A incoerência da teoria ética de Peter Singer

A professora Helena Serrão publica aqui um textículo da autoria de Peter Singer, o intelectual australiano ultra-utilitarista — “intelectual”, digo eu, porque não é filósofo, devido às profundas incoerências de que é ideologicamente portador.

No referido texto, Singer fala da obrigação moral de ajudar a salvar uma criança que se afoga num lago — o mesmo Singer que defende que é eticamente válido que uma mãe tire a vida a um filho recém-nascido (defesa do infanticídio).

Quando nos defrontamos com uma pessoa que defende uma coisa e o seu contrário, a perda de credibilidade impõe-nos que evitemos publicar textos dessa pessoa, para que não colaboremos com a inconsistência ideológica da criatura — como eu demonstrei aqui.

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

A professora Helena Serrão publica aqui um textículo da autoria de Peter Singer, o intelectual australiano ultra-utilitarista — “intelectual”, digo eu, porque não é filósofo, devido às profundas incoerências de que é ideologicamente portador.

No referido texto, Singer fala da obrigação moral de ajudar a salvar uma criança que se afoga num lago — o mesmo Singer que defende que é eticamente válido que uma mãe tire a vida a um filho recém-nascido (defesa do infanticídio).

Quando nos defrontamos com uma pessoa que defende uma coisa e o seu contrário, a perda de credibilidade impõe-nos que evitemos publicar textos dessa pessoa, para que não colaboremos com a inconsistência ideológica da criatura — como eu demonstrei aqui.

O Paradoxo de Abilene

O conceito de Paradoxo de Abilene foi criado pelo gestor de empresas americano Jerry B. Harvey em 1974, para ilustrar a tendência que as pessoas têm de tomar decisões colectivas:

Num dia de muito calor na pequena cidade de Coleman, no Texas, uma família estava entretida a jogar dominó até que o sogro sugeriu que fossem todos jantar à cidade de Abilene, que fica a 80 quilómetros de distância. A esposa disse: ‘Parece-me boa ideia’. O marido, embora tivesse muitas reservas quanto à viagem, por ser longa e num dia muito quente, pensa, para si, que talvez as suas reservas não sejam partilhadas pela maioria, e diz: ‘Por mim está bem. Espero que a vossa mãe queira ir’. A sogra diz: ‘Claro que quero ir! Há muito tempo que não visito Abilene’.

A longa viagem foi realizada com muito calor e pó na estrada. E quando chegaram ao restaurante em Abilene, a comida foi tão má quanto tinha sido a viagem. Chegaram a casa cinco horas depois, totalmente exaustos.

Um deles diz, de forma comprometida: ‘Foi uma viagem óptima, não foi?’. A sogra disse que, em verdade, ela teria preferido ficar em casa, mas que tinha alinhado com a ideia de ir a Abilene porque toda a gente estava entusiasmada. O marido disse: ‘Eu não estava entusiasmado com a ideia de ir a Abilene, apenas fui para vos satisfazer o desejo da viagem’. A esposa disse: ‘Eu fui apenas para vos fazer felizes. Se eu estivesse sozinha, nunca me meteria numa viagem dessas com um calor medonho’.

O grupo fica, assim, perplexo, por os seus membros terem decidido colectivamente fazer uma viagem que ninguém de facto queria fazer.


O Paradoxo de Abilene e a Espiral do Silêncio explicam, em grande parte, por que razão uma pequena minoria de radicais e extremistas, muitas vezes violentos, comanda o destino das sociedades contemporâneas, impondo agendas políticas socialmente destrutivas e culturalmente suicidas (por exemplo, Bloco de Esquerda).

A questão da “proporcionalidade jurídica”

No Verão de 1998, apanhei um ladrão em minha casa em flagrante delito. Acto contínuo, dei-lhe uma coça e imobilizei-o, antes de chamar a polícia.

O meliante teve que receber tratamento no hospital. O ladrão foi solto imediatamente por um juiz barbudo comunista — o mesmo juiz comunista que me condenou a pagar uma indemnização ao ladrão por lhe ter esfacelado a cara, e outra indemnização por ter imobilizado / atado o ladrão. Segundo o juiz comunista, era minha obrigação deixar fugir o ladrão.

O juiz comunista alegou que os meus actos teriam sido ilícitos porque “o roubo é uma mera mudança de propriedade” (sic), e porque “não foram proporcionais” à gravidade dos actos do ladrão.

Do ponto de vista do Direito Positivo, a resposta “proporcional” a um determinado acto depende sempre do valor atribuído (por quem julga) ao acto que provoca a resposta. Se um juiz comunista decidir ou julgar que “roubar não é crime”, qualquer reacção ao roubo passa a ser ética- e criminalmente “desproporcional”.

Obviamente que eu excluo, aqui, do acto de “roubar”, o conceito hegeliano de Notrecht. Não é do roubo para matar a fome de que estamos a falar aqui.

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A ideia segundo a qual “o Direito Positivo é objectivo” (Kelsen) é a das maiores falácias políticas, um autêntico embuste, da modernidade. Basta olhar para a Isabel Moreira e constatar o absurdo da realidade do Direito em Portugal.

