Os ciganos têm que cumprir a lei

O Ludwig Krippahl aplica aqui a “lógica” do empirismo científico à política. Explico por quê.

Volto ao Princípio da Falsificabilidade, de Karl Popper. Vejamos a frase: “Todos os cisnes são brancos”. Esta proposição, entendida em si mesma, não pode ser objecto de investigação científica; a proposição só pode ser objecto da ciência se se verificar a existência, por exemplo, de um cisne preto. De igual modo, a proposição “todos os deuses falam grego” não pode ser objecto de investigação científica, a não ser que se verifique (ver “verificação”) a existência de um deus que fale, por exemplo, latim.

Ou seja, a ciência parte da “categorização da realidade”; a ciência divide os objectos da realidade em categorias empíricas para depois obter leis gerais. Esta “categorização da realidade” é fundada na indução — que é, também, a inferência conjectural ou não-demonstrativa, por exemplo, “eu induzo a presença de um cão se ouço ladrar”; a indução é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos empíricos particulares.

A indução é o raciocínio por analogia que não tem, em si mesmo, um valor formal (matemático); mas a analogia é segundo Platão, “o mais belo de todos os nexos” e é indispensável à ciência.

É claro que nem toda a área científica se pode fundar na indução: por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais é, em si mesmo, um princípio geral que não pode ter sido estabelecido indutivamente. Mas, regra geral, a indução (e a inferência) é a base da investigação científica.

Notem bem, aqui, a noção de “regra geral”.

A “categorização da realidade”, através da indução / inferência, implica necessariamente a generalização. Não é possível categorizar os objectos da realidade sem generalizar; e não é possível a investigação científica sem a categorização.

Por exemplo, quando alguém diz que “os ciganos têm que cumprir a lei”, eu sei que esta proposição é baseada na indução, e, por isso sei que, necessária- e logicamente, há ciganos que cumprem a lei.

Não está em causa a verdade segundo a qual “há ciganos que cumprem a lei”. A questão, aqui, é o de saber quais são as dimensões relativas das duas categorias: a categoria dos “ciganos que cumprem a lei”, e a categoria dos “ciganos que não cumprem a lei”.

O Ludwig Krippahl reflecte assim o raciocínio acima mencionado:

“Dizer que os homens têm de ser menos violentos, ainda que possa ofender algum, reflecte uma preocupação legítima porque temos acesso a dados que mostram que os homens cometem a maior parte dos crimes violentos. Nem todos os homens violam a lei mas a correlação é significativa e é legítimo apontá-la”.

Quando dizemos que “os homens têm que ser menos violentos”, isso não significa que “todos os homens são violentos”: estamos apenas a seguir a indução que nos revela que uma determinada percentagem alta (verificada) de homens são violentos.

O tribunal que censurou os cartazes do André Ventura segue os princípios “woke” anticientíficos da Esquerda pós-modernista (ou pós-estruturalista). É um tribunal político e ideológico, e por isso, anticientífico. A posição anti-científica (ou cientificista, que vai dar no mesmo) da Esquerda pós-estruturalista já foi bastamente estudada e não deixa dúvidas.

Finalmente: partindo de um pressuposto objectivo e correcto, o Ludwig Krippahl descamba depois com insinuações subjectivistas acerca do eventual “racismo” de André Ventura.

Ou seja: segundo o Ludwig Krippahl, o André Ventura tem razão, mas não tem razão.

É preciso que o povo saiba o nome da juíza que julgou André Ventura

A inimputabilidade irresponsável dos juízes tem os dias contados. Os juízes têm que ser responsabilizados pelas suas decisões arbitrárias e pelos seus (muitos) actos gratuitos.

ciganos acvima da lei web

Muitas das decisões de juízes são salazarentas e bafientas na sua formalização (mas não necessariamente na sua substância). Nas suas decisões judiciais, a maioria dos juízes impõe à sociedade  a sua (deles) liberdade absoluta, próxima da liberdade da indiferença.

Isto tem que acabar.

A vontade dos juízes de provar a sua (deles) liberdade absoluta por intermédio de um acto político sem móbil constitui em si mesmo um móbil de violência política.

A decisão puramente subjectiva da juíza que julgou o caso dos “posters” dos ciganos, é um acto perpetrado em função de um capricho, embora um capricho reflectido e pensado, representando o exercício de um arbítrio total.

O objectivo do acto gratuito da juíza é o de afirmar uma liberdade total contra o Direito e contra os direitos da maioria, contra toda a moral e mesmo contra a Razão. Temos que saber o nome da juíza.

André Ventura: “Portugal pertence à O.T.A.N., mas não muito…”

Segundo depreendi das palavras de André Ventura de ontem, Portugal deverá permanecer na O.T.A.N., mas se um país da organização for atacado pela Rússia, Portugal não terá nada a ver com isso.

Ou seja, segundo Ventura, Portugal está na O.T.A.N.; mas não está na O.T.A.N..

A posição de André Ventura em relação à Ucrânia não é muito diferente da posição de Marine Le Pen, da AfD (Alternative für Deutschland) e de Viktor Órban; e é muito diferente da posição de Giorgia Meloni, por exemplo.

