O tipo de “raciocínio” da "Direitinha Fachistazinha" em relação à invasão russa da Ucrânia

O silogismodas coubes” é assim:

  • a Esquerda Neanderthal e os globalistas condenam a invasão russa da Ucrânia e a morte de civis neste país.
  • Eu não gosto da Esquerda Neanderthal e dos globalistas;
  • por isso, eu apoio a matança de civis ucranianos por parte da Rússia — para ser “contra a Esquerda”.

É assim que “raciocina” a “Direitinha Fachistazinha” dos labregos das coubes”.

A "Direitinha Fachistazinha" compara o bombardeamento da Sérvia pela O.T.A.N. (em 1999), com os actuais bombardeamentos russos na Ucrânia

Uma das características da “Direitinha Fachistazinha” é a burrice crónica e endémica; vejam uma imagem que saquei do canal de Telegram  do “direitinho” Joseph Paul Watson (já deixei de o seguir):

direitinho watson web

O “direitinho” Watson diz que “o Ocidente é hipócrita porque bombardeou a Sérvia, e simultaneamente critica o bombardeamento da Ucrânia pela Rússia”. O “direitinho” Watson faz lembrar a estupidez do Partido Comunista ou do Bloco de Esquerda: são gémeos chapados.

Uma pergunta: os ucranianos tinham campos de concentração com prisioneiros russos, e praticavam a limpeza étnica de russos? Claro que não. Toda a gente sabe que não se passava nada disto na Ucrânia.

Mas, segundo o “direitinho” Watson, na Bósnia também não existiam campos de concentração de limpeza étnica de muçulmanos. Chama-se a isto branqueamento da História. Com jeitinho, o “direitinho” Watson ainda vai dizer que não existiu tal coisa como “campos de concentração nazis”.

muslim serbia web

A "Direita" que defende a ocupação russa da Ucrânia

Que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista apoiem a agressão militar e ocupação da Rússia à Ucrânia, já seria de esperar; mas que uma certa “Direita” o faça, é extraordinário!

Joseph Paul Watson webUm dos “argumentos” dessa “Direita” é o seguinte:

a Arábia Saudita bombardeia o Iémene, e o Ocidente não diz nada; mas se a Rússia invade a Ucrânia, o Ocidente critica a Rússia.

Este é um dos argumentos utilizados (nomeadamente) por Joseph Paul Watson, um inglês de “Direita” com um canal no YouTube.

Em primeiro lugar, trata-se de uma falácia Tu Quoque:

“se a Arábia bombardeia o Iémene e ninguém diz nada, então segue-se que a Rússia também tem o direito a bombardear a Ucrânia”.

Esta “Direita” está a tornar-se estúpida, embrutecida.

Em segundo lugar, a comparação é desproporcionada — porque a Arábia Saudita não ocupou território do Iémene. Só podemos comparar aquilo que é comparável. Joseph Paul Watson gosta de ser “original” de “Direita”, e depois acaba por dizer merda.

Finalmente, a Arábia saudita responde a uma guerra de guerrilha vinda do Iémene contra a sua própria população; e, que eu saiba, a Ucrânia não apoia e/ou financia uma guerra de guerrilha em território russo: a agressão militar russa é absolutamente unilateral.

A injustiças simétricas dos globalismos

“O pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se. O pensamento progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados” — Nicolás Gómez Dávila


Reparemos neste aforismo de Nicolás Gómez Dávila, e apliquemo-lo à dialéctica política e ideológica entre o globalismo ocidental, por um lado, e o globalismo russo-chinês, por outro lado (para além destes dois globalismos, Olavo de Carvalho mencionou um terceiro: o globalismo islâmico).

É esta “dialéctica”, entre estes dois tipos de globalismo, que está em causa com a invasão e ocupação da Ucrânia por parte da Rússia.

Determinadas pessoas (nomeadamente as de uma certa “Direita” ocidental), na medida em que não gostam do globalismo ocidental (anglo-saxónico), opta por apoiar o globalismo sino-russo contra o globalismo anglo-saxónico.

Ou seja, entre injustiças que são simétricas, essa “Direita” opta por apoiar uma delas; entre (metaforicamente) “duas filas de enforcados”, consideram que uma delas foi mais vitimizada do que a outra (maniqueísmo, que é típico da mente revolucionária).

