A caridade tem que cuidar da dignidade moral do pobre

El_Greco_St_Martin_of_Tours-webO Homem moderno — incluindo os cristãos actuais — já perdeu a noção cristã medieval de “caridade”; para o homem moderno, a caridade é dar (mas) sem cuidar da dignidade moral de quem recebe.

Na Idade Média, os mendigos andavam livres nas ruas das povoações; e quando pediam esmola a um rico burguês ou nobre que passava, quem lhes dava a esmola pedia em troca uma oração pela sua alma. Ou seja, a mendicidade medieval era uma profissão socialmente útil, porque quem dava a esmola ao pobre recebia qualquer coisa em troca.

A partir do momento em que a Reforma protestante retirou à penitência religiosa, por um lado, e à acção moral individual, por outro lado, a sua importância tradicional medieval, o Estado passou a controlar a acção altruísta dos indivíduos.

E como a mendicidade não acabava, o Estado protestante — Alemanha, Inglaterra — passou a restringir a liberdade dos mendigos naquilo a que Foucault chamou de “Grande Encarceramento”: os mendigos deixaram de ser úteis à sociedade, e passaram a ser reprimidos e encarcerados.

Através da rotulagem do “pobre” e de sinais distintivos afins, a caridade da Idade Média que se caracterizava por um modo de relação, transformava-se, no mundo moderno da Reforma e dos “direitos humanos”, em um modo de segregação.


Na imagem: S. Martinho partilha a sua capa com um pobre (pintura de El Greco).

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A evolução do esquerdista Ludwig Krippahl

O Ludwig Krippahl tem vindo a “evoluir” (¿ou a “involuir”?!). Basta pesquisarmos o termo “Ludwig Krippahl” neste blogue para verificarmos a evolução (¿darwiniana?) da forma de pensar dele.

Por exemplo: o Ludwig Krippahl candidatou-se a deputado pelo partido LIVRE em 2015, e hoje já “diz cobras e lagartos” do LIVRE.

Ademais, o Ludwig Krippahl sempre defendeu a ideia segundo a qual “o Estado deveria condicionar a maneira de ser das pessoas” — embora de uma maneira negativa (liberdade negativa) e sem deixar impressões digitais; mas, agora, o Ludwig Krippahl já critica o “condicionamento da maneira de ser das pessoas” por parte do Estado.

Não tarda muito, o Ludwig Krippahl passa a ter o rótulo de “extrema-direita”.

Estamos a assistir ao estertor do Partido Social Democrata em câmera-lenta

“O PS ganhou, tranquilizando todos os velhinhos do país e o Dr. Rui Rio. Basta ouvir o seu discurso de viúva alegre, ontem à noite, para perceber o alívio”.

Pedro Picoito


JPP-ZAROLHOSem dúvida.

O Partido Socialista ganhou as eleições, e o Rui Rio ficou tranquilo e o José Pacheco Pereira muito feliz porque o PSD é (alegadamente) “um partido de esquerda”.

A missão de Rui Rio — e do actual ideólogo oficial do PSD (José Pacheco Pereira) — é a de desmantelar o Partido Social Democrata.

Se Rui Rio continuar no PSD por muito tempo — e oxalá continue! Quem nos dera! — o IL (Iniciativa Liberal) e o CHEGA irão sugar aquele partido até ao tutano.

Iremos assistir à parasitação do PSD, por parte do IL (Iniciativa Liberal) e do CHEGA; quando os militantes do PSD se derem conta, o “PSD de Esquerda” (o do José Pacheco Pereira) e “recentrado” (o do Rui Rio) será um mero partido satélite do Partido Socialista.

A hipocrisia do estuporado Anselmo Borges

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Ao lermos este texto do Anselmo Borges, constatamos um exemplo de como se pode perverter a mensagem do fundamento do Cristianismo (e da Igreja Católica), utilizando meias-verdades. E o problema é que ninguém, na ribalta da cultura nacional (incluindo o ilustríssimo clero católico português) se atreve a contrariar o apóstata travestido de Padre. O Anselmo Borges age sem qualquer oposição.

Escreve o padreco herege:

“No início do século XX, A. Loisy fez uma afirmação que é decisiva para a compreensão dos problemas dramáticos por que passa a Igreja: “Jesus anunciou a vinda do Reino de Deus, mas o que veio foi a Igreja”. Realmente, não se pode dizer que Jesus fundou a Igreja. Jesus é o fundamento da Igreja, mas não o seu fundador”.

O que o Borges quer dizer com o trecho “não se pode dizer que Jesus fundou a Igreja”, é a negação da veracidade dos Evangelhos — no caso vertente, o Borges pretende afirmar a negação de Mateus 16, 18:

“E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra1 edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Aborrece-me que esse senhor ande por aí, nos me®dia, a nulificar o catolicismo “a bem do Cristianismo”; e mais me aborrece que a hierarquia da Igreja Católica portuguesa se acobarde perante a acção da avantesma, e se cale.

Quem não reconhece a legitimidade dos Evangelhos sinópticos não tem o direito de falar em nome de Jesus Cristo.


Escreve o hipócrita:

“Foi essa fé que moveu Jesus, realizando, por palavras e obras, o Reino de Deus, o Reino da fraternidade, da paz, da solidariedade e da verdadeira liberdade, para todos, a começar pelos mais frágeis, abandonados, pobres, aflitos, marginalizados, desprezados, desvalorizados… Para Deus,
todos valem infinitamente
”.