A pequena diferença entre André Ventura, por um lado, e Viktor Órban ou Marine Le Pen por outro lado, é que o primeiro diz que está solidário com a Ucrânia, embora conclua que não está solidário com a Ucrânia — ao passo que os dois últimos dizem que são claramente a favor da Rússia e contra a Ucrânia. A diferença é uma questão de retórica.

A posição do André Ventura em relação à possibilidade de haver tropas europeias da O.T.A.N. na Ucrânia é um NIN: é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal.

Nota: O Portugal de Salazar foi neutral na II Guerra Mundial, mas foi antes de entrar na O.T.A.N..

Os me®dia e o Sistema já condenam o debate de ideias

Não é por acaso que o radical trotskista Daniel Oliveira se sente bem no semanário Expesso: aquilo é um fojo, um covil, guarida de malfeitores.

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Não tarda nada e veremos os me®dia a defender publicamente a legitimidade do regime de Putin. Já faltou mais.

“Demagogia” e “populismo” são os vocábulos que os ditos “democratas” de pacotilha empregam quando a democracia os assusta. A corrupção ideológica do sistema vigente atingiu um nível tal que se legitima agora o fim do debate político.

Na escola de Platão, a democracia repugnava porque (naquele tempo) esta negava a autonomia dos Valores — e não (como diz o idiota) por uma putativa ameaça à verdade.

Pelo menos desde Platão que os “intelectuais” defendem a ideia de que o povo deve ser governado discricionariamente por uma elite, e independentemente da vontade popular — não obstante Karl Popper ter bastamente demonstrado que, ao longo da História, os povos têm errado menos do que as elites governantes.

Defender a legitimidade racional da República de Platão só pode vir de um deficiente cognitivo do quilate do Henrique Raposo.

A retórica cultural substitui hoje a retórica patriótica, nas efusivas expectorações dos tontos como o Henrique Raposo. E partem sempre do princípio de que o povo é tonto.

Temos hoje uma classe social elitista (ruling class) que governa despoticamente de uma forma insidiosamente dissimulada, ao mesmo tempo que defende sub-repticiamente a construção política e social da ausência de classes sociais. Gente como o Henrique Raposo são os lacaios dessa ruling class.

O argumento segundo o qual “o André Ventura não é católico”

Os me®dia e os jornaleiros invocam amiúde a pretensa hipocrisia de André Ventura, alegadamente porque ele vai à missa mas não defende as portas abertas à imigração. Para tal, o jornalixo invoca o papa Chico e o Leão XIV — mas os jornaleiros nunca dizem a verdade: o Estado do Vaticano não acolheu um só imigrante!

Que fique bem claro: nem o Cristianismo nem o paganismo defendem éticas altruístas.

Tanto a moral cristã como a pagã são individualismos éticos que impõem deveres sociais apenas como meios para o aperfeiçoamento individual terreno, tendo em vista a salvação.

O facto de o Estado do Vaticano não ter acolhido um só imigrante diz bem da hipocrisia do Leão XIV. Aqui, o hipócrita não é André Ventura que apenas segue o padrão ético tradicional do Cristianismo: o hipócrita é o Leãozinho, porque defende que se deve fazer uma coisa e faz outra (bem prega Frei Tomás…!).

Sobre o campanário da igreja moderna, o clero progressista do Leãozinho, em vez de uma cruz, coloca um cata-vento para seguir caninamente o Espírito do Tempo.

A Igreja Católica — até Concílio do Vaticano II — evitou o seu esclerosamento em seita quando pediu ao cristão que exigisse a sua própria perfeição, e não que a exigisse ao seu vizinho. Hoje, a Igreja Católica tende a transformar-se em uma seita.

A angústia da Igreja actual — a do Leãozinho — perante a miséria das multidões obscurece a sua consciência de Deus.

No seio da Igreja Católica actual, existem os “integristas” que são os que não perceberam ainda que o Cristianismo necessita de uma teologia com algumas alterações em relação à teologia tradicional, e existem os “progressistas” que são os que não perceberam que a nova teologia deve ser cristã. O falecido Chico e o Leãozinho fazem parte do grupo dos “progressistas”.

Os idiotas que noutros tempos atacavam a Igreja Católica, são os mesmos que agora se encarregam de a reformar. Há dois séculos para cá que o “Cristianismo primitivo” se acomoda, a cada novo decénio, às opiniões da moda.

Se a Igreja Católica do Leãozinho se converter num partido político (como já está a acontecer), as portas do inferno vomitarão quantos eleitores forem necessários para a submeter. Até ao Concílio do Vaticano II, a Igreja Católica absolvia os pecadores; hoje, a Igreja Católica do Chico e do Leãozinho absolve os pecados.

O Capitão Iglo e a falácia ad Hitlerum

Reductio ad Hitlerum, ou argumento ad Hitlerum, é um termo cunhado pelo (grande) filósofo Leo Strauss em 1951.

 capitao iglo hitler web

O argumento ad Hitlerum é uma falácia lógica (informal) que consiste em tentar refutar a opinião de um seu adversário comparando-o com a opinião que seria alegadamente defendida por Adolfo Hitler ou pelo partido nazi alemão.

