“O mundo moderno não distingue matérias de opinião e matérias de princípio; e acaba por tratar ambas como matéria de gosto.”
→ G. K. Chesterton (‘New Witness’, 22-08-1919)

“O mundo moderno não distingue matérias de opinião e matérias de princípio; e acaba por tratar ambas como matéria de gosto.”
→ G. K. Chesterton (‘New Witness’, 22-08-1919)

Não devemos confundir “ambiguidade” e “ambivalência”.
A ambiguidade aplica-se a conceitos; a ambivalência é psicológica: não é legítimo falar de “ambivalência dos conceitos”, os quais não traduzem directamente situações concretas e não podem, por isso, ser objecto de um juízo-de-valor. Podemos falar de “ambivalência de sentimentos” (por exemplo, amor-ódio, orgulho-timidez); podemos falar em “ambivalência dos sonhos”.
A ambivalência é subjectiva (psicologia); a ambiguidade é objectiva, ou pode ser objectivada através de conceitos.
Neste texto do Ludwig Krippahl há muita ambiguidade (para atenuar a Dissonância Cognitiva que a liberdade provoca na Esquerda) e alguma ambivalência (para tentar eliminar a Dissonância Cognitiva do próprio autor).
Por exemplo, afirmar que “o colectivo [a sociedade] não deve coagir” o indivíduo na sua liberdade de expressão, é uma impossibilidade objectiva — a não ser que a sociedade seja de tal forma atomizada que deixe de existir opinião pública (no fundo, indo ao encontro das ideias de Rousseau acerca daquilo a que ele chamou de “Vontade Geral“, e que é exactamente o contrário de “vontade geral”).
Qualquer crítica às ideias de uma pessoa é uma forma de coacção sobre essa pessoa. E qualquer opinião pública e/ou publicada de um indivíduo é uma forma de coacção sobre o (colectivo) sociedade.
O que devemos fazer é lutar — e o Ludwig Krippahl não se referiu a isto — pela afirmação da racionalidade no discurso público.
Por exemplo, quando Mariana Mortágua disse (nos me®dia, a 20 de Maio de 2024), que “é nosso dever acolher toda a gente que chega” [a Portugal], e “é assim que construímos um país mais seguro”, estamos em presença de uma incongruência: em primeiro lugar, porque é um non sequitur: não se segue que “acolher toda a gente que chegue” a Portugal seja sinónimo de “mais segurança”; mas acima de tudo é uma irracionalidade, porque Portugal não pode acolher “toda a gente que chegue”. Acolher toda a gente que chegue a Portugal é uma impossibilidade objectiva — e é tempo de se exigir (pelos me®dia) ao Bloco de Esquerda que utilize a racionalidade no seu discurso político. Porém, a Mariana Mortágua sai sempre incólume das bacoradas que lança dos me®dia.
Um exemplo de ambivalência do Ludwig Krippahl é a tentativa de comparação entre a afirmação individual da homossexualidade na tropa americana, por um lado, e a afirmação individual da homossexualidade na sociedade em geral, por outro lado.
Dou um exemplo: as lojas maçónicas masculinas não admitem mulheres; e eu respeito muito essa postura das lojas, porque são instituições. Uma loja maçónica é uma instituição. Uma instituição é uma forma de organização, ou forma de vida social, que a sociedade dá a si mesma para assegurar a sua perenidade. Como em todas as instituições [da sociedade], na instituição da maçonaria existem as pessoas que têm (em si mesmas) condições para estar dentro dela, e as que não reúnem as condições necessárias para esse efeito.
Seria injusto que se dissesse que “a maçonaria é misógina” — em primeiro lugar porque existem lojas maçónicas femininas; e depois, porque, enquanto instituição, a maçonaria deve ter toda a liberdade para estabelecer as suas próprias condições de adesão. Ninguém é obrigado a aderir à maçonaria.
De modo semelhante, nenhum cidadão americano é obrigado a aderir às Forças Armadas americanas, por um lado, e por outro lado é claro que as Forças Armadas americanas são uma instituição.
Outro exemplo de ambiguidade do Ludwig Krippahl é quando ele escreve que “o fundamental da democracia é que o poder do colectivo seja exercido em função do consenso dos indivíduos”, quando tinha escrito anteriormente que “o colectivo não deve coagir a pessoa em função do que esta pensa ou sente”.
Ou seja, segundo o Ludwig Krippahl, o colectivo só deve coagir o indivíduo quando a opinião (deste) não lhe agrada.
Ademais, a ideia segundo a qual “o poder do colectivo seja exercido em função do consenso dos indivíduos” vem do marxista cultural Habermas e do seu (dele) chamado “método discursivo” (ver aqui). Porém, para as pessoas que não participaram na discussão do “consenso”, ou porque não puderam fazê-lo por motivos práticos, ou porque são crianças, doentes, ou porque ainda não nasceram, o “consenso” do “método discursivo” dos “marxistas da cultura”, Habermas e Ludwig Krippahl, não significa nada.
Finalmente, o consenso do “método discursivo” não pode obrigar o oportunista, especialista na aplicação do princípio do interesse próprio, a agir no sentido do consenso — porque o cálculo só bate certo se todos os envolvidos abandonarem previamente o princípio do interesse próprio.
Em suma, é necessária uma decisão moral prévia a qualquer discurso; mas isto é matéria para outro verbete.
Não sei o que é pior: se ser filho do Fidel Castro, ou ser filho de uma puta.
No seguimento deste artigo do Joaquim, aqui vai o meu contributo. O problema é que a Esquerda já considera o “humor negro” como sendo racista, por ser “negro”.

