Donald Trump deveria preocupar-se com a liberdade no seu país

Donald Trump e J. D. Vance, e o resto da tropa MAGA (Make America Great Again), dizem que não existe liberdade de imprensa na União Europeia.

Na classificação mundial da liberdade de imprensa de 2025, os Estados Unidos ocupam o lugar 57 entre 180 países, atrás da África do Sul (27), da Jamaica (26), da Namíbia (28), Cabo Verde (30), Costa Rica (36), Timor-Leste (39), Gabão (41), Tonga (46) ou Gana (52).

Os Estados Unidos de Donald Trump não têm moral nem autoridade para criticar a liberdade de imprensa na União Europeia: 14 países do TOP 20 da lista com maior liberdade de imprensa são países da União Europeia.

Donald Trump deveria preocupar-se com a liberdade nos Estados Unidos, cada vez mais ameaçada pela sua prepotência e autoritarismo bacoco.

Nietzsche, o “Untermensch” raquítico, enfezado, apoucado, mesquinho, que criou o “Super-homem”

Nietzsche foi um homem franzino e raquítico que só “admirava homens militares” (sic, Bertrand Russell). Para Nietzsche, quem não fosse militar e guerreiro não lhe merecia respeito.

nietzsche webOra, foi este Nietzsche, que teve um caso incestuoso com a própria irmã, que critica a defesa da existência do livre-arbítrio no ser humano: naturalmente que, para ele, fornicar com a própria irmã não dependia da sua própria vontade, mas de uma espécie de determinismo que ele não podia controlar. É o mesmo argumento dos “gays já nasceram assim”: há muito de Nietzsche no movimento político LGBTQPBBQ+

Nietzsche começa a mixórdia literária com um plural majestático — “Nós somos indulgentes” — e acaba por se contradizer orgulhosamente, quando pretende julgar e castigar os “teólogos” que, segundo ele, julgam e castigam: alegadamente, os teólogos são culpados (segundo Nietzsche) porque querem encontrar culpados na Humanidade.

A ausência de livre-arbítrio dá muito jeito a quem defende, por exemplo, a prática da pedofilia e, no caso de Nietzsche, do incesto. Faz lembrar aquele pedófilo que argumenta perante o juiz:

“Sr. Dr Juiz! Eu não tenho culpa! A culpa de eu ter “comido” a criancinha é dos meus genes!”

Com Nietzsche, a situação é semelhante: a culpa de ele ter “comido” a própria irmã é dos seus (dele) genes! O livre-arbítrio (no ser humano) não é para aqui chamado; é mentira de “teólogos”.

Faço minhas as palavras de Bertrand Russell acerca de Nietzsche :

“Detesto Nietzsche … porque os homens a quem admira são conquistadores cuja glória é a perícia de matar homens. (…) Nietzsche despreza o amor universal”.

E foi este “Untermensch” raquítico, enfezado, apoucado, mesquinho, quase anão, que criou o “Super-homem” que ajudou a formar o nazismo…


Se olharmos para o nosso passado e reflectirmos sobre ele, parece-nos que existiu um determinismo na nossa acção, na medida em que esse passado não pode ser mudado; mas se olharmos exclusivamente para o nosso presente e para o que queremos fazer a partir de agora, verificamos que de facto somos providos de livre-arbítrio [liberdade].

O ser humano não está totalmente submetido ao determinismo das leis da natureza; e por isso é que as ciências sociais falham invariavelmente.

Mário Machado preso por três anos por causa de uma piada no Twitter

É necessário saber o nome da juíza que condenou Mário Machado a 3 anos de prisão por este ter exercido o seu direito à liberdade de expressão — neste caso de uma simples expressão irónica.

Essa juíza tem que ser “marcada”.

O que se está a passar em Portugal é uma tentativa de copiar o absurdo brasileiro que judicializou a política de tal maneira que a liberdade de expressão se encontra seriamente comprometida. Por isso é que essa juíza tem que ser afastada compulsivamente. Vá para casa lavar a loiça.