O argumento ad Hitlerum é uma forma de ad Hominem ou de ad Misericordiam. O que se pretende, com o uso da falácia ad Hitlerum, é associar a culpa [associação de culpa dos actos de Hitler] ao adversário político. De facto, o argumento ad Hitlerum é uma variação do argumento ad Absurdum utilizado contra o seu adversário político.

Por exemplo:

“Hitler foi um patriota, e portanto o patriotismo é uma forma de fascismo.”

O Capitão Iglo é o que, no Brasil, chamam de “Milico”. Dos dois neurónios de um militar de carreira não pode sair grande coisa.

O anão está acagaçado

nanismo politico web

Os donos da democracia, de quem o anão é um dos porta-vozes, já decidiram que o povo não pode eleger André Ventura para presidente da república.

Para os donos da democracia, a “unidade dos portugueses” é sinónimo de “unanimismo” 1.

Em Portugal impera um certo nanismo moral e político de quem se arroga no direito de impôr ao povo o resultado do voto; ora, este nanismo político é insuportável, nauseabundo: reduz Portugal a uma república das bananas.

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Nota

1. condição do que é unânime, do que é aceite por todos; comunhão de pareceres ou de vontades entre diversas pessoas acerca de uma determinada matéria.

O exercício retórico narcisista do Gabriel Mithá Ribeiro

O ego de Gabriel Mithá Ribeiro é do tamanho do universo; e depois critica o narcisismo dos outros. Senão vejamos a abertura do texto dele (aqui, em PDF):

“A evidência transitou de latente a cristalina quando a causa nobre pela qual me bato há mais de vinte anos, a reforma do ensino, a que sobrava da minha missão de deputado, também foi atingida pela cultura de cancelamento com o anúncio do governo sombra. Foi a derradeira oportunidade que poderia conceder ao predador psicológico André Ventura de anular a minha existência.

Renunciei de imediato ao mandato na Assembleia da República e desvinculei-me do Chega, pois não toleraria a mim mesmo arrastar-me numa das mais escandalosas práticas de parasitismo social e subsídio-dependência, a condição de deputado-joguete nas mãos de um líder narcísico incompatível com qualquer forma de sujeito colectivo, que tratou de destruir os fundamentos de uma instituição sólida que lhe servisse de filtro existencial.”

A criatura escreve em Acordês, pelo que tive que fazer as devidas e necessárias correcções no trecho supracitado.

O Gabriel Mithá Ribeiro filiou-se no partido CHEGA para ser Ministro da Educação (!) — é o que se depreende logicamente da citação supra. Ora, só um ego descomunal se filiaria num partido expressamente para vir a ser ministro.

Pode ser normal acontecer o contrário: um ministro filiar-se no partido que o convidou para o governo; mas um tipo aderir a um partido expressamente para ser ministro revela um ego do tamanho do mundo.

O Mithá Ribeiro considera-se tão importante (o tal ego patológico que ele critica nos outros, em forma de projecção) que ajuizou que o André Ventura quis propositada- e expressamente “anular” a sua (daquele) “existência” (!).

Ou seja, segundo a referida criatura, o André Ventura acordava de manhã a pensar em como tramar o Gabriel Mithá Ribeiro, e deitava-se à noite a pensar neste.

E como o André Ventura não o escolheu para o Governo Sombra — assim como não escolheu o professor João Tilly que teria muito melhores credenciais políticas para o cargo de Ministro da Educação — vai daí, em uma atitude narcísica de primeira água, o Ribeiro desfilia-se do CHEGA e acusa o André Ventura de “narcisismo”.

Em resumo, segundo o Mithá Ribeiro, o André Ventura não seria “narcisista” se o escolhesse para Ministro da Educação do Governo Sombra do CHEGA. O ego da criatura é tão disforme que pretendia mandar no líder do partido.

A táctica do “Pedro Mourinho a falar por cima”

Na entrevista a André Ventura no canal NOW (ver vídeo em baixo), Pedro Mourinho inventou uma nova táctica para lidar com André Ventura: é a táctica do “Pedro Mourinho a falar por cima”, que consiste em uma lengalenga monocórdica em que o Pedro Mourinho faz as perguntas e depois interrompe as respostas do André Ventura com longos comentários da sua própria lavra.

É uma espécie de ruído de fundo permanente com que o Pedro Mourinho pretende confundir André Ventura.

Contudo, André Ventura responde a Pedro Mourinho com a táctica “Álvaro Cunhal”: sejam quais forem as perguntas de Pedro Mourinho, André Ventura responde o que quer, independentemente da pergunta.

De qualquer modo, a táctica “Pedro Mourinho a falar por cima” deveria ser seguida pelos outros canais de televisão; penso mesmo que a CMTV deveria organizar um seminário e convidar a CNN, a SICn, e a RTP3, para disseminar o novo conceito jornalístico revolucionário do “Pedro Mourinho a falar por cima”.