A "Direitinha estercorosa" do João Távora

Convenço-me de que o João Távora é uma criatura desprezível. Aliás, já o suspeitava. É desprezível sobretudo porque escreve acerca de coisas de que não sabe, ou faz de conta que não sabe — o que vai dar no mesmo: “em política, o que parece, é”.

Escreve, ele:

«Acho muito salutar que se discuta a “cunha” e as suas potenciais perversidades numa sociedade que se quer igualitária em direitos e deveres – um mito, como sabemos

Ou seja, para aquela criatura, a luta contra a ilegalidade é um mito que decorre de uma qualquer utopia.

É esta “Direitinha estercorosa” (de que o João Távora faz parte) que se opõe ao CHEGA, e que apoia não só as teses da Esquerda mais radical, mas também as da Esquerda maçónica.


Até ao reinado de Dom Pedro II, que foi o precursor do Absolutismo em Portugal, o Rei concedia privilégios a indivíduos depois de consultadas as Cortes. Nunca, em Portugal, deixou de haver privilégios legais e dignitários desses privilégios. Ou seja, esses privilégios eram legais e até legítimos, na medida em que eram sancionados em Cortes.

Os privilégios concedidos pelo Rei poderiam ser retirados a qualquer momento, se se justificasse por qualquer motivo imperioso. Por exemplo, a traição à Pátria era motivo de retirada de privilégios pelas Cortes.


Nem na Idade Média a concessão de privilégios era ilegal. Mas esta gentalha defende a ideia segundo a qual é legítima a concessão de privilégios ilegais (vulgo “cunha”).

Dou um exemplo: até 2007, os professores descontavam para a Caixa Geral de Aposentações, em vez de descontarem para a Segurança Social. Os professores eram, então, objecto de privilégio por parte do Estado, que lhes foi retirado por José Sócrates com o apoio da “Direitinha estercorosa” liberal de que faz parte o João Távora.

À “Direitinha” liberal (PSD + CDS), incomodava-lhes os privilégios legais dos professores: e por isso juntaram-se a José Sócrates para acabar com a Caixa Geral de Aposentações.

O mesmo fenómeno uniu a “Direitinha” liberal (PSD + CDS) contra o sistema de saúde ADSE que concede privilégios legais (nomeadamente) aos professores. A ADSE tem os seus dias contados, em nome do igualitarismo ilegalista da “Direitinha estercorosa“.

Ou seja, a “Direitinha estercorosa” é contra os privilégios legais, e a favor dos privilégios ilegais.

O fim anunciado do CHEGA

A esmagadora maioria dos votantes do CHEGA é a favor da existência da Ucrânia como país independente, e é contra a invasão militar da Ucrânia pela Rússia de Putin.

Viktor Órban, o primeiro-ministro da Hungria, tem uma posição exactamente contrária à da maioria dos votantes do CHEGA: é contra a existência da Ucrânia como país independente, e é a favor da invasão de Putin, de quem é amigo pessoal.

André Ventura, defende agora a entrada do CHEGA em um novo grupo europeu organizado pelo Viktor Órban. Da minha parte, deixo de votar no CHEGA.

Se considerarmos que a oposição política ao CHEGA irá utilizar o argumento “Viktor Órban é amigo de Putin” para criticar André Ventura, estamos perante o fim anunciado do CHEGA.

Um erro crasso de André Ventura.

O Pedro Arroja e ‘a moral de merceeiro inglês’

O projecto é a mediação do objecto pelo sujeito cognoscente (Gaston Bachelard, 1935).

Aqui, “objecto” é entendido (ou concebido) em termos gerais.


Pedro Arroja, aqui, diz que (em um processo de “projecto”) o “sujeito” se pode transformar em “objecto” — o que vai contra a ética cristã e/ou kantiana, por um lado.

Por outro lado, o conceito de “projecto”, utilizado por Pedro Arroja, vem directamente de Jean-Paul Sartre, que considera o próprio Ser Humano como “projecto” (para além da consciência do sujeito cognoscente), cuja existência no seu todo é dinamizada por uma “escolha original” (sic) a partir da qual o sujeito se constitui livremente (“liberdade”, no sentido existencialista e materialista segundo Jean-Paul Sartre).

