O romantismo que os me®dia apregoam e propagandeiam

Eu tenho um sério enviesamento lógico, na minha forma de pensar; talvez por isso, textos como este são-me de difícil assimilação.

Por exemplo, não me parece que seja plausível colocar, em um mesmo plano de avaliação crítica, um texto de Camilo Castelo Branco (um romântico, tal como Rousseau antes dele) e outro do Padre António Vieira (um clássico, na forma de pensar).

“O clássico é a saúde; o romantismo é a doença” (Goethe)

O romantismo continua a ser o combustível ontológico que alimenta a actual Esquerda (e o politicamente correcto) — pelo menos no que diz respeito à ideologia.

agir-webA actual cultura de auto-vitimização (politicamente correcta e de Esquerda) e o narcisismo exacerbado, são próprios do romantismo da segunda metade do século XVIII, e inclui (tal como aconteceu no século XVIII) uma revolta contra os padrões éticos e estéticos em vigor na sociedade.

Assim escreveu Bertrand Russell: “O homem de sensibilidade [ou seja, o romântico do século XVIII) choraria ao ver a miséria de uma só família camponesa, mas ficaria frio diante de um plano bem gizado para melhorar a sorte do camponês, inserido na sua própria classe” [História da Civilização Ocidental].

O homem culto da segunda metade do século XVIII tinha “uma tendência para a emoção, em especial a da simpatia” (idem). Ora, é este tipo de “homem de sensibilidade” (o “homem culto” actual) que controla a ideologia dominante da Esquerda actual (o politicamente correcto ou marxismo cultural, e a “cancel culture”).

O romântico é sempre do contra (em tudo: na ética, na estética, na cultura, na política, etc.), independentemente das consequências; é do contra, porque sim!.

Para o romântico do século XVIII (Rousseau et Al) e para os românticos actuais (por exemplo, as ideologias do Bloco de Esquerda ou Partido Socialista), o erro humano não advém da psicologia humana (o erro não se deve a culpa própria), mas antes advém dos padrões de valores dominantes na cultura e na sociedade (a culpa é da sociedade).

Por isso é que a Esquerda “progressista” (marxismo cultural), nos Estados Unidos, diz que “a matemática é racista”: alegadamente, os negros têm mais dificuldade na matemática (quando comparados com os asiáticos, por exemplo), por culpa dos padrões de valores sociais (a culpa é sempre da sociedade).

Para o romântico, a culpa do mal é sempre dos outros. A genealogia do mal assenta na própria sociedade, da qual o romântico (de uma forma assumidamente superior) se auto-exclui.

A oposição ao capitalismo — tanto no século XVIII na guerra contra a burguesia, como no século XXI na guerra contra os judeus — é uma característica do romantismo. E, na medida em que (alegadamente) o romantismo pretende libertar o ser humano de convenções e da moralidade sociais, não se deu conta de que as soluções e alternativas que apresenta para a sociedade roçam a barbárie.

A Esquerda (incluindo o actual Partido Comunista) é utilitarista

“Se não se crê em Deus, o mais honesto é o Utilitarismo vulgar; e o resto é retórica.”

Nicolás Gómez Dávila


Alguns professores de filosofia (por exemplo, o Rolando Almeida) têm vindo a injectar nos nossos adolescentes a ideia da primazia do Utilitarismo, enquanto ética societária (ou seja, como moral adoptada pela sociedade).


O Utilitarismo é uma doutrina elaborada por Bentham, retomada e aprofundada por John Stuart Mill, segundo a qual a utilidade é o principal critério da actividade (da acção) do ponto de vista da ética e da moral.

Segundo o Utilitarismo, o objectivo da sociedade deve ser “o maior bem-estar do maior número”, ou seja, a soma dos prazeres de cada indivíduo.

O Utilitarismo faz da “utilidade” o único critério da moralidade: alegadamente, uma acção só é boa na medida em que contribui para o bem-estar do “maior número” de indivíduos; e quem não pertence ao “maior número”, está f*d*do!; ou então que se f*da!