Porém, o pensamento só “progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados” — o progresso do pensamento, e a procura da verdade só ocorrem quando o nosso pensamento crítico questiona os dois tipos de globalismo.

Por exemplo: pelo facto de eu criticar duramente o “World Economic Forum” (e o louco Klaus Schwab), o globalismo anglo-saxónico com as suas elites marcadamente misantrópicas e neo-malthusianas — isso não significa que, por este facto, eu seja necessariamente obrigado a apoiar a injustiça simétrica, protagonizada pelo globalismo sino-russo que também invade nações sem dar cavaco a ninguém.

Se o mundo se passar a reger pela lei da bala, estamos todos f*d*dos!

russian man bad web

Olavo de Carvalho começa já a fazer muita falta ao Brasil

Nós não devemos criticar os Estados Unidos quando invadem outros países (por exemplo, GWB invadiu o Iraque, ou Obama que invadiu a Líbia), e simultaneamente apoiar a Rússia quando esta invade, por exemplo, a Ucrânia. Porém, é isto que uma certa Direita faz, nomeadamente uma certa Direita “bolsonarista” no Brasil.

bolsonaro russia web

Quando ouvimos os comentários de Bolsonaro em relação à invasão da Ucrânia por parte da Rússia, percebemos que ele não “se põe de fora” do apoio a Putin:

«In a news conference on Sunday, Brazil’s president Jair Bolsonaro mocked Ukrainian President Volodymyr Zelensky – saying his counterpart’s people had placed their hopes in the hands of a comedian.
Bolsonaro has refused to condemn Russia’s invasion and on Sunday said Brazil would stay “neutral” in the conflict, adding that Brazil and Russia are “practically brother nations”.
“We will not take sides, we will continue being neutral, and help with whatever is possible,” Bolsonaro said. “A big part of Ukraine’s population speaks Russian.”
He claimed he also held a two hour discussion with Putin on Sunday, but the country’s foreign ministry later clarified that he was referring to his visit to Moscow earlier this month.»

Por um lado, Bolsonaro diz que defende a neutralidade política em relação à invasão da Rússia; mas, por outro lado, Bolsonaro diz que “uma grande parte da população da Ucrânia fala russo” — o que é falso, porque 17% da população de etnia russa na Ucrânia não é “uma grande parte”: é uma minoria.

Na Ucrânia, é certo que cerca de 30% da população fala russo, mas destes 30%, apenas 56% têm o russo como língua nativa (são biologicamente russos) — o que reduz a etnia (biológica) russa da Ucrânia para 17% do total da população.

O argumento de Bolsonaro é (metaforicamente) o seguinte: “mais de 50% da população portuguesa fala inglês, e por isso é, no mínimo, defensável que os ingleses reclamem a posse do território português”.

Sem mais comentários acerca do argumentário de Bolsonaro!


Vejamos agora este comentário:

“A Pax Americana terminou efectivamente com a invasão da Ucrânia. Essa a enorme surpresa. Que o tenha surpreendido a si, a mim e a muitos mais é normal.

Certamente Putin meditou no assunto e nas sanções, nas que já sofre e nas que vai sofrer. Mas o mais importante é estarmos a assistir a uma nova relação de forças no mundo. A invasão da Ucrânia é apenas o princípio. Agora é estar atento ao que se vai seguir.”

Olavo de Carvalho falou-nos amiúde do conceito de Fé Metastática, de Eric Voegelin, que é característica do movimento revolucionário. A Fé Metastática é a crença de que é possível mudar a natureza fundamental da realidade, o que, segundo Eric Voegelin (in “Ordem e História”), não é possível.

Resumindo o conceito de Fé Metastática em uma noção que os portugueses entendem:

A Fé Metastática é sinónimo dos “amanhãs que cantam”.

“Os “amanhãs que cantam” (ou fé metastática) fazem transfigurar a percepção que os revolucionários (de Esquerda, e agora também de Direita) têm da estrutura da realidade, e produzem a crença em uma subsequente emergência de uma ordem superior à actual (ou mesmo uma ordem paradisíaca).

