Donald Trump é uma ameaça ao Direito Internacional

A coberto da guerra ao narcotráfico, Donald Trump prepara-se para deitar as manápulas ao petróleo da Venezuela. A promessa eleitoral de Trump segundo a qual ele não iniciaria qualquer nova guerra vai já por água abaixo.

Depois de invadir e ocupar a Venezuela, Donald Trump irá invadir e ocupar a Gronelândia.

Os Estados Unidos são hoje um espelho invertido da antiga URSS que desrespeita sistematicamente o Direito Internacional, e Donald Trump é hoje tão perigoso para a ordem internacional quanto o é Putin.

A diferença entre Donald Trump e Putin é praticamente nula.

É preciso reformar a União Europeia; ou acabar com ela

A Cristina Miranda faz aqui uma crítica à União Europeia. Embora eu esteja genericamente de acordo com a crítica, gostaria de colocar aqui uma frase de Nicolás Gómez Dávila:

“O pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se. O pensamento progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”.

1/ A União Europeia caminha hoje (metaforicamente, “entre duas filas de enforcados”) entre injustiças simétricas, a ver: por um lado, Donald Trump e o seu ódio visceral à União Europeia, a quem acusa de querer destruir os Estados Unidos; e por outro lado, a Rússia, que pretende destruir a União Europeia para reconstruir o velho império russo.

Portanto, a União Europeia está a ser objectivamente acossada por duas potências militares de nomeada.

Perante este acosso, a União Europeia tem duas soluções: ou se desintegra — que é o que deseja ardentemente uma certa elite trumpista aliada a Putin —, ou se defende através de mecanismos políticos que, por vezes, não são consensuais e até podem ser controversos (como podemos ver através da opinião da Cristina Miranda).

Quando a Cristina Miranda critica a União Europeia pelo “caso recente da Roménia, com eleições anuladas e candidatos detidos”, ela não mencionou a claríssima interferência da Rússia nas ditas eleições — porque “o pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se”. O pensamento da Cristina Miranda paralisa-se porque não “caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”.

A alternativa preconizada pela Cristina Miranda (face à Rússia) seria a dissolução progressiva da União Europeia, cumprindo assim os critérios de “justiça” do liberalismo que ela preconiza. É uma solução negativa (a dela). Aplica-se aqui a célebre frase de Edgar Morin:

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

→ Edgar Morin (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)

Ou o liberalismo europeu se nega, aqui e ali e pontualmente, ou a União Europeia é destruída. Pelo que se vê, a Cristina Miranda defende a sua destruição.

2/ A Cristina Miranda tem razão em três pontos: a) a protecção da União Europeia em relação ao lóbi radical climático (os melancias), b) o fomento por parte da União Europeia da Ideologia de Género na cultura, nas escolas e nos me®dia, e c) a imigração em massa patrocinada pela União Europeia.

Contudo, não nos esqueçamos que estes três aspectos nefastos foram importados dos Estados Unidos.

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  • O Aquecimentismo é um fenómeno cultural anglo-saxónico por excelência baseado em pseudo-ciência e no relativismo próprio do Pós-estruturalismo.
  • A Ideologia de Género também tem origem anglo-saxónica e é uma tentativa neomarxista (marxismo cultural) de levar a igualdade entre seres humanos ao nível do absurdo — não nos esqueçamos que em nome de uma estratégia supostamente infalível para promover a justiça e a igualdade, milhões morreram em dezenas de revoluções socialistas que, em última análise, sempre falharam. 

    A vida é o lugar das hierarquias; só a morte é democrata.

  • A imigração em massa, promovida por uma certa elite composta pela maçonaria irregular que controla ideologicamente a política e os me®dia, é própria de uma sociedade pós-revolucionária cujas elites abominam os conceitos de “nação” e de “fronteiras”. Podemos falar de simbiose entre o Pós-Trotskismo, por um lado, e, por outro lado, a utopia da “Paz Perpétua” de Kant.