O hipócrita Borges está preocupado com “os mais frágeis” e, segundo o estupor, “para Deus, todos valem infinitamente”. Mas quando aconteceu o referendo do aborto em 2007, o “sacerdote católico” Anselmo Borges declarou-se a favor da legalização do aborto (ver ficheiro PDF).

A invocação da ciência para legitimar o aborto é um acto falacioso, porque a ciência não tem certezas. Por exemplo, quando estuporado escreveu em 2007:

Antes da décima semana, não havendo ainda actividade neuronal, não é claro que o
processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não
se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção da gravidez levada a cabo nesse
período”.

Hoje, a ciência já diz que a actividade neuronal começa às 5 semanas — e não às 10 semanas, como escreveu o estuporado em 2007.

Por isso, verificamos que não devemos utilizar a ciência com a certeza de uma fé, como parece ser a tese da referida avantesma. E uma vez que a ciência não nos dá certezas, devemo-nos abster de a instrumentalizar em casos de discussão ética em que esteja em causa a vida e/ou a morte.

A noção de “verdade” não pertence à ciência; e a “certeza” proíbe, em princípio, a dúvida — sendo que a dúvida é a condição da ciência.

Em ética, utilizamos “valores”, e não “certezas científicas” que podem ser anuladas a breve trecho.

As “certezas científicas” também foram utilizadas pelos nazis quando classificaram a superioridade da raça alemã: em boa verdade, o estupor Anselmo Borges não anda longe da mentalidade naturalista que presidiu ao III Reich.

A tentativa de legitimação do aborto é eticamente insuportável.

Uma pessoa pode naturalmente errar (e arrepender-se), mas o erro não deixa de ser erro, só porque a ciência actual afirma uma qualquer “verdade” que amanhã pode deixar de ser.

IGREJA-DO-CHICO-WEB

O padreco sem vergonha faz parte da igreja do Bergoglio (vulgo “papa Chico”) que, em vez de absolver os pecadores (como sempre fez a Igreja Católica), passou agora a absolver os pecados — a mesma igreja do Chiquinho que pretende que “perdoar” seja negar que houve delito.

E é de uma hipocrisia infinita que alguém defenda um qualquer grau de legitimidade do aborto ao mesmo tempo que afirma que, “para Deus, todos valem infinitamente”.


Nota
1. “Pedro” é a tradução grega (que surgiu mais tarde) do nome aramaico “Kepha” que significa “pedra”ou “rocha”, sendo que a palavra “Kepha” era utilizada como nome próprio, no tempo de Jesus.

O libertarismo não é uma alternativa viável à ditadura do politicamente correcto

O Alberto Gonçalves escreve o seguinte:

“A ideia [a dos novos puritanos, politicamente correctos actuais] é estabelecer um quadro das regras que devem regimentar a humanidade, e de seguida catar exemplos de violação das regras. Por fim, convém punir os prevaricadores”.


“O liberalismo prega o direito do indivíduo à sua auto-degradação, sempre que a sua auto-degradação não estorve a auto-degradação do vizinho”Nicolás Gómez Dávila 

Quando o Alberto Gonçalves faz a crítica de um determinado “quadro politicamente correcto das regras que devem regimentar a humanidade”, o que ele pretende estabelecer é um determinado quadro alternativo de regras que devem regimentar a humanidade que seja deferente do “quadro das regras politicamente correctas que devem regimentar a humanidade” — porque se alguém afirma algo ou faz uma crítica, está convencido que a sua afirmação ou crítica estão correctas e que todos devem corroborar essa opinião.

Convém dizer que — em todas épocas, ao longo da História — sempre existiu uma qualquer cultura “politicamente correcta” (a cultura preponderante em uma determinada época histórica, que tem sempre um “quadro de regras”); o problema consiste no facto de essa cultura politicamente correcta entrar (ou não) em confronto radical com a Natureza Humana e, consequentemente, com aquilo a que os medievais (por exemplo, S. Tomás de Aquino) e os iluministas (por exemplo, Wolff) chamaram de “jusnaturalismo”.

A negação (mais ou menos radical) da Metafísica não deixa de ser uma forma de metafísica.

Por exemplo: quando a ideóloga socialista e feminista Isabel Moreira escreveu que “o Direito deve ser, felizmente, antinatural”, revela o epítome da evolução cultural e histórica do liberalismo (por favor ler o livro “¿Porque Está a Falhar o Liberalismo?”, para melhor se compreender a evolução da decadência do liberalismo contemporâneo).

A negação da importância da influência da Natureza e do Cosmos, na organização humana, é uma característica dos gnósticos [ou “puritanos”] de todas as épocas.

Em resumo: a crítica racional ao politicamente correcto actual não se pode escorar no libertarismo (por exemplo, o libertarismo do Alberto Gonçalves), porque o libertarismo é uma das causas da decadência actual do liberalismo.

“A mentalidade liberal nunca entende que os horrores que a espantam são o lado avesso das falácias que ela admira”.Nicolás Gómez Dávila 

A alternativa viável ao conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) do politicamente correcto actual — que nega a importância da influência da Natureza e do Cosmos na organização social  — é um outro conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) que tenham em devida conta a importância da Natureza e do Cosmos na Natureza Humana (por exemplo, através do jusnaturalismo e conceito jurídico aristotélico de equidade).

A crítica ao politicamente correcto actual, que não lhe aponte uma alternativa viável, é uma nova edição da Teoria Crítica.