Eu ainda não era nascido quando cantora Caterina Valente atingiu a fama, mas ela marcou a cultura da geração dos meus pais, e devido a estes (e à rádio), eu fui ouvindo as canções dela durante a minha infância.
Na canção ligeira, já não há vozes como a de Caterina Valente.
“A virtude neste mundo é sempre maltratada; os invejosos morrerão, mas a inveja é poupada.”
― Molière, “O Avarento”“A inveja honra os mortos para insultar os vivos.” ― C. A. Helvécio
“Os que fazem bem, são os únicos que mereceriam ser invejados, se não houvesse ainda uma mais vantajosa solução, que é fazer melhor do que eles.” ― Jean de La Bruyère
“Nunca um invejoso perdoa ao mérito.”― Pierre Corneille
“A inveja é mais irreconciliável do que o ódio.” ― La Rochefoucauld
“Destrinçai bem a emulação [estímulo; ambição], por um lado, da inveja, por outro lado: uma leva à glória, a outra à desonra.” ― Voltaire
“Há invejosos que parecem de tal forma acabrunhados pela nossa felicidade, que até quase nos suscitam a veleidade de os lamentar.” ― Edmond Goncourt
“Nunca o invejoso medrou, nem quem à beira dele morou.”― ditado popular português.
A última estrofe d’ Os Lusíadas:
“Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
a vista vossa tema o Monte Atlante,
ou rompendo nos campos de Ampelusa
os muros de Marrocos e Trudante,
a minha já estimada e leda Musa
fico que em todo o mundo de vós cante,
de sorte que Alexandre em vós se veja,
sem à dita de Aquiles ter inveja!”
“Inveja” foi a última palavra que Luís de Camões escolheu para acabar Os Lusíadas.
O Ludwig Krippahl foi (não sei se ainda é) apoiante do partido LIVRE do Rui Tavares que foi, por sua vez, deputado pelo Bloco de Esquerda no parlamento europeu; e por isso fiquei surpreendido com este verbete do Ludwig Krippahl.
Por muito que os me®dia tentem maquilhar a imagem do Rui Tavares (e fazem-no), a verdade é que este é essencialmente marxista, e o partido dele, de “livre”, tem quase nada. O Rui Tavares, à semelhança do Bloco de Esquerda, defende a igualdade de rendimentos, independentemente da dedicação e do trabalho despendidos pelos indivíduos. Rui Tavares é um comunista.

O Igualitarismo de Procrustes
Em aditamento ao referido artigo de Ludwig Krippahl, com o qual concordo maioritariamente, tenho a dizer o seguinte:
A obsessão pela “igualdade de rendimentos” é o fundamento de um velho totalitarismo travestido de “nova liberdade”. Como escreveu Fernando Pessoa: “é a velhice do eterno novo”.
O comunista (camuflado, ou não) começa por pedir a “igualdade de oportunidades”, mas acaba sempre por exigir que se penalize o bem-dotado. Para o comunista, a igualdade de rendimentos é a condição psicológica prévia das matanças científicas e frias (Che Guevara, Fidel Castro, Pol-Pot, Estaline, Mao, etc. ) — por exemplo, com a instituição do aborto como um “direito à igualdade da mulher”.
As matanças esquerdistas pertencem à lógica do próprio sistema obcecado pela “igualdade”.
Os seres humanos, à medida em que se sentem mais “iguais”, mais facilmente aceitam e toleram que os tratem (pelo Estado ou pelo Poder) como peças intercambiáveis, substituíveis e supérfluas.
Para além dos comunistas, os auto-proclamados “liberais, progressistas e igualitaristas”, (por exemplo, IL [Iniciativa Liberal]) ignoram a diferença entre verdades e erros: apenas distinguem a diferença entre opiniões populares e opiniões impopulares. E depois dizem que “os populistas são os outros”.
Em nome da “igualdade”, o “liberal” português degrada a liberdade antes de a estrangular; o igualitarismo dito “liberal” não suprimiu os ricos e poderosos: apenas acabou com os ricos e poderosos decentes. Graças aos “liberais” portugueses, os ricos são hoje (em geral) uma cambada de gente amoral. Já lá vai o tempo em que o patrão se preocupava minimamente com as famílias dos seus operários: hoje, salvo excepções, um rico é sinónimo de filho-de-puta.
Se a cultura é a expressão da alma colectiva — sendo que a civilização é o propósito do intelecto —, a cultura actual, dita “liberal”, espelha a merda em que se transformou o espírito humano.
Porém, sendo a igualdade impossível, Aristóteles criou o conceito de “equidade” — que é diferente do conceito de equidade adulterado pelo Wokismo.
A aplicação do conceito aristotélico de “Equidade”, distingue-se do direito igualitário porque consiste na correcção da lei positiva mediante a consideração da lei natural (o jusnaturalismo, que a Esquerda e os liberais repudiam, por exemplo, Isabel Moreira) nos casos em que a sua aplicação pudesse contribuir para uma maior e melhor justiça.
Segundo Aristóteles, a equidade é a Justiça que diz mais respeito ao espírito do que à lei e que pode mesmo moderar ou rever esta última, na medida em que se mostre insuficiente devido ao seu carácter geral.
A equidade é acção do espírito sobre a lei — em que esta (a lei) é subordinada àquele (ao espírito).