A única forma de combater estes três vectores negativos da política da União Europeia é através do voto na Direita que exclua partidos patrocinados pela Rússia de Putin e Dugin — como é o caso da AfD (Alternative für Deutschland) na Alemanha, ou o partido francês da Marine Le Pen, ou ainda o partido de Viktor Órban na Hungria.

Continuamos, aqui, a caminhar entre duas filas de enforcados: num dos lados, a Esquerda utopista e pós-estruturalista que comanda actualmente os destinos dos países da União Europeia; e, por outro lado, a Direita russófila (de Dugin e Putin, aliados a Trump) que pretende claramente a destruição da União Europeia.

What Marcus Tullius Cicero told us about Donald Trump

“A nation can survive its fools, and even the ambitious. But it cannot survive treason from within. An enemy at the gates is less formidable, for he is known and he carries his banners openly.

But the traitor moves among those within the gate freely, his sly whispers rustling through all the alleys, heard in the very halls of government itself. For the traitor appears not traitor, he speaks in the accents familiar to his victims, and he wears their face and their garments, and he appeals to the baseness that lies deep in the hearts of his fellowmen.

He rots the soul of a nation, he works secretly and unknown in the night to undermine the pillars of a city, he infects the body politic so that it can no longer resist.

A murderer is less to be feared.”

— Marcus Tullius Cicero (Roman orator and statesman, circa 45 B.C.)

cicero vs trump

A Traição do Alasca

Donald Trump é um ignorante, em geral. Ortega y Gasset tinha razão acerca da ética pragmatista inventada nos Estados Unidos, e que ainda hoje norteia ignorantes americanos como o Donald Trump.

Em termos de conhecimento da História, Donald Trump é uma nulidade; um zero à esquerda. Donald Trump é intelectualmente sofrível. Provavelmente, o nome de Neville Chamberlain não lhe diz nada: Donald Trump só tem noção do que comeu ontem, e dos peidos que deu hoje.


Em 1938, aconteceu a Conferência de Munique, em que participaram Hitler, Mussolini, o primeiro-ministro francês Édouard Daladier, e o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain.

Depois da Conferência, Neville Chamberlain solicitou uma audiência a Adolfo Hitler nos seus (deste) aposentos privados, ao que este anuiu com alguma complacência. Nesta audiência, Hitler assinou um papelito encorrilhado que dizia “Acordo Anglo-germânico” com três parágrafos, em que se classificada o Acordo de Munique como sendo “um símbolo do desejo dos nossos povos de não entrar em guerra nunca mais”. E Hitler assinou o papelito sem pestanejar.

Neville Chamberlain quis apaziguar a besta nazi, cedendo à Alemanha 20% do território da Checoslováquia, com o compromisso de Hitler não anexar mais território deste país.

Três meses depois da Conferência de Munique, a Eslováquia transformou-se em um Estado fantoche da Alemanha de Hitler; meio ano depois, toda a Checoslováquia fazia parte do III Reich. Onze meses mais tarde, Hitler invadiu a Polónia e deu início à II Guerra Mundial.

Os paralelismos entre Donald Trump e Neville Chamberlain são evidentes, mas vão para além do óbvio.

Chamberlain tinha a desculpa da recente I Guerra Mundial, e qualquer coisa lhe parecia melhor do enviar meio milhão de jovens para a morte nas trincheiras francesas. Donald Trump não tem essa desculpa. O ignorante americano está disposto a oferecer a Putin 20% do território ucraniano só para satisfazer o seu próprio ego. Neste sentido, Donald Trump é incomparavelmente pior do que Neville Chamberlain.

Não há nenhuma razão militar, geopolítica, ou de qualquer outro tipo que justifique apagar oitenta anos de Direito Internacional.

Putin não respeitou qualquer acordo assinado pela Rússia e por ele próprio, desde a sua chegada ao Poder. Desde o Memorando de Budapeste, não houve nenhum Tratado, Acordo, ou Pacto com Putin que este não tenha limpo o cu utilizando os respectivos papelitos encorrilhados.

Antes e depois da anexação da Crimeia, e antes da invasão do Donbass, a Ucrânia e a Rússia tiveram centenas de encontros e reuniões, cujo resultado final foi a brutal invasão de Putin em 2022.

