Torna-se difícil escrever

Ainda há poucos anos, aparecia, de vez em quando, um anormal; hoje, a anormalidade é a regra.

Ora, nas actuais circunstâncias, em que quase tudo é anormal, é praticamente impossível escrever acerca da anormalidade.

diogo-faro-web

agir-webTodas as épocas exibem os mesmos vícios; mas nem todas mostram as mesmas virtudes: em todos os tempos há tugúrios, mas os palácios estão reservados apenas para algumas épocas.

Vivemos em um tempo de tugúrios morais, onde até os palácios se transformaram em fojos.

Torna-se difícil distinguir o humano, da besta. As próprias instituições tornaram-se paulatinamente irracionais — a começar pela Igreja Católica, por exemplo, quando ouvimos um recém cardeal português afirmar que “a Igreja não pretende converter os jovens”… ou quando ouvimos um primeiro-ministro dizer que “os portugueses nunca viveram tão bem como hoje”, negando assim a realidade imposta pelos factos… hoje, os factos são um instrumento de poética pessoana aplicada à política; para a classe política, em geral, não há factos: apenas há interpretações de factos — e “como vivemos em democracia, cada um interpreta os factos como quiser!”


«Narrar é enganar-se, porque narrar repousa sobre factos; e não há factos, mas apenas impressões. Certos argumentos são bem feitos; é isso que é verdade.

Não há factos, só interpretações de factos. Quem narra factos, só pode ter a certeza de que corre o risco de errar nos casos, no que narrou, e na maneira de o narrar. Quem só interpreta, dispensa um dos riscos. Certos argumentos são bem feitos, porque os factos são apenas os argumentos.»

Fernando Pessoa (“O Sentido do Sidonismo”)


o cardeal de merda webEsta ambiência, de confusão acerca dos factos, foi propositadamente criada pelas elites contemporâneas, porque sabem que o homem vulgar admira mais o que é confuso do que aquilo que é complexo. Estamos em presença de puro trabalho do Demo.

 aquecimento global assintomatico web

Essa é uma das razões por que a classe política vem eliminando a matemática do currículo escolar. O cidadão anódino mistura “confusão” e “complexidade”: as ideias confusas (propaladas pelas elites, como por exemplo o conceito de “CO2 como gás perigoso”) e as águas turvas parecem, ao vulgo humano, ser profundas.

Ora, neste ambiente [cultural, político] irracionalizado torna-se difícil exercer o nosso sentido crítico — porque teríamos que criticar quase tudo e, neste contexto, a crítica deixa de fazer sentido.

A quem pergunte, angustiado: ¿o que te calha escrever hoje? — respondamos, com probidade, que hoje só nos cabe (a nós, todos) uma lucidez impotente. O pensamento que reage à irracionalidade institucionalizada é impotente, embora lúcido: para quem parece ser incapaz de renunciar à análise do absurdo, aquele que renuncia parece-lhe impotente.

Alfred Tarski, linguagem-objecto, a metalinguagem, e o Monhé das Cobras

alfred_tarski_webO leitor assíduo deste blogue poderá ter-se apercebido de que eu utilizo amiúde as “aspas” na linguagem escrita. Há uma razão para isso: a distinção entre linguagem-objecto, por um lado, e metalinguagem, por outro lado.

Por exemplo, a frase “O Monhé é manhoso” está aqui entre aspas porque, neste caso, pertence à linguagem-objecto, ou seja, pertence à linguagem que se fala comummente: “O Monhé é manhoso”, entre aspas, pode ser considerado como um nome, porque o objecto de que se fala é sempre representado por um nome.

Mas o mesmo conceitoMonhé manhoso —, sem estar entre aspas, pertence à metalinguagem, que é a linguagem que utilizamos para falarmos da linguagem-objecto: ou seja, a frase “O Monhé é manhoso” é verdadeira se, e só se o Monhé é manhoso.

A metalinguagem fica mais rica e mais comunicativa se contiver em si mesma a linguagem-objecto.

O racismo no tempo de Salazar

Temos, aqui em baixo, uma fotografia da minha escola primária em Malema, Moçambique. A minha mãe era uma das professoras. Eu estou ali no meio, de chapéu (clique na fotografia, para ampliar).

Como podem ver, eram todos meninos brancos, “rassistas”, “fassistas” e colonialistas.

Alunos da escola de Malema web

O Monhé é um porco

Novo anúncio da Calvin Klein

Eles não odeiam a imodéstia; eles não odeiam a objectificação sexual; eles não odeiam a Esquerda radical.

Eles odeiam a beleza.

novo calvin klein web

Os primeiros capitalistas foram frades católicos

“A usura ou empréstimo a juros é um roubo. Ainda que os bancos acelerem a economia.”

A pobreza pode acabar em Portugal se os bancos forem taxados pesadamente


Os frades franciscanos, apóstolos da pobreza, foram os primeiros teóricos da riqueza. Foram os franciscanos, praticantes da pobreza radical, que em nome do justo uso e da liberdade de contratar, justificam as práticas de enriquecimento da sociedade do início do século XIV (estamos no tempo de Filipe, o Belo, em França, da sua querela política com o Papa Bonifácio, e da extinção da Ordem dos Templários).

O prémio de seguro de risco (aplicado no comércio, por exemplo, mas também nas propriedades privadas) foi “inventado” pelos frades menores franciscanos no século XIII (os “Fratelli”), e os templários utilizavam taxas de juro na suas transacções financeiras na Europa do mesmo século.

A defesa da proibição da taxa de juro era apenas uma corrente ideológica mais radical (desde Santo Ambrósio, no século V, até S. Bernardo, no século XV) da Igreja Católica, que não era unânime.

No século XV, os frades católicos italianos fundaram uma instituição bancária de nome Monti di Pietá, que abriu várias sucursais em cidades italianas. É desta instituição italiana Monti di Pietá que adveio o nome do Banco Montepio. Diziam os frades italianos que, uma coisa é uma pessoa particular emprestar dinheiro a juros a outra (o que envolve uma relação entre indivíduos), e outra coisa, diferente, é a criação de uma instituição financeira (os Monti di Pietá) impessoal, destinada a financiar a economia em geral e em termos impessoais.

Eu não sou contra os impostos aplicados aos Bancos — pelo contrário. Apenas não concordo que os juros bancários, se sendo comedidos e dentro de certos limites racionais, possam ser considerados “roubo”.

A manipulação evidente de preços depois da isenção de IVA

Se o Pingo Doce estiver descontente e quiser sair de Portugal, a porta de saída é serventia da nossa casa.

Quando os CEO das empresas de distribuição começarem a apanhar penas efectivas de prisão, talvez a coisa melhore.

pingo doce

(fonte)

Eu não sei se esta avantesma é burra, ou se não lê jornais

Esta é a elite lisboeta que temos, paga pelo Pinto Balsemão que tarda em bater a bota.

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Este é o cabrão que dizia, durante a pandemia e em canal aberto de televisão, que os negacionistas das vacinas deveriam ser enviados para campos de concentração.

E é o mesmo grande cabrão que diz que as “cidades 15 minutos” são Teoria da Conspiração, quando já existe pelo menos uma destas cidades.

É difícil definir esta gente sem sermos obrigados a utilizar linguagem de carroceiro.

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O dia das mulheres é todos os dias, porra!

Ainda iremos ver o CHEGA a desfilar no 1º de Maio na Praça Vermelha; ou no Gay Pride: para lá vai caminhando… e o Santos Silva rejubila…

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