A equidade não significa que se justifique a existência de privilégios concedidos por intermédio do Direito Positivo — como, por exemplo, a restrição da liberdade individual, por exemplo, quando o Estado impõe as chamadas “quotas de género”, que a “Direitinha” do Montenegro e/ou do Nuno Melo também defende: aqui, não se trata de “equidade”: em vez disso, é ideologia marxista disfarçada.
A equidade não garante igualdade de rendimentos (ou igualdade de qualquer outra coisa) — exactamente porque equidade não é a mesma coisa que igualdade.
Há muitos anos, um militante do Bloco de Esquerda disse-me que “o aborto é um acto de amor”.
Vemos aqui como um mal, entendido em si mesmo (o aborto), é justificado retoricamente utilizando o argumento do “amor” no casal. O argumento é o seguinte: para que o amor vingue, no seio do casal, é (muitas vezes) necessário sacrificar a vida de um ser humano em formação.
O “argumento” supra não é racional: é puramente retórico.
A retórica é tudo o que exceda o estritamente necessário para uma pessoa se convencer a si mesma.
A retórica de pior gosto é a que renuncia às exigências estritas e mínimas da cidadania, mas sem renunciar ao seu vocabulário — como é o caso deste textículo do Henrique Pereira dos Santos acerca da corrupção na política:
“Eu compreendo que, politicamente, é muito mais eficaz falar de corrupção (do) que falar da simplificação de processos de decisão, que é onde acaba a desaguar o discurso racional sobre corrupção (a versão abrutalhada do discurso sobre corrupção acaba em discussões sobre penas, perseguições, justiça e essas coisas todas que, essencialmente, podem servir para assinalar a virtude superior de quem fala, mas são largamente inúteis para limitar a corrupção).”
O Henrique Pereira dos Santos confunde “Poder”, por um lado, e “corrupção”, por outro lado — na ânsia (irracional) de criticar o CHEGA.
A verdade, porém, é que o Poder (entendido em si mesmo) não corrompe!, apenas liberta a corrupção larvar (latente), principalmente de quem aspira irracionalmente ao Poder.
Alguns políticos actuais nem sequer se corrompem!: oxidam-se!.
Portanto, a corrupção não é uma fatalidade do Poder — ao contrário do que afirma (implicitamente) o Henrique Pereira dos Santos.
Ou seja, a “simplificação de processos de decisão” não implica necessariamente “corrupção”, mas o Henrique Pereira dos Santos argumenta que quem pretende combater a corrupção (o CHEGA) faz a ligação entre as duas coisas — tal como o militante do Bloco de Esquerda fazia a ligação entre o “amor” e o “aborto”.
É a diluição retórica do Mal.

«Todo o indivíduo que desagrade ao intelectual de Esquerda, merece a morte.
Ser esquerdista é crer que os presságios de catástrofe são augúrios de bonança.
O mau humor é uma secreção específica do intelecto de Esquerda.
O esquerdista berra que ‘a liberdade perece’, quando as suas vítimas se recusam a financiar os seus próprios assassinatos.
O esquerdista vive das genuflexões que são feitas em relação às suas próprias virtudes.
O mundo burguês trata diferentemente os seus inimigos: vomita nos da Direita e absorve os da Esquerda.
Todo o mundo, hoje, é de esquerda. Que alívio!»