O Utilitarismo diferencia-se do Pragmatismo apenas porque este não aceita a identificação do “útil”, por um lado, com o “verdadeiro”, por outro lado.


Porém, a doutrina utilitarista encontra-se condicionada por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si (no Bloco de Esquerda, por exemplo, esta contradição é gritante):

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista [Bloco de Esquerda, IL (Iniciativa Liberal];
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou felicidade do “maior número” [Bloco de Esquerda, Partido Comunista, IL (Iniciativa Liberal), Partido Social-democrata, Partido Socialista].

Ou seja: o utilitarismo (principalmente o bloquista, mas não só) mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo (a frase: “o corpo é meu!”, por exemplo, no que se refere ao putativo “direito” a matar nascituros) e uma apologia do altruísmo (“Venham daí os imigrantes de todo o mundo para a Europa!”), e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Por enquanto, o CDS (sem  o Adolfo Mesquita Nunes) e o CHEGA são os dois partidos políticos que escapam ao Utilitarismo.


utilitarismo-webO Utilitarismo, aplicado à ética societária, é sinónimo directo e objectivo de degradação do nível médio de inteligência em circulação.

Só assim se explica, por exemplo, como gente com défice cognitivo — como é o caso vertente de Richard Dawkins — defenda a ideia segundo a qual os nascituros com Síndroma de Dawn devem ser abortados; e o “argumento” utilitarista (de Richard Dawkins, de Peter Singer ou do Rolando Almeida) é o seguinte: “se permitirmos que os nascituros com Síndroma de Dawn nasçam, o sofrimento existente no mundo não baixará de grau.”

Ou seja, segundo os utilitaristas, “eliminar o sofrimento” significa (literalmente) “eliminar o sofredor”.

E a justificação moral para o assassínio é feita ao abrigo da proposição normativa que afirma que «os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”».

Os utilitaristas são de opinião de que os seres humanos com Síndroma de Dawn não têm direito à vida. Eles justificam essa opinião com a situação real das crianças com Trissomia ― dizem eles que “é uma vida que não vale a pena”. Por outro lado, os utilitaristas dizem que é útil para a sociedade não ter encargos com pessoas com síndroma de Dawn.

Num primeiro momento, os utilitaristas incorrem em um “sofisma naturalista”, visto que não se pode tirar conclusões morais (a partir de) de um facto; e num segundo momento eles pressupõem um consenso acerca do valor e custos convenientes de uma vida humana ― consenso esse que não existe.

O utilitarista é intrinsecamente um atrasado mental, a quem permitimos que nascesse porque não somos utilitaristas.

O baixo QI da jornaleira feminista Daniela Santiago

A grande dificuldade de neutralizar (Reductio ad Absurdum) as ideias de Esquerda é a de que nos deparamos sistemicamente com uma logomaquia — é o que se passa com a amostra publicada aqui acerca do novo livro da jornaleira Daniela Santiago.

O que me separa, inapelável- e profundamente, da gente de Esquerda é o facto de eu defender a ideia de que o Estado deve intervir o menos possível na vida privada das pessoas. Ora, a Daniela Santiago (como todas as feministas) defende exactamente o contrário: quanto mais Estado na vida privada, melhor.

Só assim de compreende por que razão as feministas (em geral) apoiam a imigração islâmica em massa — porque partem do princípio de que o Estado (cada vez mais poderoso e intrusivo) poderá criar as regras que “meterão a cultura islâmica machista na ordem”; elas (as feministas) são (em geral) profundamente contraditórias e revelam um baixo Coeficiente de Inteligência.

A grande contradição dos “liberais” (ou “os idiotas úteis de Esquerda”) é esta: pretendem defender uma maior liberdade individual através do reforço do Poder do Estado. Maior estupidez, é difícil !

No referido artigo, a referida jornaleira refere-se às mortes de mulheres em Portugal desde 2004, e infere que a culpa dessas mortes é do CHEGA — ou seja, o CHEGA paga as culpas retroactivamente.

