A crítica de Alberto Gonçalves a André Ventura

«André Ventura aborreceu-se por não ser chamado a conviver com o lixo, atitude curiosa que traduz na perfeição a ambiguidade dele, dos seguidores dele e dos inimigos dele.

(…)

André Ventura queixa-se do desprezo do “sistema” que afirma combater.

(…)

A maior e mais indiscutível virtude do Chega é a capacidade de horrorizar criaturas horrorosas.»

Alberto Gonçalves


O Alberto Gonçalves tem razão em algumas críticas que faz a André Ventura — por exemplo quando aquele diz (implicitamente) que o André Ventura é muitíssimo vulnerável ao ataque ideológico vindo da Esquerda. É verdade.

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A mentalidade liberal nunca percebe que os horrores que a espantam fazem parte do lado avesso das falácias que admira.

Porém, o Berto perde a razão quando diz que o Passos Coelho é melhor peça do que o Ventura — alegadamente porque este último é detentor de uma “bazófia nacionalista” (ao contrário de Passos Coelho, que felizmente vendeu o país inteiro por dez mil reis de mel coado), de uma “subtil aversão ao capitalismo e à globalização” (o que é falso, desde logo porque “globalização” não é a mesma coisa que “globalismo”, e depois porque o programa do CHEGA é de um capitalismo ortodoxo; só não vê quem é Betinho cegueta).

Ademais, quando o Berto não tem argumentos plausíveis, opta por chamar o seus interlocutores ideológicos de “malucos” (o Beto anda a aprender umas coisas com a Isabel Moreira).

O que me chateia em certo tipo de “liberais”, como é o caso do Berto, é o que nunca dizem claramente aquilo com que concordam; tal como os defensores da Teoria Crítica, só revelam publicamente aquilo com que não concordam. Ficamos com um vago esboço acerca do que eles pensam através de uma análise negativa.

“O liberalismo prega o direito do indivíduo ao embrutecimento, desde que esse embrutecimento não estorve o embrutecimento do seu vizinho.”Nicolás Gómez Dávila 

Para o Betinho, “a família é matéria privada e francamente não diz respeito a terceiros”; e por isso, o Ventura não teria que entrar pela “exaltação vazia da família”, por exemplo, quando este critica o “casamento” gay. Para o Beto, o “casamento” gay e adopção de crianças por pares de invertidos são supostamente “porreiros pá”, porque fazem parte de “matéria privada e francamente não diz respeito a terceiros”a mentalidade liberal nunca percebe que os horrores que a espantam fazem parte do lado avesso das falácias que admira.

O partido Chega de André Ventura já entrou em decadência

Tal como aconteceu com a “Direitinha” que é o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas, o CHEGA do André Ventura já assimilou e interiorizou a campanha de pânico moral imposta pela Esquerda; e, por isso, o partido CHEGA entrou já em decadência.

Para que o partido CHEGA pudesse crescer substancialmente, teria que passar (para o povo) a ideia de que não é permeável às invectivas ideológicas da Esquerda.

A razão por que o PSD de Rui Rio e, principalmente o CDS de Assunção Cristas, diminuíram drasticamente o seu apoio popular, foi a ideia — aceite pelo povo — segundo a qual estes dois partidos “obedecem” ideologicamente à Esquerda (excepto na economia).

A tentativa de André Ventura em colocar o CHEGA ao “centro” — como se o “centro” não fosse uma posição relativa! — vai desmobilizar o partido. Requiescat in pace!

Aquilo a que chamamos “democracia” já não faz sentido.

Hoje já não existe diferença assinalável entre aquilo a que se convencionou chamar de “Esquerda moderada”, por um lado, e “Esquerda Radical”, por outro lado.

O conceito de “Esquerda Radical” já não faz sentido, uma vez toda a Esquerda se radicalizou (no sentido de “jacobinização” da política). Basta vermos o que se passa hoje com a Esquerda do partido Democrático nos Estados Unidos, ou com a Esquerda britânica sob os auspícios de Corbyn.

Dizer que existe hoje uma “Esquerda moderada” é equivalente a dizer que existe hoje um “Islamismo moderado”. É um oxímoro.

