O paradoxo da tolerância, de Karl Popper

O paradoxo da tolerância, de Karl Popper — exposto aqui pela professora Helena Serrão — pode ser interpretado ipsis verbis como o princípio da “tolerância repressiva” do marxista Marcuse e da Escola de Frankfurt: tudo o que vem da Esquerda deve ser tolerado, e tudo o que vem da Direita não deve ser tolerado.

Por isso é que o paradoxo da tolerância de Karl Popper é extremamente perigoso, e está na génese do Wokismo actual e dos puritanos actuais.

novos puritanos web


A tolerância é um princípio da razão que assenta sobre a ideia do exame livre tendo em vista a procura da verdade.

O que acontece é que o exame livre (da realidade) tendo em vista a procura da verdade está a ser colocado em causa por uma elite, e em nome da “tolerância” — muitas vezes, os que reivindicam para si mesmos o epíteto de “tolerantes” são os que proíbem ou inibem a procura racional da verdade: são os novos puritanos.

A repressão política arbitrária em nome da “tolerância” é extremamente perigosa, e liga Karl Popper à Escola de Frankfurt e/ou a George Soros.

Isto deveria ser ensinado na disciplina de filosofia.

A ciência, a filosofia, e o gongorismo académico

Em relação a este texto no Porta da Loja:

1/ A filosofia consiste na procura da verdade, o que pressupõe que a verdade existe. Podemos dizer que a filosofia aspira a ser “a ciência dos postulados não-arbitrários”.

ortega-y-gasset-webFoi esta procura filosófica da verdade que impulsionou a ciência, o que é uma característica da civilização grega, e europeia em geral — “enquanto os gregos inventavam a Ciência, os chineses dominavam Técnica” (mutatis mutandis, Ortega y Gasset, in “¿Que es Filosofía?”).

A diferença entre a ciência e a filosofia é, basicamente, a de que as proposições da ciência são verdadeiras ou falsas — porque são juízos falsificáveis em relação a factos existentes —, ao passo que os enunciados filosóficos são autênticos ou apócrifos, porque são juízos de significação.

A verdade de uma proposição (científica) é sempre hipotética, e apenas a sua falsidade é experimentalmente constatada — ao passo que a autenticidade de um enunciado (filosófico) é passível de corroboração, mas a sua natureza apócrifa apenas é supositiva (hipotética).

O critério científico é o da experimentação, que pode falsificar, mas que não verifica; o critério da filosofia é o da experiência, que pode confirmar, mas que não refuta. Não podemos nunca garantir a eternidade de uma proposição científica, nem assegurar que um enunciado filosófico já terá perdido totalmente a sua validade.

Também porque são diferentes, a ciência e a filosofia complementam-se. São duas bases do “tripé” que procura a verdade. A terceira base do tripé é a teologia.

O erro, e o acto de errar, fazem parte da procura da verdade.

Neste sentido, uma qualquer filosofia que negue a existência da Verdade (como é o caso da teoria relativista de Nietzsche), cai em contradição — porque se a verdade não existe, a filosofia (assim como a ciência) deixam de fazer sentido lógico. Trata-se, neste caso, de uma filosofia errada.

Todas as teorias ditas “filosóficas” que não partam do princípio do reconhecimento da existência da Verdade, são falsas — assim como todas as teorias científicas procuram a verdade através de um processo de falsificação.

Similarmente, a “ciência” está cheia de erros — como é o caso, por exemplo, do Lysenkoísmo, que foi uma manipulação política da ciência por parte de Estaline, e que pode ser comparada à actual Ideologia de Género que se serve de uma “ciência anti-experimental” para prosseguir uma determinada agenda ideológica e política.


karl popper web2/ Os professores de filosofia olham para o filósofo com uma superioridade de adulto.

Em um texto/carta publicado na década de 1960, Karl Popper desanca nos académicos e nos ditos “intelectuais”.

