente de nada. Por conseguinte, a dúvida prova por si própria a verdade: eu existo se duvido. Porque a dúvida só é possível se eu existo”.

→ “Cidade de Deus” (Santo Agostinho)

A professora Helena Serrão chapou o referido texto de Rousseau sem quaisquer comentários (“quem cala, consente”, diz o povo) — um texto da respigado da obra de Rousseau “L’Émile ou de l’éducation”, obra essa que fez [talvez] com que Rousseau enviasse os seus cinco filhos para um orfanato para não ter a preocupação e a trabalheira de os educar.


“Quando vemos ambos que aquilo que dizes é verdadeiro — ¿onde é que o vemos?, pergunto-te. Decerto não é em ti que o vejo, não é em mim que o vês. Vemo-lo ambos na imutável Verdade, que se encontra acima das nossas inteligências.”

→ Santo Agostinho, Confissões, XII, XXIV, 35

A mentira sistémica do Diário de Notícias

Dois colaboradores do advogado pessoal do presidente dos EUA foram detidos. Estão a ser acusados de violarem as regras de financiamento da campanha eleitoral. Lev Parnas e Igor Fruman terão ajudado Rudy Giuliani a pressionar a Ucrânia para investigar Joe Biden.”

Detidos dois colaboradores do advogado de Trump - DN -web

Vemos aqui a notícia verdadeira na Fox News News: os dois homens detidos são empresários (“homens de negócios”), e não trabalham para o advogado de Donald Trump; ou seja, não são “colaboradores” do advogado de Donald Trump. (ver aqui a notícia do pasquim em PDF).

Reparem bem como a “notícia” do Diário de Notícias (seguindo o paradigma da CNN) foi construída de tal modo que 1/ não só branqueia os crimes de corrupção do vice-presidente de Obama, Joe Biden, mas sobretudo 2/ utiliza a acusação de alegado crime de doação excessiva de dinheiro para a campanha de Donald Trump para induzir no leitor a ideia segundo a qual a investigação dos crimes de corrupção do esquerdista Joe Biden, em si mesma, é um crime.

O José Pacheco Pereira é parecido com o Rui Tavares (e a Isabel Moreira é igual)

“Artigo do democrata de extrema-esquerda, Rui Tavares, no Público de hoje:

O Chega de André Ventura é de extrema-direita, fascista. Arreda, Chega pra lá!

Este democrata de extrema esquerda marxista concebe a democracia se todos os partidos forem de esquerda e no máximo tolera uma direita que eles definem como tal mas que não se distingue da esquerda”.

Livre: arreda, Chega pra lá…

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