Discurso de André Ventura a propósito da Constituição de 1976

Eu era adolescente quando a Constituição de 1976 congeminou o PREC [Processo Revolucionário em Curso]. Ainda assim, sou testemunha viva de que o que André Ventura diz, no seu discurso, é verdadeiro.

Com esta Constituição, passámos de uma ditadura para uma ameaça séria de implantação de um regime totalitário que, por definição, conseguiria ser pior do que a ditadura do Estado Novo.

Após várias revisões / remendos politicamente correctos, a Constituição de 1976 manteve contudo os seus traços anti-liberdade, até aos nossos dias. Vai ser preciso rever esta Constituição, extirpando dela as influências e componentes “totalitarizantes”.

O CHEGA exige a expulsão do embaixador do Irão

CHEGA EXIGE EXPULSÃO DO EMBAIXADOR IRANIANO DE PORTUGAL

A repressão dos protestos no Irão chegou ao Parlamento português. O CHEGA apresentou uma proposta que recomenda ao Governo a expulsão do embaixador iraniano em Portugal, acusando o regime de Teerão de violar direitos fundamentais e reprimir violentamente manifestações pró-democracia.”

Porém, eu nunca vi, da parte do CHEGA, a defesa da expulsão (por exemplo) do embaixador da Rússia — o embaixador do regime de Putin que ameaça militarmente os países vizinhos (não só invadiu a Ucrânia, mas ameaça militarmente os países bálticos e a própria Finlândia) e a União Europeia em geral.

Parece que, para o CHEGA, há dois tipos de ditaduras: a ditadura má (Irão) e a ditadura boa (Rússia).

Eu não consigo perceber uma certa Direita que adula o regime de Putin — a Direita comandada por Donald Trump e Viktor Órban, com extensão ao VOX espanhol e a Marine Le Pen em França.

Não é uma Direita conservadora: em vez disso, é uma Direita revolucionária (ver mente revolucionária).

A indignação do liberal Henrique Pereira dos Santos com a falta de “liberdade de contratação”

Trabalhei numa empresa têxtil na década de 1980 cujo patrão tinha muitas estórias contadas pelos empregados mais antigos. Um exemplo de uma estória recorrente que me contaram: a do felatio (vulgo “broche”) como castigo para as operárias.

Foi admitida uma nova operária, “boa como o milho”, casada e com filhos; e, vai daí, o patrão deu ordens ao senhor Brites, que era o chefe de produção: “Ó Brites!, castiga-a!”.Mas castigo-a por que razão?”, retorquiu o Brites. “Inventa qualquer razão!” — responde o patrão.

Assim, o Brites castigou a operária “boa como o milho” por “dá cá aquela palha” com uma suspensão e ameaça de perda do posto de trabalho; mas o patrão, magnânimo e benevolente, mandou chamar a operária ao seu gabinete para uma entrevista para se evitar o despedimento.

Era aí que o patrão confrontava a operária “boa como o milho”: “ou me fazes um broche, ou és despedida”. Naturalmente que a operária tinha uma família, marido, e filhos para sustentar.

É este tipo de Portugal que os liberais, o PSD e o CDS de Henrique Pereira dos Santos muito subliminarmente defendem. E como o CHEGA se opõe à decadência moral do patronato em nome de uma putativa “liberdade de contratação”, o Henrique Pereira dos Santos indigna-se.

Em caso de dúvida “Woke” acerca da sua inocência, mata-se o suspeito

O leitor, se for minimamente inteligente, perceberá por que razão surgiu o fenómeno “Donald Trump”: uma autocracia disfarçada — a do politicamente correcto “”Woke”” que temos na União Europeia — clama por outra autocracia de sinal oposto — a do movimento MAGA (Make America Great Again).

O argentino Gianluca Prestianni, jogador do Benfica, foi suspenso pela UEFA: antes mesmo de qualquer investigação, o sistema político “Woke” vigente parte imediatamente do princípio de que o branco é necessariamente criminoso e o negro é sempre a vítima. Os negros são sempre considerados as vítimas imaculadas: são todos uns anjos.

Basta ao negro apontar o dedo ao branco, e este está imediatamente f*d*do. É como aquele movimento “Woke” chamado de “ME TOO”: basta a uma mulher acusar um homem de qualquer malfeitoria e este vai logo bater com os costados na pildra.