«Aquilo que designei mais atrás por “pecados contra o espírito santo” — a arrogância dos pretensamente instruídos — é a verborreia, o pretensiosismo de uma sabedoria que não possuímos. A fórmula é a seguinte: tautologias e trivialidade condimentadas com o absurdo paradoxal. Uma outra receita é escrever em estilo empolado, dificilmente inteligível, e juntar, de quando em quando, uma ou outra banalidade: agrada ao leitor que se sente lisonjeado por encontrar, numa obra tão “profunda”, reflexões que ele próprio já tinha feito.

(…)

Quando um estudante entra na universidade, não sabe quais os critérios que deve adoptar. Assim, aceita os critérios que lhe são propostos. Uma vez que os critérios intelectuais da maior parte das escolas filosóficas (e muito em particular, na sociologia) toleram o gongorismo e a arrogância (todas essas pessoas parecem saber imenso), algumas boas cabeças são completamente afectadas. E os estudantes a quem o falso pretensiosismo da filosofia “dominante” irrita, tornam-se, com razão, detractores da filosofia. E convencem-se, sem razão, que tais pretensiosismos são próprios da classe dominante”, e que seria, então, preferível uma filosofia de influência marxista.»

Mais adiante, Karl Popper dá exemplos do gongorismo académico, como é o caso de Habermas:

«

[citação de ensaio de Habermas]

A totalidade social não tem vida própria acima do que é por ela concatenado, e de que ela própria é constituída.

Ela produz e reproduz-se através dos seus momentos singulares.

Tão pouco é de dissociar esse todo da vida, da cooperação e do antagonismo do individual (…) »

A tradução simplificada de Karl Popper:

« A sociedade é constituída por relações sociais.

As diferentes relações sociais produzem, de qualquer modo, as sociedades.

Entre essas relações encontra-se a cooperação e o antagonismo; e uma vez que (como já foi dito) a sociedade é constituída por tais relações, não pode ser dissociada delas.»

Karl Popper não tinha razão, em relação ao bi-partidarismo

Karl Popper defendeu acerrimamente o sistema bi-partidário na democracia representativa — como acontece, por exemplo, em Inglaterra, nos Estados Unidos e na Austrália. O argumento de Karl Popper era o de que o sistema de apenas dois partidos (que se alternam no Poder) dá maior estabilidade política e governabilidade — aliás, este foi um dos temas de uma conferência realizada em Lisboa por Karl Popper, a convite do então P.M. Mário Soares (não me lembro agora da data, mas foi na década de 1980).

imperio mundial do dinheiro webPorém, o sistema bi-partidário (definido pelo sistema de votação) fazia muito sentido na década de 1980, mas já não faz tanto sentido hoje, como podemos ver no que se está a passar em países como a Austrália, a Nova Zelândia, Reino Unido e mesmo nos Estados Unidos, quando os dois partidos do regime estão de acordo em relação à construção de um regime político repressivo, em que grande parte dos anseios da maioria da população são ignorados.

A aproximação do PSD de Rui Rio (e de Pacheco Pereira) ao Partido Socialista do monhé Costa está, em tudo, relacionada com uma tentativa de “australização” do regime político português; mas essa “australização” saiu “furada” com o aparecimento do partido CHEGA.
Resta agora ao Rui Rio e ao monhé alterar o sistema de votação português.

Nos países chamados de “anglo-saxónicos” (Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Canadá Nova Zelândia), caracterizados por sistemas de votação que favorecem o bi-partidarismo (de alternância no Poder), os dois partidos de Poder estão totalmente controlados pelos agentes do globalismo plutocrata — ou, como diz Olavo de Carvalho, pelos agentes do “império mundial do dinheiro”.

Neste sentido, Donald Trump foi considerado persona non grata pelo próprio partido republicano americano; Donald Trump ganhou as eleições com o voto do povo, mas não com o apoio das elites do seu próprio partido.
De facto, nos Estados Unidos, o partido republicano, por um lado, e o partido democrata, por outro lado, estão de acordo em quase tudo — incluindo na política de ausência de fronteiras e imigração massiva e sem qualquer controle fronteiriço.

