A igualdade vs. igualitarismo

Antes de mais, temos que saber o que significa “igualdade”. Vamos colocar a seguinte definição comummente aceite:

“Igualdade é o princípio segundo o qual, os indivíduos no seio de uma comunidade política, devem ser tratados da mesma maneira”.

Esta definição é vaga — porque uma sociedade pode admitir pelo menos dois tipos de igualdade.

  • A igualdade perante a lei, que se opõe aos privilégios arbitrários: este tipo de igualdade baseia-se, em juízo universal, em uma ideia de igualdade natural (jusnaturalismo) entre os homens — o que não significa que todos os cidadãos tenham o mesmo Poder ou as mesmas características, mas que têm todos uma dignidade igual.
  • A igualdade social (Karl Marx). O pensamento marxista acerca da igualdade orienta-se na direcção de um igualitarismo que procura igualar os meios e as condições de existência.

Ora, é à igualdade social, ou igualitarismo, que se refere este texto.

Acerca deste assunto, ler “A Confusão da Igualdade”.


Mesmo na Idade Média, os privilégios concedidos a um personagem poderiam ser-lhe legalmente retirados a qualquer momento (enquanto houve Cortes, ou seja, até D. Pedro II).

Portanto, a ideia segundo a qual “não havia igualdade na Idade Média” é, no mínimo, equívoca. A diferença é que, hoje, os privilégios (da elite) estão catalogados em lei, ao passo que na Idade Média os privilégios dependiam principalmente dos humores das classes superiores (nobreza e clero).

Um sintoma de que Portugal vive hoje em uma emulação do Absolutismo monárquico é, por exemplo, quando o presidente da república considera legítimo o privilégio de conceder ao seu próprio filho a possibilidade de gastar 4 milhões de Euros do erário público, no Serviço Nacional de Saúde, com duas gémeas estrangeiras que adquiriram a nacionalidade portuguesa num prazo de 14 dias. Ora, este privilégio de Marcelo Rebelo de Sousa não consta no catálogo dos privilégios admitidos por lei: trata-se de uma espécie de privilégio de monarca absolutista.

Se o Luís André for eleito, entrego o meu cartão de sócio

O Luís André é um submarino da Quinta Coluna do centralismo lisboeiro. O Luís André representa tudo o que vai contra a história recente do FC Porto: votar no Luís André é uma traição ao clube, devido à guerrilha levada a cabo contra tudo o que tornou o clube grande nas últimas quatro décadas.

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O Luís André é um parasita: pretende parasitar o sucesso dos verdadeiros portistas que transformaram o FC Porto num dos mais titulados clubes da Europa.

O Luís André afirmou que estava sentado numa “cadeira de sonho”, quando era treinador do FC Porto; mas logo que um outro clube qualquer lhe acenou com dinheiro, deixou a cadeira de sonho e vazou. O Luís André é um “pesetero”.

Tenho mais respeito pelo Mourinho, que nunca disse que ser treinador do FC Porto era a sua “cadeira de sonho”, do que pelo Luís André e os seus apoiantes que se regozijam com as derrotas do FC Porto.

O Luís André é um homem financeiramente falido, que procura no FC Porto a mina de ouro que o vai safar da bancarrota. Alguns portistas apoiam alguém que pretende chular o clube.

Se o Luís André for eleito, entrego o meu cartão de sócio.

O politicamente correcto é, na sua essência, anti-científico

Outro texto escolhido pela professora Helena Serrão, desta vez colocando sibilinamente em causa a indução (na ciência): trata-se, em boa verdade, de uma crítica à generalização.

Vivemos em uma cultura de crítica feroz à generalização, ou seja, nunca cultura estruturalmente anti-científica, por um lado, e por outro lado, numa cultura marcada por um nominalismo radical, em que as pessoas (geralmente) têm dificuldade em categorizar a realidade; uma cultura em que a noção de “juízo universal” está basicamente ausente, ou é negada.

A crítica à generalização, em favor de um nominalismo radical, não é apenas de hoje: é uma manifestação da “velhice do eterno novo” (Fernando Pessoa). Na velha Grécia, Antístenes (o Cínico) dizia que a realidade é sempre individual e que a generalização é uma ilusão.

Antístenes poderia perfeitamente ser militante do Bloco de Esquerda.

Antístenes terá dito a Platão: “Eu vejo um cavalo, mas não vejo a cavalidade”, ao que Platão respondeu: “Porque não tens olhos para vê-la…”

Quando Antístenes dizia que via “um cavalo mas não via a cavalidade”, estava a negar a noção de juízo universal. Uma das características do politicamente correcto actual é a negação radical do juízo universal. A negação do juízo universal é a negação da generalização e da indução, é a negação da ciência.

O que aconteceu, ao longo da História, foi uma sucessão de herdeiros de Antístenes que deixaram de ver a cavalidade para só enxergarem o cavalo, isto é, eles próprios. O nominalismo é o pai do relativismo.

O politicamente correcto, que nos governa actualmente, é, na sua essência, anti-científico. Pretende estupidificar orgulhosamente os povos.

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

A professora Helena Serrão publica aqui um textículo da autoria de Peter Singer, o intelectual australiano ultra-utilitarista — “intelectual”, digo eu, porque não é filósofo, devido às profundas incoerências de que é ideologicamente portador.

