“A usura ou empréstimo a juros é um roubo. Ainda que os bancos acelerem a economia.”
→ A pobreza pode acabar em Portugal se os bancos forem taxados pesadamente
Os frades franciscanos, apóstolos da pobreza, foram os primeiros teóricos da riqueza. Foram os franciscanos, praticantes da pobreza radical, que em nome do justo uso e da liberdade de contratar, justificam as práticas de enriquecimento da sociedade do início do século XIV (estamos no tempo de Filipe, o Belo, em França, da sua querela política com o Papa Bonifácio, e da extinção da Ordem dos Templários).
O prémio de seguro de risco (aplicado no comércio, por exemplo, mas também nas propriedades privadas) foi “inventado” pelos frades menores franciscanos no século XIII (os “Fratelli”), e os templários utilizavam taxas de juro na suas transacções financeiras na Europa do mesmo século.
A defesa da proibição da taxa de juro era apenas uma corrente ideológica mais radical (desde Santo Ambrósio, no século V, até S. Bernardo, no século XV) da Igreja Católica, que não era unânime.
No século XV, os frades católicos italianos fundaram uma instituição bancária de nome Monti di Pietá, que abriu várias sucursais em cidades italianas. É desta instituição italiana Monti di Pietá que adveio o nome do Banco Montepio. Diziam os frades italianos que, uma coisa é uma pessoa particular emprestar dinheiro a juros a outra (o que envolve uma relação entre indivíduos), e outra coisa, diferente, é a criação de uma instituição financeira (os Monti di Pietá) impessoal, destinada a financiar a economia em geral e em termos impessoais.
Eu não sou contra os impostos aplicados aos Bancos — pelo contrário. Apenas não concordo que os juros bancários, se sendo comedidos e dentro de certos limites racionais, possam ser considerados “roubo”.