Na Austrália, os dois partidos de alternância no Poder chegaram a um acordo, que consiste em instituir um regime orwelliano e submetido caninamente ao “império mundial do dinheiro”, em substituição da democracia representativa propriamente dita. O mesmo se passa (em graus diferentes) na Nova Zelândia, e mesmo no Reino Unido.

Depois da ditadura sanitária — ou seja, depois da ditadura do controlo sanitário covideiro —, virá o controle monetário que gerará a rarefacção ou mesmo desaparecimento do dinheiro vivo em circulação; depois virá o controlo de acesso à Internet por intermédio da identificação numérica individual. No fim da linha repressiva, só restará ao povo o recurso à violência contra a classe política, para defender a liberdade.

fosforos em cadeia web

Em Portugal, o fenómeno do “encolhimento” eleitoral do Bloco de Esquerda (e previsível “encolhimento” da facção da Isabel Moreira no Partido Socialista de Sócrates, da Fernanda Câncio, do Ascenso Simões e do monhé Costa) tem a ver com a tentativa de afastamento do Cristianismo da praça pública, para se instituir “um regime que se lambuza gostosamente na merda e no mijo” da ética e da moralidade. É a isto que chamamos (também) de “marxismo cultural”.

O método de Hondt português permite o fácil aparecimento de novos partidos que contrariem o monopólio bi-partidário do Poder , como é o caso do partido CHEGA.

Jason Brennan e o Pragmatismo, contra a democracia representativa, e a favor do fascismo chinês

Estou a acabar de ler o livro “Contra a Democracia”, do “filósofo” americano Jason Brennan, em que o referido autor pretende convencer-nos de que a democracia representativa não é o melhor dos sistemas políticos. O referido livro foi publicado em 2016 pela universidade esquerdista de Princeton, e republicada (em português) em 2017 (1ª edição) e em 2020 (2ª edição) pela editora dirigida pelo Guilherme Valente.

against_democracy-webEu não tinha percebido por que razão Karl Popper não emigrou para os Estados Unidos, depois da segunda grande guerra, em uma época em que a emigração para os Estados Unidos era a “coqueluche” mundial, e até os membros da Escola de Frankfurt emigraram para este país; Karl Popper preferiu ficar em Inglaterra. E hoje percebo por quê: a maioria dos “filósofos” americanos é fortemente influenciada pelo Pragmatismo, enquanto doutrina. E o Jason Brennan não escapa à regra.

O Pragmatismo é um utilitarismo radical, exacerbado, levado até às suas últimas consequências possíveis.

Esta doutrina (o Pragmatismo) é produto da afirmação absolutista do darwinismo na cultura intelectual e antropológica do fim do século XIX; e, por outro lado, ela é também fruto das teorias físicas do mesmo século, onde as hipóteses científicas eram apreciadas e valorizadas em função da sua comodidade e utilidade.

Segundo o Pragmatismo (em que se inclui o “filósofo” Jason Brennan), quando uma determinada ideia é útil para a acção (política) e está de acordo com a realidade, então segue-se que essa ideia é verdadeira — o que é um absurdo completo: Ortega y Gasset, desde muito cedo no século XX, “malhou” no Pragmatismo.

Ou seja: para Jason Brennan (como para os pragmaticistas, em geral), a verdade deve ser encarada ou concebida em função do nosso desejo de acção, e não em função da reprodução do “real” exterior relativamente ao ser humano. Isto significa que, segundo o Pragmatismo, se o nosso desejo de acção for em um determinado sentido, todas as ideias que fundamentem esse nosso desejo de acção estão automaticamente justificadas e podem ser consideradas verdadeiras.

É neste contexto pragmaticista que o Jason Brennan defende a ideia segundo a qual “a democracia representativa não é necessariamente o melhor sistema de organização política”.

O conceito de “filósofo americano” é um oxímoro: a esmagadora maioria dos ditos “filósofos” são influenciados pelo Pragmatismo, que é uma anti-filosofia. Nos Estados Unidos, só os pensadores influenciados por uma qualquer religião se podem considerar “filósofos”, na medida em que estendem o conceito de “universo” para além dos satélites artificiais.