Queremos juízes imbuídos de senso-comum, que saibam distinguir uma opinião irónica — que foi por toda a gente, no Twitter, entendida ironicamente —, por um lado, de um apelo à violência, por outro lado. Se a juíza em causa não sabe (ou não quer saber) fazer essa distinção, terá que ser afastada do sistema judicial. Nem que a vaca tussa!

Rawls e Nozick: duas faces da mesma moeda

Na Idade Média, as pessoas mais pobres andavam pelas ruas e mercados das cidades europeias, e abordavam os nobres e os artesãos ricos, rezando pela salvação das almas dos seus interlocutores. Em troca, os mais ricos e favorecidos ofertavam dinheiro a esses pobres que rezavam pela salvação das almas deles. Podemos dizer que era uma troca soteriológica (John Bossy, 1985).

Nesta troca, não havia caridade hipócrita — que é, em geral, a caridade hipócrita dos actuais católicos: havia uma permuta séria de serviços. Rezar pela salvação da alma de outrem era uma actividade levada muito a sério.

Ficou célebre a imagem, pintada por El Greco, de S. Martinho montado a cavalo, partilhando a sua capa com um pobre.

Com a revolução burguesa de 1779, desaparece o simbolismo de Deus que impele à coesão social.

Martinho El Greco webO Renascimento, o Aufklärung e a Tecnocracia, são filhos indiscutíveis do Cristianismo — mas são filhos que se vão progressivamente sinistrizando à medida que o esquecimento do pecado original se entranha na remanescente esperança cristã. Deste esquecimento do pecado original, surgem Rawls e Nozick, duas faces da mesma moeda, de que a professora Helena Serrão fala aqui.

Chamamos de “Era Liberal” aos quatro séculos que durou a liquidação das liberdades medievais.

A liberdade burguesa é sonho de escravos: o homem livre, propriamente dito, sabe que necessita de amparo, de protecção, de ajuda de Deus.

O prestigio da liberdade, na actual sociedade (de Nozick) que professa um determinismo científico, é um resquício cristão. Um libertário moderno é uma contradição com pernas: para abusar da sua liberdade, o libertário necessita de se converter a doutrinas deterministas. O ser humano só se submete aos seus demónios quando acredita ceder a uma espécie de decreto divino.

Para Nozick e para os libertários, “amante da liberdade” é pseudónimo do egoísta.

A liberdade não é um fim em si mesma, mas antes é um meio. Quando os libertários tomam a liberdade como um fim, não sabem o que fazer dela quando a obtém; e é então que se implanta uma tirania qualquer. Entendido como ideal supremo, a liberdade é o primeiro passo em direcção a um niilismo final.

Em Rawls, o determinismo é a ideologia das perversões humanas: as filosofias deterministas pretendem salvar a dignidade humana com ideias e práticas que diluem e esfumam as teses que proclamam. O determinista Rawls atribui à liberdade política um vigor que surpreende um fervoroso partidário do livre-arbítrio. Em boa verdade, a liberdade contemporânea de Rawls não é senão o produto de um ajuste imperfeito entre as peças da maquinaria social tecnocrática.

Eu tenho direito a ser racista

direito a ser racista

Eu tenho direito a ser racista. Ser racista é um direito privado que me assiste, em função da minha liberdade íntima e pessoal. O que eu não posso, segundo o Código Penal (Art.º 240), é alardear o meu racismo pela comunidade e/ou instigar à violência.

reservado-direito-de-admissaoTenho todo o direito de desligar o telefone, se do outro lado da linha me falam em pretoguês. A minha língua é o português, e não o pretoguês. Tenho todo o direito a ser racista no aprimoramento da minha língua.

A minha língua não é a língua brasileira.

Tenho todo o direito de não alugar um apartamento a quem não me agrada. Alugar um apartamento é um acto de liberdade: o Estado não tem nada a ver com o facto de eu alugar, ou não, um apartamento.
A minha escolha do inquilino é subjectiva: por exemplo, eu posso não gostar do cheiro a catinga. Não gostar do cheiro a catinga é um direito que me assiste em função da minha liberdade. Não sou obrigado a aguentar a catinga dos outros.