Se utilizarmos o mesmo critério de juízo, utilizado pelo referido juiz comunista, podemos achar que é “proporcional” meter uma bala na cabeça desse juiz comunista — uma vez que, segundo os modernos, o Direito Positivo depende apenas da vontade humana.

Se não existem princípios metajurídicos que sejam válidos, é tão justo que o juiz comunista me condene por eu defender a minha propriedade privada, como é justo que eu lhe meta um balázio nos cornos.

Alea jacta est.

Torna-se difícil escrever

Ainda há poucos anos, aparecia, de vez em quando, um anormal; hoje, a anormalidade é a regra.

Ora, nas actuais circunstâncias, em que quase tudo é anormal, é praticamente impossível escrever acerca da anormalidade.

diogo-faro-web

agir-webTodas as épocas exibem os mesmos vícios; mas nem todas mostram as mesmas virtudes: em todos os tempos há tugúrios, mas os palácios estão reservados apenas para algumas épocas.

Vivemos em um tempo de tugúrios morais, onde até os palácios se transformaram em fojos.

Torna-se difícil distinguir o humano, da besta. As próprias instituições tornaram-se paulatinamente irracionais — a começar pela Igreja Católica, por exemplo, quando ouvimos um recém cardeal português afirmar que “a Igreja não pretende converter os jovens”… ou quando ouvimos um primeiro-ministro dizer que “os portugueses nunca viveram tão bem como hoje”, negando assim a realidade imposta pelos factos… hoje, os factos são um instrumento de poética pessoana aplicada à política; para a classe política, em geral, não há factos: apenas há interpretações de factos — e “como vivemos em democracia, cada um interpreta os factos como quiser!”


«Narrar é enganar-se, porque narrar repousa sobre factos; e não há factos, mas apenas impressões. Certos argumentos são bem feitos; é isso que é verdade.

Não há factos, só interpretações de factos. Quem narra factos, só pode ter a certeza de que corre o risco de errar nos casos, no que narrou, e na maneira de o narrar. Quem só interpreta, dispensa um dos riscos. Certos argumentos são bem feitos, porque os factos são apenas os argumentos.»

Fernando Pessoa (“O Sentido do Sidonismo”)


o cardeal de merda webEsta ambiência, de confusão acerca dos factos, foi propositadamente criada pelas elites contemporâneas, porque sabem que o homem vulgar admira mais o que é confuso do que aquilo que é complexo. Estamos em presença de puro trabalho do Demo.

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Essa é uma das razões por que a classe política vem eliminando a matemática do currículo escolar. O cidadão anódino mistura “confusão” e “complexidade”: as ideias confusas (propaladas pelas elites, como por exemplo o conceito de “CO2 como gás perigoso”) e as águas turvas parecem, ao vulgo humano, ser profundas.

Ora, neste ambiente [cultural, político] irracionalizado torna-se difícil exercer o nosso sentido crítico — porque teríamos que criticar quase tudo e, neste contexto, a crítica deixa de fazer sentido.

A quem pergunte, angustiado: ¿o que te calha escrever hoje? — respondamos, com probidade, que hoje só nos cabe (a nós, todos) uma lucidez impotente. O pensamento que reage à irracionalidade institucionalizada é impotente, embora lúcido: para quem parece ser incapaz de renunciar à análise do absurdo, aquele que renuncia parece-lhe impotente.

Alfred Tarski, linguagem-objecto, a metalinguagem, e o Monhé das Cobras

alfred_tarski_webO leitor assíduo deste blogue poderá ter-se apercebido de que eu utilizo amiúde as “aspas” na linguagem escrita. Há uma razão para isso: a distinção entre linguagem-objecto, por um lado, e metalinguagem, por outro lado.

Por exemplo, a frase “O Monhé é manhoso” está aqui entre aspas porque, neste caso, pertence à linguagem-objecto, ou seja, pertence à linguagem que se fala comummente: “O Monhé é manhoso”, entre aspas, pode ser considerado como um nome, porque o objecto de que se fala é sempre representado por um nome.

Mas o mesmo conceitoMonhé manhoso —, sem estar entre aspas, pertence à metalinguagem, que é a linguagem que utilizamos para falarmos da linguagem-objecto: ou seja, a frase “O Monhé é manhoso” é verdadeira se, e só se o Monhé é manhoso.

A metalinguagem fica mais rica e mais comunicativa se contiver em si mesma a linguagem-objecto.

O racismo no tempo de Salazar

Temos, aqui em baixo, uma fotografia da minha escola primária em Malema, Moçambique. A minha mãe era uma das professoras. Eu estou ali no meio, de chapéu (clique na fotografia, para ampliar).

Como podem ver, eram todos meninos brancos, “rassistas”, “fassistas” e colonialistas.

Alunos da escola de Malema web

O Monhé é um porco

Novo anúncio da Calvin Klein

Eles não odeiam a imodéstia; eles não odeiam a objectificação sexual; eles não odeiam a Esquerda radical.

Eles odeiam a beleza.

novo calvin klein web