O “projecto”, segundo Jean-Paul Sartre, transforma-se na maneira que o Homem tem de responder à situação em que se encontra e, por ventura, de lhe dar significado. É uma visão ateísta e antropocêntrica do ser humano.

Considerar a “pessoa” como um “projecto” é confundir o sujeito e o objecto: nenhum ente pode ser causado pelo seu próprio operar.

Não podemos dizer que “a perna é causada pelo andar”; nem podemos dizer que “a liberdade é causada pelos actos (acção) livres do homem”, da mesma forma que a visão não pode ser a causa do olho. Os actos livres do homem são um efeito, e não uma causa.

“Agimos porque somos livres”, mas “não somos livres porque agimos”. E isto porque a liberdade depende (é causada pela) da vontade do homem escrutinada pela razão.

A ser um “projecto”, a pessoa só pode ser um projecto de si mesma; e, ainda assim, neste contexto, só podemos considerar a pessoa como “um projecto de si mesma” em sentido metafísico — o que não é o caso invocado pelo Pedro Arroja.

A perspectiva da pessoa, de Pedro Arroja, é utilitarista — Karl Marx considerou, e desta vez com razão, o utilitarismo como “a moral de merceeiro inglês”.

A "Direitinha" estercorosa é a favor de privilégios ilegais

Vemos aqui um exemplo da Direita que a Esquerda gosta. Que a Esquerda goste dela, e que ela tolere a Esquerda, é problema que não nos diz respeito. É problema deles. É a “Direitinha Assunção Cristas”.

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O que me chateia, naquele texto, é a defesa da legitimidade da “cunha”:

«Houve “cunhas”? – cumpriu-se então a tradição nacional, somos ainda Portugal.»

Fico enojado com esta “elite”, de uma certa “direita” estercorosa, que tenta, por um lado, justificar o Estado de Direito, mas por outro lado justifica a “cunha”. O problema é que as duas coisas (o Estado de Direito e a “cunha”) não são compatíveis.

Em um Estado de Direito, os privilégios são legais.

Não tenho nada contra os privilégios, desde que sejam legais. O que não podemos ser, é a favor de um Estado de Direito, e, simultaneamente, a favor da existência de privilégios ilegais (“cunhas”).

O conceito de “bom político ladrão”: ele rouba, mas faz obra!

O Henrique Pereira dos Santos acaba por legitimar aqui o conceito do «bom político português: “rouba, mas faz obra!”».

Aliás, este conceito do “bom político ladrão” é o mesmo que reelegeu Lula da Silva, no Brasil; e eu lembro-me de o Henrique Pereira dos Santos criticar a cleptocracia lulista no Brasil. O problema da “Direitinha” é que só legitimiza o conceito de “bom político ladrão” quando o político pertence à “Direitinha”: quando o político é Esquerda? cruzes canhoto!

Só um burro, ou ignorante, não vê que a continuidade de um “bom político ladrão” no Poder, pode alterar decisivamente o decurso da investigação judicial. No caso do Henrique Pereira dos Santos, não é burro nem ignorante; ele apenas faz de conta que não vê, o que faz dele um cínico. E para obnubilar o seu cinismo, acusa quem vê de “populismo judicialista”.

“Populismo” e “demagogia” são termos que a classe política dita “democrata” utiliza quando a democracia a assusta.

O Henrique Pereira dos Santos faz de conta que não existem sinais exteriores de riqueza excessiva e injustificada nos casos dos “bons políticos ladrões” que pertencem à “Direitinha” (seja no caso do Albuquerque, ou no caso do Isaltino) — tudo isto em nome de uma putativa inutilidade de banais e meras “discussões jurídicas” no Supremo Tribunal de Justiça.

É espantoso como esta gente se protege mutuamente, com exercícios académicos de retórica que tentam justificar a institucionalização da corrupção e do nepotismo na política, e, alegadamente, em nome da “democracia”.

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O tipo de filho-de-puta que sustenta este sistema político

o balsemao nunca mais morre

Segundo estes filhos-de-puta, o facto do Monhé das Cobras mentir no parlamento, não é importante. O que é importante, para estes filhos-de-puta, é que se apanhou o monhé a cagar (ou seja, a mentir) — o que nunca deveria ter acontecido.

É preciso dizer a estes filhos-de-puta que o primeiro-ministro não pode mentir numa CPI ! Mentir na CPI é crime!