No meu estabelecimento comercial, existe o direito de admissão. Tenho todo o direito a limitar a “baderna brazuca” dos sambinhas” dançados e cantados, que incomodam os outros clientes.

“Sambinha” e “Kuduro” é a puta que os pariu! ¿Viu?!

A Helena Damião utiliza Kant para negar Kant

Dois dos paradoxos do Pós-modernismo são a legitimação racional da Contradição (Estimulação Contraditória e Compartimentação), por um lado, e a redução de toda a realidade a “construções sociais”, por outro lado.

Dou um exemplo: em Espanha, um vasto grupo de jornalistas, afectos ao Partido Socialista espanhol, publica um manifesto contra a liberdade de imprensa… mas, alegadamente, em nome da defesa liberdade de imprensa! É a legitimação racional da Contradição (Estimulação Contraditória e Compartimentação) como estratégia política.

Outro exemplo da cultura pós-modernista é o da Helena Damião, que defende aqui, alegadamente, o conceito de Liberdade e de Educação, segundo Kant, mas ocultando dos leitores a importância do indivíduo na filosofia de Kant, por um lado, e a importância da disciplina no conceito de Educação de Kant, por outro lado.

Para Kant, a disciplina é a parte negativa da educação ; e a instrução é a parte positiva da Educação.

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo, tal como a do pai para com os filhos, quer dizer, uma governo paternal (imperium paternale), no qual, por consequência, os súbditos, quais filhos menores, incapazes de decidir do que para eles é verdadeiramente útil ou prejudicial, são obrigados a comporta-se de maneira unicamente passiva, a fim de esperar apenas do juízo do Chefe de Estado o modo como devem ser felizes, e apenas da sua bondade que ele igualmente o queira — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber ”.

→ Kant, “Teoria e Prática”, 1793, II, p. 31


Ora, o socialismo (a Esquerda em geral) que a Helena Damião defende é a antítese do conceito de “liberdade” e de “educação” defendida por Kant. Para a Esquerda, a escola pública deve “educar” as crianças, substituindo-se aos pais. Ora, é este tipo de escola pública que a Helena Damião chama de “instituição maravilhosa”.


A partir de Rousseau, “a educação transformou-se num instrumento da política, e a própria actividade política foi concebida como uma forma de educação”.

→ Hannah Arendt, “Entre o Passado e o Futuro”, 2006, pág. 186).

“Porque a criança tem necessidade de ser protegida contra o mundo, o seu lugar tradicional é no seio da família.”

(idem, pág. 196)

(…)

“A própria responsabilidade alargada pelo mundo que a educação assume, implica, como é óbvio, uma atitude conservadora.”

(ibidem, pág. 202)


Chegou o momento de substituir o conceito de Ministério da Educação pelo de Ministério da Instrução, como aconteceu na Primeira República (Leonardo Coimbra foi ministro da Instrução).

A educação é competência dos pais e/ou família; a instrução é competência da escola pública — sendo que “escola pública” não tem que ser necessariamente “escola estatal”: as escolas privadas também são públicas.

Erich Fromm e a liberdade do medo

“Nas sociedades tradicionalistas são talvez os Mortos que mandam; nas sociedades democráticas, porém, é a Morte que manda.”

→ Fernando Pessoa


Temos aqui um texto publicado pela professora Helena Serrão, da autoria do marxista cultural e judeu Erich Fromm, um dos fundadores e seguidores da Escola de Frankfurt. Tal como o judeu Herbert Marcuse, o judeu Erich Fromm fugiu da Alemanha nazi e levou o seu inferno ideológico para os Estados Unidos.


“Só nas épocas de decadência e de esgotamento social, quando o valor humano do indivíduo se abate e o seu dinamismo social afrouxa, pode uma doutrina altruísta (socialista) criar raízes na alma popular.”