Com jeitinho, a jornaleira chegará à conclusão de que o CHEGA é culpado pela morte de Jesus Cristo.

Porém, se olharmos para o mapa abaixo, verificamos que os dados estatísticos nos revelam que países como a Espanha e Portugal são os países mais seguros para as mulheres, em todo o mundo (sublinho: em todo o mundo!).

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Por coincidência (¿será?), Portugal e Espanha são os países com a mais baixa taxa de fertilidade (natalidade) em todo o mundo. Parece que quanto mais direitos a mulher tem, mais necessária é a imigração islâmica que nega culturalmente esses mesmos direitos às mulheres — e as feministas, estúpidas, aplaudem.

É (actualmente) mais perigoso ser mulher em Londres ou em Oslo, por exemplo, do que em Lisboa.

Temos aqui, em baixo, um gráfico das mortes por violência doméstica em vários países da Europa e por 100 mil habitantes (em 2017), e Portugal nem aparece na estatística, por irrelevância. Espanha tem 0,12 mortes por 100 mil habitantes. No entanto, quem ouvir a jornaleira Santiago, parece que Portugal é o inferno da mulher.

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A jornaleira Santiago defende as “quotas de género”, independentemente do mérito individual.

Ou seja, ela defende a ideia segundo a qual “a igualdade de oportunidades dos indivíduos deve ser garantida por um Estado todo-poderoso que exigirá, finalmente, a igualdade de rendimentos independentemente do mérito” o “liberalismo” descambou no seu contrário. E ainda, por cima, a estúpida escreve um livro sobre o assunto.

A chamada “lei da paridade”, que a referida jornaleira defende, é um regresso ao comunismo por outros meios e vias — é a negação do mérito através das “quotas de género” neo-leninistas, é a garantia administrativa (por um Estado leviatão) de rendimentos independentemente do mérito, é a contribuição fatal para o descalabro das economias da Europa.

Finalmente, a jornaleira com baixo Coeficiente de Inteligência entra pela vulgaridade do insulto indefinido: berra ela: “sexistas!, transfóbicos!, homofóbicos!, racistas!,” etc..

O “insulto indefinido” é aquele que pode ser utilizado subjectivamente em qualquer circunstância, independentemente do contexto, e a bel-prazer da Esquerda. É uma espécie de estigma irracional, como a que existiu na Idade Média na caça às bruxas.

A situação de guerra civil iminente em que a Esquerda e os “liberais” colocaram a França

macron-uniao-europeia-islamismoSer “liberal” é hoje exactamente o oposto do defendido pelo  liberalismo clássico; e a mudança de paradigmas, do liberalismo para o “progressismo” actual, começou exactamente com o “liberal”  John Stuart Mill.

Hoje, ser liberal, é defender o reforço do poder do Estado sobre os cidadãos — o que está nos antípodas ideológicos do defendido, por exemplo, por John Locke.

“O mundo burguês — os actuais liberais — trata de modo diferente os seus principais inimigos: vomita para cima dos da Direita tradicionalista, e absorve e recupera os da Esquerda”.

Nicolás Gómez Dávila 

A situação actual de potencial desintegração da unidade territorial de França, causada pela massiva imigração islâmica incentivada pela Esquerda e pelos “liberais”, levou a que 20 generais franceses (e 80 outros oficiais das Forças Armadas de França) escrevessem uma carta aberta ao povo francês, alertando para a eventual falência do Estado de Direito democrático se nada for feito pela governança francesa.

Os “liberais” andam a brincar com o fogo; e a fazer o jogo político da Esquerda marxista.

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A Esquerda celebra o seu mártir comunista “padre” Max, mas esquece o assassinato do filho da Antónia

A Esquerda esquece-se de Antónia, a quem mataram o filho, na manhã de 12 de Março de 1975, em frente ao RALIS, em Lisboa. Já ninguém se lembra dela e do seu filho, assassinado pela Esquerda.

