O André Ventura terá que ter algum cuidado com a escolha das palavras:
“O partido (CHEGA) deve defender não só a identificação das comunidades subsídio-dependentes, onde estão localizadas, qual é a prevalência da subsídio-dependência, qual é o nível de subsídio-dependência, porque na verdade somos todos nós que estamos a pagar isso, como deve ter uma espécie de cadastro ou de identificação étnica ou racial“.
Segundo o dicionário, “cadastro” também pode significar “registo policial ou judicial de criminosos ou de penas aplicadas”. Para evitar mal-entendidos que a extrema-esquerda logo aproveita, seria desejável que o André Ventura evitasse a utilização da palavra “cadastro”, neste contexto.
Por outro lado, o André Ventura comete um erro: a subsídio-dependência é um problema cultural, e não necessariamente um problema racial. Existe subsídio-dependência em comunidades de brancos (por exemplo, nos bairros sociais da cidade do Porto).
O problema da subsídio-dependência não é propriamente um problema “étnico-racial”, mas é sobretudo um problema cultural — ou é característica de micro-culturas de pequenas comunidades.
A partir do momento em que o Estado substitui a capacidade de iniciativa e de auto-organização da sociedade civil, surge a subsídio-dependência. É um problema cultural.