JPP-ZAROLHOExistem excepções individuais na Esquerda — que são apenas excepções aparentes.

Por exemplo, o José Pacheco Pereira, ou o Daniel Oliveira: são indivíduos de esquerda que fazem (circunstancialmente) a crítica em relação à Esquerda, nos casos em que a acção política do esquerdalho é de tal forma histriónica e absurda que há a necessidade de alguém vir a terreiro tentar “salvar a honra do convento” esquerdista. Estes indivíduos (entre outros) fazem parte da categoria dos “esquerdistas espertalhões”.

Por exemplo: a crítica dos “esquerdistas espertalhões” a Joacine “Vai-te Katar” Moreira e ao partido LIVRE, ou a crítica ao desavergonhado Ferro “Estou-me Cagando” Rodrigues.

Trata-se, da parte dos espertalhões, de uma estratégia política de controle de danos: perante o radicalismo histriónico evidente da actual Esquerda, os ditos espertalhões definem a orientação política da camada exterior da cebola do totalitarismo de veludo vigente (segundo o conceito de Hannah Arendt) .

É neste contexto que o presidente da assembleia da república, o Ferro “Estou-me Cagando” Rodrigues, não só censura o discurso de um deputado legitimamente eleito, como ameaça publicamente tirar-lhe a palavra de forma arbitrária.

Aquilo a que chamamos “democracia” já não faz sentido.

O mentiroso Gustavo Sampaio e a mentira do Polígrafo

O Polígrafo é como a “Rádio Moscovo”: diz que fala sempre a verdade. Mas, pelo menos neste caso (e analisaremos outros), mente de uma forma descarada.

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Diz o Polígrafo que o CHEGA defende a privatização dos hospitais; mas não diz onde (em que texto) é que o CHEGA defende a privatização dos hospitais.

Lendo a o programa eleitoral do CHEGA, verificamos que o Gustavo Sampaio é um mentiroso: o que o CHEGA defende é “a promoção da gestão privada dos hospitais públicos” (sic), que não é a mesma coisa que “privatizar os hospitais públicos”.

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Eu não concordo com a prospecção política do CHEGA em relação à política pública de saúde (penso que é possível a coexistência entre as gestões privada e pública dos hospitais) — o que não significa que seja legítimo mentir descaradamente, como fazem o Polígrafo e o Gustavo Sampaio.

O Polígrafo não tem credibilidade.

A Raquel Varela e o Argumentum ad Salazarum

A Raquel Varela anda aflita, e por isso mente, desaforada; porque a “mama” do Estado pode estar em risco.

Diz ela queo CHEGA pretende proibir o sindicalismo — ai a menina mentirosa! “Atão faxisto?!”

O que o CHEGA defende, a propósito do sindicalismo, é o seguinte:

“Fim de subvenções públicas a fundações, sindicatos, associações patronais e organizações de proselitismo ideológico. Excluem-se os partidos legalmente constituídos”.

Se a Raquel Varela interpreta o trecho supracitado como “proibição do sindicalismo”, então teremos que concluir que as associações patronais, por exemplo, também deverão ser proibidas pelo CHEGA.

Ou seja, segundo o CHEGA, o Estado não tem que dar de “mamar” (com o dinheiro do povo) a matulões ideologicamente sustentados por avantesmas políticas.

Para disfarçar a mentira descarada, a Raquel Varela remata o textículo com o Argumentum ad Salazarum, que é a tentativa de invalidar a posição de alguém tendo como base a ideia segundo a qual “Salazar também tinha uma posição parecida com essa”.

Por exemplo, qualquer católico pode ser alvo do Argumentum ad Salazarum, porque “Salazar também era católico; e por isso, todos os católicos são salazaristas”.

Ou seja, através do Argumentum ad Salazarum, o CHEGA é considerado “culpado por associação”, mesmo tendo em conta o facto de a acusação ser falsavemos aqui o estalinismo latente da Raquel Varela em todo o seu esplendor …!

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A “mama” no Estado tem que ser restringida! Nós, o povo, já pagamos demasiados impostos para sustentar prebendas de sibaritas da laia da Raquel Varela!