“Vivemos num país, Antónia, em que em vez de te protegerem, te metem na prisão. Vivemos num país, Antónia, Antónia, em que em vez de julgarem os assassinos do teu filho, te metem na prisão. Vivemos num país, Antónia, Antónia, em que, ao fim do terceiro ano do crime sem perdão, tivemos de ser nós, as tuas amigas, que fomos pôr flores na campa do teu filho, porque até isso te é vedado.”

Vera Lagoa, “A Cambada”, 1978, página 145

A comissária europeia MijaTeVi, a defesa da degradação da cidadania, e a aliança entre o Francisco Louçã e o Pinto Balsemão

No seu livro “¿Por que falhou o liberalismo?” , o professor da universidade de Notre Dame, Patrick J. Deneen, tem um capítulo com o título “Degradação da cidadania”, em que ele descreve o processo — percorrido por aquilo a que se convencionou chamar de “liberalismo” — de retirada paulatina do poder político do cidadão e a concentração desse poder no Estado.

Naturalmente que Patrick J. Deneen faz a distinção entre “liberais clássicos”, por um lado, e “liberais progressistas”, por outro lado, mas também reconhece que essa distinção já não existe actualmente.

Um dos aspectos da “degradação da cidadania” é a sistemática transferência da autoridade moral do Estado nacional (por exemplo, o Estado português, ou Estado do Texas) para o super-estado do leviatão (por exemplo, a União Europeia, ou Washington).

A União Europeia começou com a política do “princípio da subsidiariedade”, para depois passar a impôr aos Estados as suas políticas internas.

A grande missão da União Europeia é a degradação das cidadanias nacionais da Europa.


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A comissária MijaTeVi vomitou (literalmente) a cartilha ideológica do Bloco de Esquerda; trata-se de um discurso encomendado pela extrema-esquerda (trotskista internacionalista) que, em aliança com os “liberais” globalistas (para que se entenda melhor: é, metaforicamente, a aliança entre o Francisco Louçã e o Pinto Balsemão), controlam a União Europeia — numa altura em que a própria comunidade cigana vem reconhecer que o CHEGA tem razão: não se trata de racismo, mas antes de crítica a determinados comportamentos de grupo.

Este Leviatão, que é a União Europeia vendida aos ilogismos do “liberalismo” anti-nacional, tem que ser combatido com todos os meios possíveis.

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza) é a favor do aborto de nascituros humanos e da eutanásia dos velhos

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza), que é um partido que é a favor do aborto livre de nascituros humanos, e da legalização da eutanásia dos velhos — pretende agora que se instalem câmeras de vigilância nos matadouros, alegadamente porque dizem eles que existem maus tratos aos animais.

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Sinceramente: não há cu que os aguente! A minha crença na democracia vai de mal a pior.


O sufrágio popular é hoje menos absurdo do foi que no dealbar da modernidade — não porque as maiorias sejam mais cultas, mas antes porque as minorias (as elites) são muito menos cultas.

A democracia é o regime político onde o cidadão confia os interesses públicos a quem não confiaria jamais os seus interesses privados.

As matanças de seres humanos — o aborto, a eutanásia, as guerras modernas de morticínios massivos — pertencem à lógica do sistema democrático; ao passo que as antigas matanças (as guerras da pré-modernidade) pertenciam ao ilogismo do Homem.

A minha crença na bondade da democracia tem vindo a extinguir-se, perante as doutrinas democráticas que, em primeiro lugar, inventam os males que denunciam, para depois justificar o bem que proclamam.

Cada vez mais me convenço que as instituições democráticas são tentativas de institucionalizar o que não é passível de ser institucionalizado.

A diferença entre o multiculturalismo, por um lado, e o interculturalismo, por outro lado

As ideias de Karl Popper têm sido (em geral) adulteradas e manipuladas, não só (malevolamente) pela Esquerda declaradamente marxista, mas também idiota- e principalmente pelos chamados “liberais”.