No referido texto, Singer fala da obrigação moral de ajudar a salvar uma criança que se afoga num lago — o mesmo Singer que defende que é eticamente válido que uma mãe tire a vida a um filho recém-nascido (defesa do infanticídio).

Quando nos defrontamos com uma pessoa que defende uma coisa e o seu contrário, a perda de credibilidade impõe-nos que evitemos publicar textos dessa pessoa, para que não colaboremos com a inconsistência ideológica da criatura — como eu demonstrei aqui.

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

A professora Helena Serrão publica aqui um textículo da autoria de Peter Singer, o intelectual australiano ultra-utilitarista — “intelectual”, digo eu, porque não é filósofo, devido às profundas incoerências de que é ideologicamente portador.

No referido texto, Singer fala da obrigação moral de ajudar a salvar uma criança que se afoga num lago — o mesmo Singer que defende que é eticamente válido que uma mãe tire a vida a um filho recém-nascido (defesa do infanticídio).

Quando nos defrontamos com uma pessoa que defende uma coisa e o seu contrário, a perda de credibilidade impõe-nos que evitemos publicar textos dessa pessoa, para que não colaboremos com a inconsistência ideológica da criatura — como eu demonstrei aqui.

O Paradoxo de Abilene

O conceito de Paradoxo de Abilene foi criado pelo gestor de empresas americano Jerry B. Harvey em 1974, para ilustrar a tendência que as pessoas têm de tomar decisões colectivas:

Num dia de muito calor na pequena cidade de Coleman, no Texas, uma família estava entretida a jogar dominó até que o sogro sugeriu que fossem todos jantar à cidade de Abilene, que fica a 80 quilómetros de distância. A esposa disse: ‘Parece-me boa ideia’. O marido, embora tivesse muitas reservas quanto à viagem, por ser longa e num dia muito quente, pensa, para si, que talvez as suas reservas não sejam partilhadas pela maioria, e diz: ‘Por mim está bem. Espero que a vossa mãe queira ir’. A sogra diz: ‘Claro que quero ir! Há muito tempo que não visito Abilene’.

A longa viagem foi realizada com muito calor e pó na estrada. E quando chegaram ao restaurante em Abilene, a comida foi tão má quanto tinha sido a viagem. Chegaram a casa cinco horas depois, totalmente exaustos.

Um deles diz, de forma comprometida: ‘Foi uma viagem óptima, não foi?’. A sogra disse que, em verdade, ela teria preferido ficar em casa, mas que tinha alinhado com a ideia de ir a Abilene porque toda a gente estava entusiasmada. O marido disse: ‘Eu não estava entusiasmado com a ideia de ir a Abilene, apenas fui para vos satisfazer o desejo da viagem’. A esposa disse: ‘Eu fui apenas para vos fazer felizes. Se eu estivesse sozinha, nunca me meteria numa viagem dessas com um calor medonho’.

O grupo fica, assim, perplexo, por os seus membros terem decidido colectivamente fazer uma viagem que ninguém de facto queria fazer.


O Paradoxo de Abilene e a Espiral do Silêncio explicam, em grande parte, por que razão uma pequena minoria de radicais e extremistas, muitas vezes violentos, comanda o destino das sociedades contemporâneas, impondo agendas políticas socialmente destrutivas e culturalmente suicidas (por exemplo, Bloco de Esquerda).

A questão da “proporcionalidade jurídica”

No Verão de 1998, apanhei um ladrão em minha casa em flagrante delito. Acto contínuo, dei-lhe uma coça e imobilizei-o, antes de chamar a polícia.

O meliante teve que receber tratamento no hospital. O ladrão foi solto imediatamente por um juiz barbudo comunista — o mesmo juiz comunista que me condenou a pagar uma indemnização ao ladrão por lhe ter esfacelado a cara, e outra indemnização por ter imobilizado / atado o ladrão. Segundo o juiz comunista, era minha obrigação deixar fugir o ladrão.

O juiz comunista alegou que os meus actos teriam sido ilícitos porque “o roubo é uma mera mudança de propriedade” (sic), e porque “não foram proporcionais” à gravidade dos actos do ladrão.

Do ponto de vista do Direito Positivo, a resposta “proporcional” a um determinado acto depende sempre do valor atribuído (por quem julga) ao acto que provoca a resposta. Se um juiz comunista decidir ou julgar que “roubar não é crime”, qualquer reacção ao roubo passa a ser ética- e criminalmente “desproporcional”.

Obviamente que eu excluo, aqui, do acto de “roubar”, o conceito hegeliano de Notrecht. Não é do roubo para matar a fome de que estamos a falar aqui.

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A ideia segundo a qual “o Direito Positivo é objectivo” (Kelsen) é a das maiores falácias políticas, um autêntico embuste, da modernidade. Basta olhar para a Isabel Moreira e constatar o absurdo da realidade do Direito em Portugal.

Se utilizarmos o mesmo critério de juízo, utilizado pelo referido juiz comunista, podemos achar que é “proporcional” meter uma bala na cabeça desse juiz comunista — uma vez que, segundo os modernos, o Direito Positivo depende apenas da vontade humana.

Se não existem princípios metajurídicos que sejam válidos, é tão justo que o juiz comunista me condene por eu defender a minha propriedade privada, como é justo que eu lhe meta um balázio nos cornos.

Alea jacta est.