A diferença entre “escol” e “classe política”

A Cristina Miranda escreveu o seguinte, a propósito do fenómeno político “André Ventura”:

« O problema dos intelectuais que andam na política é mesmo esse: não entendem o segredo por trás da popularidade. Todos pensam que tem a ver com palavras eruditas contidas num discurso pomposo (que quase só de dicionário ao lado e manuais sobre economia conseguem ser entendidos), politicamente correcto, que agrada a todos e quando não agrada, tem flexibilidade suficiente para se contorcer até agradar.

E quando vêem alguém com uma mensagem mais simples, mais transparente, mais assertiva, mais forte, mais abrangente, ficam atónitos e perguntam-se: como foi possível aquela pessoa tão “básica” chegar a tanta gente? Não percebem porque para se perceber tem-se de ser genuinamente do povo ou ter pelo menos vivido com ele ou perto dele


Fernando Pessoa estabeleceu o conceito político de “escol”.

“Populismo” é a palavra que a classe política utiliza quando a democracia a assusta.

Em primeiro lugar, “um escol não quer dizer uma classe, mas antes é uma série de indivíduos”. A classe política não é um escol; a classe dos “intelectuais” (seja o que isso for) não é um escol.

O escol é composto por indivíduos que se distinguem claramente um dos outros e são independentes entre si.

Em segundo lugar, “o escol é diferente do resto da população em grau de tudo”, por um lado; mas, por outro lado, “o escol está unido ao povo pelo interesse nacional”.

Ou seja, o escol é composto por indivíduos (que não constituem, em si mesmos, uma classe social) que estão unidos ao povo pelo interesse nacional — interesse nacional que, no povo, é instintivo — , mas que, em tudo o resto, se distinguem do povo.

Ora, a “intelectualidade” a que se refere a Cristina Miranda é a da classe política, ou a de aspirantes à inclusão na classe política. Essa “intelectualidade” não constitui um escol: em vez disso, é uma classe ou uma corporação (com interesses corporativos).

O escol é “a parte mais forte, mais audaz, mais competente da nação” — ou seja, um membro do escol também é “intelectual”: só que é uma intelectualidade liberta em relação às modas e ao “espírito do tempo”, por um lado, e por outro lado é uma intelectualidade que está perfeitamente alinhada com o instinto do povo (interesse nacional); e por isso, a classe política chama de “populismo” a essa identificação do escol com o interesse nacional.

“Populismo” é a palavra que a classe política utiliza quando a democracia a assusta.

O partido CHEGA não é de “extrema-direita”

Eu estive hoje a ler (na diagonal) o programa do CHEGA, e não me parece que esse partido seja de “extrema-direita” — sem dúvida que é um partido de Direita que defende a liberdade, embora sem ser “libertário” como é o caso do partido IL (Iniciativa Liberal): é esta a principal diferença (mas não é a única) entre o CHEGA e o IL (Iniciativa Liberal).

O problema é o de que o rótulo de “extrema-direita” é hoje discricionário e irracionalmente utilizado — a começar pela irracionalidade dos “jornalistas” que está hoje na moda.

Ademais, o CHEGA é um partido declaradamente republicano, o que me leva a ter alguma dificuldade em votar nesse partido: o CHEGA poderia deixar ficar a questão da “república” em aberto (ou passar por cima do assunto “em voo de águia”), mas optou por se declarar marcadamente um partido republicano (a não ser que a “IV república” possa vir a ser uma monarquia).

Em muitas coisas estou de acordo com o CHEGA — por exemplo, a instituição de uma taxa única de IRS, como existe (por exemplo) na Irlanda ou na Hungria (ver no Google: “curva de Laffer”); e estou de acordo com a eliminação do imposto sucessório (é um abuso do Estado).

Já não concordo com a proposta do partido CHEGA em aprovar uma espécie de “lei do morgadio”, através da qual um pai poderia deserdar discricionariamente um filho ou filhos.