→ Fernando Pessoa


Eu não concordo em quase tudo com Erich Fromm;

  • por exemplo, não concordo com a ideia de Fromm segundo a qual o instinto, no ser humano, vai desaparecendo com o incremento do “processo de individuação”; Erich Fromm ganharia alguma coisa se tivesse lido Fernando Pessoa, Leonardo Coimbra, Antero de Quental, ou Henri Bergson (segundo Bergson, a intuição é o instinto que no ser humano se tornou desinteressado, consciente de si próprio, capaz de reflectir sobre o seu objecto ― é o retorno consciente da inteligência ao instinto. No ser humano, a ordem natural é essa conjugação consciente entre a inteligência e a intuição. Defender esta ordem natural do ser humano é a coisa mais racional do mundo), ou mesmo a fenomenologia de Husserl.

  • ou que a “liberdade humana” significa “independência em relação às leis da Natureza”: estas duas noções, oriundas do marxismo cultural (por exemplo, Adorno, Marcuse, Wilhelm Reich, Erich Fromm), envenenaram o pensamento académico português e solidificaram-se ideologicamente nas elites políticas portuguesas depois do 28 de Abril de Mil Novecentos e Troca o Passo.


“O socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.

É esta a razão por que, sem querer mas sabiamente, a Natureza fez o Homem construir o privilégio. (…) Bem diziam os homens da Idade Média, concebendo a liberdade, não como um direito, mas como um privilégio.”

→ Fernando Pessoa, “Cinco Diálogos Sobre a Tirania”, Obras em Prosa, Tomo III, edição do Círculo de Leitores, 1975.


O homem moderno — por exemplo, um intelectual académico de alto coturno, altamente “individualizado” — reage da mesma forma, a um terramoto, que um outro homem, da idade da pedra: borrando-se todo!


“Revolucionário ou reformador — o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.”

→ Fernando Pessoa, Livro do Desassossego


O conceito de “individuação” (ou “processo de individuação”, como escreveu Fromm), utilizado pelo judeu Erich Fromm, tem origem na escolástica medieval: o Princípio de Individuação, é o princípio da Escolástica em virtude do qual uma categoria do Ser se singulariza numa realidade única ou singular – por exemplo, no indivíduo Orlando Braga. Portanto, neste aspecto, não há nada de novo em Erich Fromm.

A União Europeia pidesca censura as redes sociais

Até 2022, era o Twitter que censurava opiniões por Motu Proprio. A partir do momento em que Elon Musk tomou conta do TwitterX, a censura deixou de existir por lá — excepto nos casos previstos na lei criminal americana.

Perante a liberdade de expressão no TwitterX, os burocratas da União Europeia entraram em pânico; e trataram de impôr a censura legal à moda da P.I.D.E., em assuntos tão banais como informação acerca da imigração.

A União Europeia aproxima-se, a passos largos, do regime totalitário chinês (sinificação).

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A Isabel Moreira defende a censura de opinião do cidadão por parte do Estado

Se há pessoa odiosa e odienta, é a Isabel Moreira; representa praticamente tudo o que de mau existe na sociedade pós-moderna. É uma pessoa que diz combater o ódio, odiando patologicamente; é uma sociopata que contribui activamente para a construção de uma sociedade com uma cultura antropológica que retira o sentido-de-vida aos jovens, substituindo esse sentido-de-vida por um princípio abstracto e ideológico de “igualdade” exarado em uma norma jurídica.

Porém, ninguém em Portugal tem a coragem de a contradizer, para não se revelar nela a bruxa odienta que já vimos na televisão. Abrenúncio! Vade Retro Filia Satanas!

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isabel-moreira-85210-webTodas as intervenções públicas e/ou publicadas da criatura, sem excepção, destilam o ódio do demo em nome da “igualdade” — o ódio exercido pelos “progressistas”, em nome de uma estratégia supostamente infalível para promover a justiça e a igualdade que matou milhões em dezenas de revoluções socialistas fracassadas.