Por exemplo: quando Karl Popper defendeu positivamente a convivência entre culturas diferenciadas — por exemplo, a convivência entre as diferentes culturas que se cruzaram no império austro-húngaro — que se reflectiam na cultura vivaz da cidade de Viena do princípio do século XX, Karl Popper não quis defender o multiculturalismo (como é, assim, alegado pelos ditos “liberais”); e isto porque a convivência entre culturas diferentes do império austro-húngaro foi sinónimo de uma claríssima superioridade social da cultura e língua de origem alemã — de tal forma que, ainda hoje, a língua alemã é correntemente falada na Hungria.

Ou seja:

  • no império austro-húngaro, “todas as culturas eram iguais”, embora uma delas (a cultura austríaca de origem alemã) fosse “menos igual do que todas as outras”; a predominância cultural, social e civilizacional da cultura de língua alemã era por demais evidente no império austro-húngaro;
  • o multiculturalismo é o igualitarismo cultural, ou seja, a defesa do acantonamento e do isolacionismo das diversas culturas presentes em um determinado espaço político. O multiculturalismo é a antítese do fenómeno social de convivência intercultural que se verificou no império austro-húngaro.

O que se verificou no império austro-húngaro foi um interculturalismo, e não um multiculturalismo.

No interculturalismo, está sempre subjacente uma hierarquia de valores que se reflecte na predominância (comummente aceite pelos intervenientes de todas as culturas em presença) de uma certa cultura em relação às outras, com as quais convive livremente.

No multiculturalismo, as diversas culturas em presença em um mesmo espaço político, acantonam-se e isolam-se, em nome de uma putativa “igualdade” entre elas. Ora, isto (o multiculturalismo) é exactamente o oposto do que defendeu Karl Popper.


karl popperO conceito de “etnocentrismo” — de que nos fala aqui a professora Helena Serrão, citando um relativista ideológico de seu nome Augusto Mesquitela Lima — aplica-se perfeitamente a uma sociedade multiculturalista, embora no sentido negativo (porque existe um etnocentrismo positivo, que é o que promove activamente a coesão do Todo social em uma sociedade étnica- e culturalmente homogénea).

Em uma sociedade dita “multiculturalista” (que não é a mesma coisa que “sociedade multicultural” ou “interculturalista”), existe um etnocentrismo negativo acantonado em cada uma das culturas antropológicas existentes e igualitariamente consideradas em um mesmo espaço político (por exemplo naquilo a que o presidente francês Emmanuel Macron, mas também e agora a Marine Le Pen, chamam de “separatismo islâmico” em França) .

Em suma, existe uma contradição fundamental no texto do tal Augusto Mesquitela Lima citado pela professora Helena Serrão, que consiste em afirmar, por um lado, uma crítica ao etnocentrismo, e, por outro lado, a defesa do relativismo igualitarista inerente ao multiculturalismo — porque uma das características do multiculturalismo é precisamente o exacerbar do etnocentrismo enquanto recusa de incorporação de uma das culturas no Todo social e político.

Numa sociedade interculturalista (por exemplo, a do império austro-húngaro), não existe o relativismo cultural defendido pelo Mesquitela, na medida em que existe uma hierarquia nas culturas em presença. E o multiculturalismo é a recusa dessa hierarquia entre culturas.

A posição ideológica do Mesquitela reflecte a ideia grega dos sofistas, segundo a qual “o homem é a medida de todas as coisas”; mas, ainda assim, o Mesquitela entra em contradição fatal (passo a citar um trecho do referido texto):

“A posição relativista (cultural) não significa, de forma alguma, que todos os sistemas de valores, todos os conceitos de bem e de mal, assentem sobre areias tão movediças que não haja necessidade de uma moral, de formas de comportamento estabelecidas e aceites, de códigos éticos.