A minha discordância tem menos a ver com o conceito positivista e moderno de “igualdade”, do que com o Direito Natural (Jusnaturalismo, e a consideração dos princípios metajurídicos do Direito Positivo): quem traz os seus próprios filhos ao mundo não deve tratar como “filhos” uns, e como “enteados” outros. Ademais, a lei actual já permite, de certo modo comedido e excepcional, dar uma fatia maior da herança a um determinado filho ou filhos, embora sem deserdar totalmente os outros. Aliás, o próprio programa do CHEGA afirma o seguinte: “Todos os homens deverão ser iguais em Dignidade”; ora, não vejo como um pai que deserda os seus filhos os trate com semelhante dignidade natural e existencial.

O partido CHEGA é a favor da participação de Portugal na União Europeia — mais uma razão para não o classificar de “extrema-direita”; um partido de extrema-direita (por exemplo, o de Marine Le Pen, em França) é um partido soberanista e avesso a qualquer tipo de construção de um leviatão europeu.

O André Ventura, como advogado que é, tentou contornar o problema da participação de Portugal na União Europeia com a distinção (artificial) entre os conceitos de “Euro-integração”, por um lado, e “Euro-diluição”, por outro lado. Trata-se de uma distinção engenhosa entre conceitos indistintos. Naturalmente que esses dois conceitos são deixados (pelo CHEGA) sem as respectivas definições (como convém).

O “princípio do interesse geral”, segundo o CHEGA, parece-me rosseauniano (soa a “Vontade Geral” de Rousseau); neste caso, o “interesse geral” parece-me discricionário porque depende do critério (aleatório) das elites, muitas vezes no exercício da política em modo de “acto gratuito”. É preciso ter cuidado com o conceito de “interesse geral”, que só pode ser realmente legítimo em uma democracia participativa  (por exemplo, a Suíça).

Não concordo com a total privatização da TAP (Transportes Aéreos “da Portela”), por exemplo, proposta pelo André Ventura. A privatização dos transportes urbanos pode rapidamente conduzir a uma “africanização” dos transportes públicos (terceiro-mundo) em Portugal — nem na Suíça super-capitalista os transportes urbanos são privados! Não concordo com o CHEGA! Por exemplo, em Inglaterra, a rede de privatizada de ferrovia nacional (falo por experiência própria) coloca o serviço de ferrovia intercidades muito abaixo da qualidade portuguesa (que já é baixa).

Com excepção das considerações supracitadas, estou genericamente de acordo com o CHEGA.

O partido CHEGA é considerado de “extrema-direita” pela Esquerda (Esquerda que inclui o PSD de Rui Rio e o CDS de Assunção Cristas) porque defende a primazia da protecção do Estado em relação ao direito (natural) à vida, à família natural (e à protecção do casamento enquanto instituição que se caracteriza pela aliança entre a mulher e o homem — aliança entre os dois sexos — com a sucessão das gerações).

Qualquer indivíduo ou grupo de pessoas que critique, por exemplo, o aborto pago pelo Estado (com o dinheiro de todos nós) é hoje considerado de “extrema-direita”.

Estamos a assistir ao estertor do Partido Social Democrata em câmera-lenta

“O PS ganhou, tranquilizando todos os velhinhos do país e o Dr. Rui Rio. Basta ouvir o seu discurso de viúva alegre, ontem à noite, para perceber o alívio”.

Pedro Picoito


JPP-ZAROLHOSem dúvida.

O Partido Socialista ganhou as eleições, e o Rui Rio ficou tranquilo e o José Pacheco Pereira muito feliz porque o PSD é (alegadamente) “um partido de esquerda”.

A missão de Rui Rio — e do actual ideólogo oficial do PSD (José Pacheco Pereira) — é a de desmantelar o Partido Social Democrata.

Se Rui Rio continuar no PSD por muito tempo — e oxalá continue! Quem nos dera! — o IL (Iniciativa Liberal) e o CHEGA irão sugar aquele partido até ao tutano.

Iremos assistir à parasitação do PSD, por parte do IL (Iniciativa Liberal) e do CHEGA; quando os militantes do PSD se derem conta, o “PSD de Esquerda” (o do José Pacheco Pereira) e “recentrado” (o do Rui Rio) será um mero partido satélite do Partido Socialista.