Ora, existe uma “Direita revolucionária” que apoia — claramente ou de forma ambígua — a instauração de um regime totalitário (ou, no mínimo, autoritarista) para “combater os males do mundo”; e Putin assume o papel messiânico de trazer ao mundo essa nova ordem mundial dos “amanhãs que cantam” — desta vez são os “amanhãs que cantam” da nova “Direita”, e não já da Esquerda marxista.

Naturalmente que uma “Direita revolucionária” não é Direita; é uma caricatura da Esquerda (por exemplo, o regime nazi).

Para Bolsonaro (e para esta Direita revolucionária que também temos em Portugal), a invasão de Putin à Ucrânia é o prenúncio dos “amanhãs que cantam” (a Fé Metastática) que vai retirar o Brasil, de uma forma automática e sem qualquer esforço, da situação de deficiência económica endémica em que vive: para Bolsonaro, a culpa da situação do Brasil não é interna!: pelo contrário, a culpa é dos outros países do mundo ocidental, e Putin é o símbolo revolucionário que irá contribuir para resgatar o Brasil e conduzir este país para uma transfiguração radical (automática) da sua realidade, seguindo os “amanhãs que cantam” da nova Direita.

No decorrer da agressão russa, temos a necessidade de retirar à China algum Poder logístico

A invasão da Rússia à Ucrânia revelou o seguinte:

  • nenhum país (desnuclearizado) da Europa está livre de ser invadido pela Rússia, ou até destruído por armas nucleares russas;
  • o apoio claríssimo (político, logístico) da China a esta Rússia agressiva terá que ser (parcialmente) coarctado mediante a transferência (paulatina, mas sistemática) da produção industrial — necessária ao Ocidente —, para outras paragens (por exemplo, nos países da Europa de leste, ou mesmo países da América latina);
  • para que se consiga o desiderato do ponto anterior, os globalistas plutocratas terão que ser disciplinados pela política — nomeadamente através da instauração de cargas fiscais adicionais sobre as importações da China, mas também e sobretudo com uma política concertada de criminalização pesada (com penas de prisão pesadas) sobre o investimento triangular ocidental na China que beneficie a Rússia.

Naturalmente que não será possível desindustrializar a China; mas será possível, se se actuar imediatamente, impedir a invasão de Taiwan por parte da China, por um lado, e por outro lado beneficiar outras zonas do mundo que merecem, de facto, maior e melhor investimento industrial e em detrimento de um país (China) com aspirações imperiais.

Putin foi longe demais

Eu estava à espera do reconhecimento unilateral da independência, por parte de Putin, das regiões de leste (de maioria étnica russa) na Ucrânia; esperava mesmo que as tropas russas entrassem na região do Donbass com o argumento de “proteger” a alegada independência dessas regiões; mas nunca me passou pela cabeça que Putin enviasse tanques para Kiev.

biden mask web

Parece que a Rússia não aprendeu nada com a invasão do Afeganistão, na década de 1980 do século passado — só que, no caso da Ucrânia, a actual proliferação de armamento sofisticado ocidental, produzido para guerrilha urbana e guerrilha convencional, é incomparavelmente superior ao que existia no Afeganistão na década de 1980.

A Rússia está a meter-se em um lamaçal militar, e Putin é o responsável.

A Rússia vai ter o SWIFT cortado, o que significa um retrocesso económico e financeiro significativo do país. E qualquer país que apoie o esforço de guerra da Rússia, terá também o SWIFT cortado — com excepção da China, que verá necessariamente outro tipo de retaliação, dada a dependência extrema que os Estados Unidos e o Ocidente têm da indústria chinesa, resultado da transferência massiva de produção industrial do Ocidente para a China.

¿Percebem por que razão os Estados Unidos andam raivosos por causa da Ucrânia?

Vemos aqui em baixo um mapa dos gasodutos de gás russo que passam pela Ucrânia com destino à União Europeia.

gasodutos russos web

É um negócio que os plutocratas globalistas dos Estados Unidos nem conseguem cheirar o dinheiro — o que, de facto, parece justificar uma guerra nuclear com a Rússia.

Quando os plutocratas globalistas não conseguem cheirar o dinheiro dos negócios dos outros, então provocam uma guerra.

Embaixador russo na Suécia: “Estamos-nos cagando para todas as vossas sanções!”

russo cagando web

Com um aliado como a China, ¿quem é que se preocupa com as sanções dos Estados Unidos?