Aliás, o relativismo cultural é uma filosofia que aceita os valores estabelecidos em qualquer sociedade, acentuando a dignidade inerente a qualquer desses sistemas de valores e a necessidade de tolerância em relação a eles, embora possam diferir dos que adoptamos e pelos quais nos conduzimos. Reconhece ainda a necessidade de conformidade com normas estabelecidas, como condição necessária para a normalidade da vida em sociedade.”

Segundo o Mesquitela, por um lado existe a necessidade da existência de uma ética (que, por definição, tem que ser universal e é imposta a toda a sociedade por uma determinada cultura antropológica); mas, por outro lado, o Mesquitela defende que todas as culturas presentes na sociedade (por mais dispares que sejam, entre si) produzem éticas equivalentes e igualmente dignas de respeito. Isto é digno de um idiota.

Exemplos de “válvulas do regime” e comissários políticos: José Pacheco Pereira e Joana Amaral Dias

Por definição, uma válvula é um dispositivo que permite a descarga de um recipiente, quando a pressão do seu conteúdo ultrapassa um determinado valor.


Em política, e por analogia (como é óbvio), existem agentes que exercem a função de “válvulas de escape”, no sentido da salvaguarda do regime político vigente.

Exemplos de “válvulas do regime”: Joana Amaral Dias, José Pacheco Pereira, Daniel Oliveira, ou Fernanda Câncio. São simultaneamente “válvulas de escape” do actual regime radical de Esquerda, e comissários políticos da actual ditadura de veludo da geringonça.

Determinados “liberais” — por exemplo, Maria João Marques, ou Pedro Marques Lopes, ou os “insurgentes” em geral — não se enquadram na definição de “válvulas do regime”, pela simples razão de não poderem ser classificados de “comissários políticos” do Totalitarismo de Veludo. Estes ditos “liberais” são apenas os idiotas inúteis do sistema político em vigor.

Dois exemplos: quando se tornou evidente que o governo do monhé meteu a pata na poça na gestão da crise do COVID-19, a Joana Amaral Dias desempenha a função de “válvula de escape” do regime; e quando o governo do Costa pretende instalar câmeras de vigilância nas vias públicas, o José Pacheco Pereira vem a terreiro exercer a função de regulador das pulsões totalitárias e da tensão interna do regime.

De resto, o Daniel Oliveira exerce a função de “válvula de escape” do regime de uma forma sistemática: e o mesmo se pode dizer de Fernanda Câncio, que para além de “válvula de escape” também desempenha o papel de “vulva de escape”.

O António Guterres dá o cu e dois tostões para ser reeleito na ONU

A actual narrativa da Esquerda — que controla a esmagadora maioria das instituições — é a de que qualquer pessoa que esteja em dissonância em relação ao discurso oficial esquerdista, é “neo-nazi” e “supremacista branco”.

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Se eu discordo do Guterres, seguramente que sou “neo-nazi”.


E mais: qualquer pessoa que defenda (por exemplo) a ligação estreita e necessária entre o Estado-Nação, por um lado, e a democracia representativa, por outro lado — é imediatamente classificada pela Esquerda (incluindo o Guterres) de “neo-nazi”, enquanto consequência lógica da aliança entre o globalismo (promovido pela plutocracia de Bilderberg), por um lado, e o internacionalismo neomarxista, por outro lado (a aliança tácita entre Pinto Balsemão e Francisco Louçã).

A guerra promovida pelas elites contra o Estado-Nação (apenas no Ocidente, mas já não na China, por exemplo), é avassaladora; e parece imparável, invencível (como os dinossauros desaparecidos).

Chegamos ao absurdo de verificarmos que os chamados “liberais” defendem hoje o fim da democracia (aliás, na esteira do que defendem o António Guterres e os neomarxistas: Les bons esprits se rencontrent…), como acontece com conhecido “liberal” belga Guy Verhofstadt que defende a abolição das democracias nacionais na Europa, e a instauração, em seu lugar, de um “império europeu”.

E quem se opõe a Guy Verhofstadt é certamente neo-nazi e supremacista branco. É o meu caso.

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