São esses mesmos “filósofos” pragmaticistas (e auto-denominados “progressistas”, e “liberais de esquerda”) que defendem hoje a legitimidade do regime fascista chinês — como o faz, por exemplo, o Guilherme Valente. Para o Pragmatismo, a verdade é um programa de acção que resulta do nosso desejo: é a criação, pelo homem, de uma verdade a partir de uma razão que “cola” à experiência, e tem como critério único a sua eficácia na acção.

Ou seja: para os pragmaticistas, “se o fascismo chinês funciona bem, em termos práticos, e é eficaz na sua acção política, então segue-se que o regime fascista chinês é bom”.

A diferença entre o multiculturalismo, por um lado, e o interculturalismo, por outro lado

As ideias de Karl Popper têm sido (em geral) adulteradas e manipuladas, não só (malevolamente) pela Esquerda declaradamente marxista, mas também idiota- e principalmente pelos chamados “liberais”.

Por exemplo: quando Karl Popper defendeu positivamente a convivência entre culturas diferenciadas — por exemplo, a convivência entre as diferentes culturas que se cruzaram no império austro-húngaro — que se reflectiam na cultura vivaz da cidade de Viena do princípio do século XX, Karl Popper não quis defender o multiculturalismo (como é, assim, alegado pelos ditos “liberais”); e isto porque a convivência entre culturas diferentes do império austro-húngaro foi sinónimo de uma claríssima superioridade social da cultura e língua de origem alemã — de tal forma que, ainda hoje, a língua alemã é correntemente falada na Hungria.

Ou seja:

  • no império austro-húngaro, “todas as culturas eram iguais”, embora uma delas (a cultura austríaca de origem alemã) fosse “menos igual do que todas as outras”; a predominância cultural, social e civilizacional da cultura de língua alemã era por demais evidente no império austro-húngaro;
  • o multiculturalismo é o igualitarismo cultural, ou seja, a defesa do acantonamento e do isolacionismo das diversas culturas presentes em um determinado espaço político. O multiculturalismo é a antítese do fenómeno social de convivência intercultural que se verificou no império austro-húngaro.

O que se verificou no império austro-húngaro foi um interculturalismo, e não um multiculturalismo.

No interculturalismo, está sempre subjacente uma hierarquia de valores que se reflecte na predominância (comummente aceite pelos intervenientes de todas as culturas em presença) de uma certa cultura em relação às outras, com as quais convive livremente.

No multiculturalismo, as diversas culturas em presença em um mesmo espaço político, acantonam-se e isolam-se, em nome de uma putativa “igualdade” entre elas. Ora, isto (o multiculturalismo) é exactamente o oposto do que defendeu Karl Popper.


karl popperO conceito de “etnocentrismo” — de que nos fala aqui a professora Helena Serrão, citando um relativista ideológico de seu nome Augusto Mesquitela Lima — aplica-se perfeitamente a uma sociedade multiculturalista, embora no sentido negativo (porque existe um etnocentrismo positivo, que é o que promove activamente a coesão do Todo social em uma sociedade étnica- e culturalmente homogénea).

Em uma sociedade dita “multiculturalista” (que não é a mesma coisa que “sociedade multicultural” ou “interculturalista”), existe um etnocentrismo negativo acantonado em cada uma das culturas antropológicas existentes e igualitariamente consideradas em um mesmo espaço político (por exemplo naquilo a que o presidente francês Emmanuel Macron, mas também e agora a Marine Le Pen, chamam de “separatismo islâmico” em França) .

Em suma, existe uma contradição fundamental no texto do tal Augusto Mesquitela Lima citado pela professora Helena Serrão, que consiste em afirmar, por um lado, uma crítica ao etnocentrismo, e, por outro lado, a defesa do relativismo igualitarista inerente ao multiculturalismo — porque uma das características do multiculturalismo é precisamente o exacerbar do etnocentrismo enquanto recusa de incorporação de uma das culturas no Todo social e político.