A verdade é só uma: o expansionismo — seja o de Hitler, seja o de Putin — só se apazigua fazendo-lhe explodir uma bomba nas fuças.

A Europa — entendida como um todo, e não só a Ucrânia — está à mercê de um idiota americano extravagante com menos estaleca intelectual do que um menino do Burkina Fasso.

Os historiadores da Chéquia e da Eslováquia classificam o Acordo de 1938 como “Traição de Munique”. Na Europa actual e na Ucrânia, teremos a “Traição do Alasca” como início de uma repetição da História. Tomara que eu esteja enganado.

Viktor Órban, o agente de Putin

Uma das importantes diferenças entre o partido VOX espanhol e o partido CHEGA português, é o de que o VOX é financiado pelo regime de Putin, através do amigo deste, Viktor Órban da Hungria. Que eu saiba, isto não acontece com o CHEGA.

Ou seja, o VOX é um partido anti-europeísta — o que não acontece com o CHEGA. Qualquer semelhança entre os dois partidos é mera coincidência. Ou deveria ser.

Na actual conjuntura internacional, em que parece imperar escandalosamente a lei do mais forte, por um lado, e por outro lado prevalece o desprezo pelo Direito Internacional subsequente à II Guerra Mundial, ser anti-europeísta é ser estúpido.

O VOX é um partido auto-contraditório: por um lado, aceita dinheiro de Putin; por outro lado, diz que é um partido nacionalista, “ignorando” que Putin financiou a intentona catalã de 2017, e que Putin até ofereceu 10 mil soldados para ajudar a defender a nova república catalã.

O partido VOX é uma anedota.

Isto não significa que tenhamos que concordar com tudo o que vem da União Europeia: o CHEGA, não sendo um partido anti-europeísta, tem contudo manifestado publicamente muitas críticas em relação à Comissão da União Europeia liderada pela sra Ursula von der Leyen.

Dos 27 países da União Europeia, o único que votou contra o apoio à Ucrânia foi a Hungria de Viktor Órban.

Não se trata, aqui, de opinião diferente, por parte de Viktor Órban: trata-se de apoio claro a um inimigo (Putin) dos países ocidentais que abertamente se declarou como tal; trata-se da assunção do papel de quinta-coluna que, por razões ideológicas, pretende destruir a própria União Europeia actuando por dentro desta.

Viktor Órban apoia claramente os inimigos dos interesses de Portugal enquanto nação.

O partido CHEGA está profundamente dividido em relação à Ucrânia

A esmagadora maioria da base do partido CHEGA (simpatizantes) apoia a luta do povo ucraniano contra a invasão de Putin, contra a cumplicidade putinista e expansionista de Viktor Órban, e desaprova o alinhamento claríssimo e irracional de Donald Trump com Putin.

Porém, dentro da estrutura partidária (militantes do partido) do CHEGA, a realidade é diferente.

trump-putin-webA nomenklatura do CHEGA divide-se em 1/ apoiantes da Ucrânia e de Zelensky, 2/ apoiantes de Viktor Órban, Putin e de Donald Trump, 3/ e os que se mantêm em silêncio.

Na segunda categoria temos, por exemplo, um anão que foi diplomata e é hoje deputado do CHEGA: é um apoiante claro de Viktor Órban e, concomitantemente, apoiante disfarçado do cripto-comunista revisionista Vladimir Putin.

Outro exemplo é o deputado do CHEGA João Tilly, que não esconde o seu fascínio pelo Viktor Órban e por Putin; mas há mais deste tipo de tropa…!

Dos que mantêm o silêncio nesta matéria estão, por exemplo, Pedro Pinto, Rui Paulo Sousa, André Ventura, Bruno Nunes, Diogo Amorim, entre outros. É um silêncio ensurdecedor.

Dos que apoiam a luta do povo ucraniano pela liberdade estão, por exemplo, a Rita Matias, o Pedro Frazão, Filipe Melo, Rodrigo Taxa, Rui Afonso, Gabriel Mithá Ribeiro, entre outros.

Se eu fosse opositor ao CHEGA, exploraria profusamente esta fraqueza deste partido.