
O FC Porto e a maldição de Pinto da Costa: o Luís André e o Vítor Bruto



Eu estava à espera de uma encomenda através do correio CTT Expresso.
Recebo uma chamada do funcionário dos CTT, que fazia a entrega (com sotaque brasileiro), pedindo que eu me deslocasse ao café da esquina para receber a encomenda.
Recusei sair de casa, alegando que era a obrigação dos CTT Expresso entregar a encomenda em minha casa — ao que o brasileiro retorquiu que eu teria, então, de me deslocar ao balcão dos CTT para levantar a encomenda.
Portugal está a ficar muito abrasileirado — ou seja, Portugal está a ficar f*d*do.
“(…) ontem passei algum tempo no carro e, por isso, tive oportunidade de ouvir, ao vivo e em directo, a quantidade de idiotices que jornalistas perguntaram a Luís Montenegro sobre auriculares e afins.
A situação não nasceu do vácuo, resulta de umas declarações tontas de Luís Montenegro que os senhores jornalistas consideraram ofensivas, razão pela qual se sentem na obrigação de sinalizar a sua virtude fazendo perguntas ainda mais tontas que as declarações iniciais, a que ninguém liga nenhuma a não ser os jornalistas, claro.”
Quando o Luís Montenegro faz declarações públicas salazarentas, é classificado (por Henrique Pereira dos Santos) de “tonto”; mas se André Ventura fizesse as mesmas declarações “tontas” de Luís Montenegro, seria certamente classificado de “salazarista”.
Com jeitinho, a cara de Henrique Pereira dos Santos caberia no conjunto da tropa diversificada abaixo representada. Estamos a ser culturalmente conduzidos por uma récua.

“O mundo moderno não distingue matérias de opinião e matérias de princípio; e acaba por tratar ambas como matéria de gosto.”
→ G. K. Chesterton (‘New Witness’, 22-08-1919)

Não devemos confundir “ambiguidade” e “ambivalência”.
A ambiguidade aplica-se a conceitos; a ambivalência é psicológica: não é legítimo falar de “ambivalência dos conceitos”, os quais não traduzem directamente situações concretas e não podem, por isso, ser objecto de um juízo-de-valor. Podemos falar de “ambivalência de sentimentos” (por exemplo, amor-ódio, orgulho-timidez); podemos falar em “ambivalência dos sonhos”.
A ambivalência é subjectiva (psicologia); a ambiguidade é objectiva, ou pode ser objectivada através de conceitos.
Neste texto do Ludwig Krippahl há muita ambiguidade (para atenuar a Dissonância Cognitiva que a liberdade provoca na Esquerda) e alguma ambivalência (para tentar eliminar a Dissonância Cognitiva do próprio autor).
Por exemplo, afirmar que “o colectivo [a sociedade] não deve coagir” o indivíduo na sua liberdade de expressão, é uma impossibilidade objectiva — a não ser que a sociedade seja de tal forma atomizada que deixe de existir opinião pública (no fundo, indo ao encontro das ideias de Rousseau acerca daquilo a que ele chamou de “Vontade Geral“, e que é exactamente o contrário de “vontade geral”).
Qualquer crítica às ideias de uma pessoa é uma forma de coacção sobre essa pessoa. E qualquer opinião pública e/ou publicada de um indivíduo é uma forma de coacção sobre o (colectivo) sociedade.
O que devemos fazer é lutar — e o Ludwig Krippahl não se referiu a isto — pela afirmação da racionalidade no discurso público.
Por exemplo, quando Mariana Mortágua disse (nos me®dia, a 20 de Maio de 2024), que “é nosso dever acolher toda a gente que chega” [a Portugal], e “é assim que construímos um país mais seguro”, estamos em presença de uma incongruência: em primeiro lugar, porque é um non sequitur: não se segue que “acolher toda a gente que chegue” a Portugal seja sinónimo de “mais segurança”; mas acima de tudo é uma irracionalidade, porque Portugal não pode acolher “toda a gente que chegue”. Acolher toda a gente que chegue a Portugal é uma impossibilidade objectiva — e é tempo de se exigir (pelos me®dia) ao Bloco de Esquerda que utilize a racionalidade no seu discurso político. Porém, a Mariana Mortágua sai sempre incólume das bacoradas que lança dos me®dia.
Um exemplo de ambivalência do Ludwig Krippahl é a tentativa de comparação entre a afirmação individual da homossexualidade na tropa americana, por um lado, e a afirmação individual da homossexualidade na sociedade em geral, por outro lado.
Dou um exemplo: as lojas maçónicas masculinas não admitem mulheres; e eu respeito muito essa postura das lojas, porque são instituições. Uma loja maçónica é uma instituição. Uma instituição é uma forma de organização, ou forma de vida social, que a sociedade dá a si mesma para assegurar a sua perenidade. Como em todas as instituições [da sociedade], na instituição da maçonaria existem as pessoas que têm (em si mesmas) condições para estar dentro dela, e as que não reúnem as condições necessárias para esse efeito.
Seria injusto que se dissesse que “a maçonaria é misógina” — em primeiro lugar porque existem lojas maçónicas femininas; e depois, porque, enquanto instituição, a maçonaria deve ter toda a liberdade para estabelecer as suas próprias condições de adesão. Ninguém é obrigado a aderir à maçonaria.
De modo semelhante, nenhum cidadão americano é obrigado a aderir às Forças Armadas americanas, por um lado, e por outro lado é claro que as Forças Armadas americanas são uma instituição.
Outro exemplo de ambiguidade do Ludwig Krippahl é quando ele escreve que “o fundamental da democracia é que o poder do colectivo seja exercido em função do consenso dos indivíduos”, quando tinha escrito anteriormente que “o colectivo não deve coagir a pessoa em função do que esta pensa ou sente”.
Ou seja, segundo o Ludwig Krippahl, o colectivo só deve coagir o indivíduo quando a opinião (deste) não lhe agrada.
Ademais, a ideia segundo a qual “o poder do colectivo seja exercido em função do consenso dos indivíduos” vem do marxista cultural Habermas e do seu (dele) chamado “método discursivo” (ver aqui). Porém, para as pessoas que não participaram na discussão do “consenso”, ou porque não puderam fazê-lo por motivos práticos, ou porque são crianças, doentes, ou porque ainda não nasceram, o “consenso” do “método discursivo” dos “marxistas da cultura”, Habermas e Ludwig Krippahl, não significa nada.
Finalmente, o consenso do “método discursivo” não pode obrigar o oportunista, especialista na aplicação do princípio do interesse próprio, a agir no sentido do consenso — porque o cálculo só bate certo se todos os envolvidos abandonarem previamente o princípio do interesse próprio.
Em suma, é necessária uma decisão moral prévia a qualquer discurso; mas isto é matéria para outro verbete.
Não sei o que é pior: se ser filho do Fidel Castro, ou ser filho de uma puta.
No seguimento deste artigo do Joaquim, aqui vai o meu contributo. O problema é que a Esquerda já considera o “humor negro” como sendo racista, por ser “negro”.

Eu ainda não era nascido quando cantora Caterina Valente atingiu a fama, mas ela marcou a cultura da geração dos meus pais, e devido a estes (e à rádio), eu fui ouvindo as canções dela durante a minha infância.
Na canção ligeira, já não há vozes como a de Caterina Valente.