Por estas e por outras é que surgiu o fenómeno “Donald Trump” nos Estados Unidos.

As pessoas aperceberam-se de que existe um novo tipo de racismo, desta feita contra os brancos e contra as suas raízes culturais e históricas. Eu não concordo em quase tudo com o Donald Trump, mas entendo a natureza do fenómeno MAGA (Make America Great Again).

Por exemplo, no jogo do passado fim-de-semana entre o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães, a polícia proibiu a exibição de um cartaz, por parte dos adeptos do Braga, que continha os seguintes dizeres em latim:


“Antes de lhe ser dado um nome, já havia terra./ Antes de ser cidade, já havia povo./ Das gentes antigas nasceu Bracara Augusta,/ onde as armas, a lealdade e a terra se tornaram uma só”.

bracara augusta web

Vai daí, a polícia decidiu que o cartaz era “fascista” e confiscou-o; mas não disse por que razão o cartaz seria “fassista”; talvez por exibir uma cruz templária: a estaurofobia tomou conta das nossas instituições públicas e políticas. Entre os políticos que temos, impera o horror à cruz.

A polícia não percebeu o que estava escrito no cartaz, em latim; mas, pelo sim pelo não, confiscou o cartaz mesmo sem saber por quê.

O mesmo se passa com a UEFA: mesmo sem saber se o pretinho da sorte brasileiro falou verdade, puniu imediatamente o branco. Punir o branco sem razão está na moda; proibir a divulgação das raízes culturais e históricas dos brancos é um imperativo racista das elites que nos governam.

Por isso é que o Donald Trump se torna legítimo (infelizmente).

Todo o mundo, hoje e em Portugal, é de Esquerda! Que alívio!

Eu tenho andado arredio da blogosfera, essencialmente num período de reflexão, mas também por assombro face aos recentes acontecimentos nacionais e internacionais. Por vezes dá a sensação de que entrei numa espécie de Twilight Zone, em uma realidade nebulosa, semi-opaca, em que não se enxerga a Razão e a Lógica.

Por exemplo, quando verifiquei o apoio explicito de todos os partidos políticos portugueses (com excepção do CHEGA) a um candidato presidencial socialista, senti que toda a minha opinião política, desde os meus 18 anos, deixou de fazer sentido, como se o meu mundo político tivesse desabado.

Eu sempre pensei que havia uma Direita portuguesa; mas a verdade é que nunca houve Direita em Portugal: há, sim, partidos que, circunstancialmente, “fecham” a Esquerda à direita desta. Ser de Direita, em Portugal, é pertencer à dinâmica radical da Esquerda que esgaça a Janela de Overton.

A actual aliança entre os dois partidos do Rotativismo no sentido de censurar as redes sociais corrobora a ideia segundo a qual todo o governo é autenticamente de Esquerda se mantém uma polícia política. A actual Direita portuguesa nada mais é do que uma Esquerda desejosa de digerir em paz.

Todo o mundo, hoje e em Portugal, é de Esquerda! Que alívio!

No plano internacional, assisto, atónito, à irracionalização sistemática da política conduzida pelo estertor dos Estados Unidos enquanto líder mundial.

Por vezes fico tão estupefacto com as noticias me®diáticas que fico tolhido no meu raciocínio: é como se me dissessem que a ciência chegou à conclusão de que 2 + 2 = 25: toda a estrutura lógica desaba em nome de uma irracionalidade vencedora e imbatível. Aplica-se, aqui, o pensamento progressista segundo o qual a “lógica evolui”: ora, a “evolução da lógica” levou à sua própria negação.

Há quem diga que o mundo voltou ao século XIX; mas não é verdade: voltamos à Idade do Ferro.

O partido CHEGA está a mentir em relação ao Acordo União Europeia / Mercosul

Podemos ver aqui uma deputada do CHEGA a dizer que o acordo com o Mercosul irá destruir a agricultura portuguesa. Ora, isso é falso.

A União Europeia adoptou medidas de protecção dos produtores europeus, a ver:

Quotas de importação estritas:

  • na carne de bovino, só serão importados 99.000 toneladas por ano, ou seja, 1,5% da carne produzida na União Europeia durante 1 ano;
  • na carne de aves, só serão importados do Mercosul 180.000 toneladas por ano, ou seja, 1,3% da produção anual da União Europeia;
  • na carne de porco, só serão importados 25.000 toneladas por ano, ou seja, 0,1% da produção anual da União Europeia.

mercosul web

Ademais, a União Europeia dará um apoio financeiro aos agricultores europeus de 45 mil milhões de Euros + outras salvaguardas de importação.