Numa sociedade interculturalista (por exemplo, a do império austro-húngaro), não existe o relativismo cultural defendido pelo Mesquitela, na medida em que existe uma hierarquia nas culturas em presença. E o multiculturalismo é a recusa dessa hierarquia entre culturas.

A posição ideológica do Mesquitela reflecte a ideia grega dos sofistas, segundo a qual “o homem é a medida de todas as coisas”; mas, ainda assim, o Mesquitela entra em contradição fatal (passo a citar um trecho do referido texto):

“A posição relativista (cultural) não significa, de forma alguma, que todos os sistemas de valores, todos os conceitos de bem e de mal, assentem sobre areias tão movediças que não haja necessidade de uma moral, de formas de comportamento estabelecidas e aceites, de códigos éticos.

Aliás, o relativismo cultural é uma filosofia que aceita os valores estabelecidos em qualquer sociedade, acentuando a dignidade inerente a qualquer desses sistemas de valores e a necessidade de tolerância em relação a eles, embora possam diferir dos que adoptamos e pelos quais nos conduzimos. Reconhece ainda a necessidade de conformidade com normas estabelecidas, como condição necessária para a normalidade da vida em sociedade.”

Segundo o Mesquitela, por um lado existe a necessidade da existência de uma ética (que, por definição, tem que ser universal e é imposta a toda a sociedade por uma determinada cultura antropológica); mas, por outro lado, o Mesquitela defende que todas as culturas presentes na sociedade (por mais dispares que sejam, entre si) produzem éticas equivalentes e igualmente dignas de respeito. Isto é digno de um idiota.

The Physical Determinism Nightmare

Lawrence Krauss and Richard Dawkins defend here the theory of “Epiphenomenalism” — the idea that there’s no such thing as “consciousness” (and free will) that is independent from matter.

Karl Popper showed us that the theory of Epiphenomenalism makes no sense if it follows its own presuppositions: if my ideas cannot exist without a physical support, i.e., if my ideas are uniquely products of the chemistry of my brain — then it would not even be possible to discuss the issue regarding “Epiphenomenalism”: this theory (Epiphenomenalism) may not have any possibility to be true, because the eventual evidences that we make out of it are also pure chemistry; and if somebody defends a theory that is contrary to Epiphenomenalism, then he/she should also be correct, as his/her chemistry led him/her to a different conclusion.

Karl Popper calls this logical trap the “physical determinism nightmare”.

O gongorismo coimbrinha do senhor António Figueiredo e Silva

Em uma carta a um editor alemão, Karl Popper escreveu o seguinte:

(…)

«[o intelectual] tem o dever de transmitir aos seus concidadãos (ou “à sociedade”) as suas ideias de forma mais simples, mais clara e mais sóbria possível. (…) Quem não for capaz de se exprimir de forma clara e simples, deve permanecer calado e continuar a trabalhar até conseguir a clareza de expressão.

(…)

a arrogância dos pretensamente instruídos é a verborreia, o pretensiosismo de uma sabedoria que não possuímos. (…) Uma outra receita é escrever em estilo empolado dificilmente inteligível, e juntar de quando em quando uma ou outra banalidade: agrada ao leitor, que se sente lisonjeado por encontrar, numa obra tão “profunda”, reflexões que ele próprio já tinha feito.

(…)

Quando um estudante entra na universidade, não sabe quais os critérios que deve adoptar. Assim, aceita os critérios que lhe são propostos. Uma vez que os critérios intelectuais (…) toleram o gongorismo e a arrogância (todas essas pessoas [universitárias] parecem saber imenso), algumas boas cabeças são completamente afectadas. »

Se lermos os textos do senhor António Figueiredo e Silva, em geral, e este texto em particular, verificamos a presença da linguagem gongórica que é própria da universidade coimbrinha.

Em confronto com o gongorismo coimbrinha, a linguagem vernácula popular — a linguagem dos “impropérios” do povo que o senhor António Figueiredo e Silva critica — tem, pelo menos, a virtude de ser facilmente entendível pelos cidadãos em geral, e de não pretender parecer um “saber imenso”.