O ódio da estuporada tem um principal objectivo: castrar a liberdade individual, criar uma sociedade de emasculados que obedeçam caninamente a um Estado leviatão  — em nome de uma putativa luta pela “igualdade”. A estratégia é demoníaca: para coarctar a liberdade, defende a censura da opinião através da lei; e sabemos todos que, quando a lei não é a forma jurídica dos costumes, torna-se num atropelo à liberdade.

A condição necessária e suficiente do despotismo é o desaparecimento de todo tipo de autoridade social não conferida pelo Estado. Reformar a sociedade por intermédio de leis é o sonho daquela estúpida avantesma, e é o preâmbulo de toda a tirania. O controlo da linguagem é o primeiro passo para qualquer forma de totalitarismo. É esta a estratégia política diabólica daquele estafermo. Puta-que-pariu!

A “neutralidade liberal” é uma grande treta, a maior aldrabice da modernidade

“Também como Rawls, Nozick termina seu livro representando a sociedade justa como moralmente libertária ao extremo, negando implicitamente a legitimidade de leis que proíbem práticas como a prostituição e a venda de drogas viciantes.”

Uma aproximação do pensamento de Nozick a Rawls.


alianca liberal webRecentemente, o liberal Carlos Guimarães Pinto (do partido IL [Iniciativa Liberal]) escreveu no Twitter que, em Portugal, os imigrantes indostânicos condutores de táxis (TVDE) não deveriam ser obrigados a falar a língua portuguesa. Ou seja: para o Carlos Guimarães Pinto, “os portugueses que se f*dam!”

Temos aqui um exemplo de uma pretensa “neutralidade” do Estado liberal que age em nome de uma alegada defesa da liberdade individual — uma “liberdade individual” radical que provoca, na sociedade, uma anomia e uma atomização social que, mais tarde, conduzirá inexoravelmente a uma qualquer formação de massa totalitária (Hannah Arendt).

neutralidade-liberal-webEm uma sociedade em que não exista um paradigma maioritária- e geralmente aceite do que é a “vida boa” (vida boa = postulado de orientação ética e moral, e de sentido de vida) que oriente o indivíduo e o colectivo, só lhe resta a busca frenética pelo interesse próprio e um utilitarismo exacerbado. Rawls (liberal de esquerda) e Nozick (libertário de direita) são defensores deste tipo de sociedade. O Carlos Guimarães Pinto obedece caninamente ao último dos dois.

Mas esta neutralidade ética e moral dos liberais e dos libertários é uma treta — como bem demonstraram MacIntyre e Sandel. A invocação (liberal) de neutralidade ética e moral do Estado é uma forma que os liberais encontraram de colocar em causa a legitimidade de um determinado paradigma cultural (clássico), na tentativa de impôr à sociedade um outro paradigma cultural, diferente mas disruptivo, e em nome de uma determinada concepção de “progresso” — uma concepção ideológica romântica da História que entende o progresso como uma lei da Natureza.

Neste contexto, o Estado liberal também não é eticamente neutro. Por exemplo, Michael Sandel [“Liberalism and the Limits of Justice”] defende a ideia de que o Estado não deve intervir no tema do aborto se se demonstrar ser verdadeira a doutrina moral que concebe o aborto como um assassínio. Ou seja, a neutralidade do Estado acerca do aborto só é admissível se se demonstrar que o aborto não é um assassínio e, por conseguinte, neste contexto o Estado deverá deixar o indivíduo exercer o direito ao aborto.

Esta aparente neutralidade do Estado liberal/libertário em relação a um paradigma clássico de “vida boa” é liberticida, embora agindo paradoxalmente em nome da liberdade — porque ignora as restrições que a liberdade deve impôr a si própria para não se auto-destruir. Por exemplo, a mentalidade liberal igualitarista da socialista Isabel Moreira nunca entenderá que os horrores modernos que a ela repugnam são o [lado do] avesso das falácias que ela admira.