Se estas quotas estritas de importação colocarem em risco o negócio de alguns agricultores, então terá chegado a altura de mudarem de negócio.

Doravante, sempre que o CHEGA mentir, eu virei aqui denunciar a mentira.

Os ciganos têm que cumprir a lei

O Ludwig Krippahl aplica aqui a “lógica” do empirismo científico à política. Explico por quê.

Volto ao Princípio da Falsificabilidade, de Karl Popper. Vejamos a frase: “Todos os cisnes são brancos”. Esta proposição, entendida em si mesma, não pode ser objecto de investigação científica; a proposição só pode ser objecto da ciência se se verificar a existência, por exemplo, de um cisne preto. De igual modo, a proposição “todos os deuses falam grego” não pode ser objecto de investigação científica, a não ser que se verifique (ver “verificação”) a existência de um deus que fale, por exemplo, latim.

Ou seja, a ciência parte da “categorização da realidade”; a ciência divide os objectos da realidade em categorias empíricas para depois obter leis gerais. Esta “categorização da realidade” é fundada na indução — que é, também, a inferência conjectural ou não-demonstrativa, por exemplo, “eu induzo a presença de um cão se ouço ladrar”; a indução é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos empíricos particulares.

A indução é o raciocínio por analogia que não tem, em si mesmo, um valor formal (matemático); mas a analogia é segundo Platão, “o mais belo de todos os nexos” e é indispensável à ciência.

É claro que nem toda a área científica se pode fundar na indução: por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais é, em si mesmo, um princípio geral que não pode ter sido estabelecido indutivamente. Mas, regra geral, a indução (e a inferência) é a base da investigação científica.

Notem bem, aqui, a noção de “regra geral”.

A “categorização da realidade”, através da indução / inferência, implica necessariamente a generalização. Não é possível categorizar os objectos da realidade sem generalizar; e não é possível a investigação científica sem a categorização.

Por exemplo, quando alguém diz que “os ciganos têm que cumprir a lei”, eu sei que esta proposição é baseada na indução, e, por isso sei que, necessária- e logicamente, há ciganos que cumprem a lei.

Não está em causa a verdade segundo a qual “há ciganos que cumprem a lei”. A questão, aqui, é o de saber quais são as dimensões relativas das duas categorias: a categoria dos “ciganos que cumprem a lei”, e a categoria dos “ciganos que não cumprem a lei”.

O Ludwig Krippahl reflecte assim o raciocínio acima mencionado:

“Dizer que os homens têm de ser menos violentos, ainda que possa ofender algum, reflecte uma preocupação legítima porque temos acesso a dados que mostram que os homens cometem a maior parte dos crimes violentos. Nem todos os homens violam a lei mas a correlação é significativa e é legítimo apontá-la”.

Quando dizemos que “os homens têm que ser menos violentos”, isso não significa que “todos os homens são violentos”: estamos apenas a seguir a indução que nos revela que uma determinada percentagem alta (verificada) de homens são violentos.

O tribunal que censurou os cartazes do André Ventura segue os princípios “woke” anticientíficos da Esquerda pós-modernista (ou pós-estruturalista). É um tribunal político e ideológico, e por isso, anticientífico. A posição anti-científica (ou cientificista, que vai dar no mesmo) da Esquerda pós-estruturalista já foi bastamente estudada e não deixa dúvidas.

Finalmente: partindo de um pressuposto objectivo e correcto, o Ludwig Krippahl descamba depois com insinuações subjectivistas acerca do eventual “racismo” de André Ventura.

Ou seja: segundo o Ludwig Krippahl, o André Ventura tem razão, mas não tem razão.

É preciso que o povo saiba o nome da juíza que julgou André Ventura

A inimputabilidade irresponsável dos juízes tem os dias contados. Os juízes têm que ser responsabilizados pelas suas decisões arbitrárias e pelos seus (muitos) actos gratuitos.

ciganos acvima da lei web

Muitas das decisões de juízes são salazarentas e bafientas na sua formalização (mas não necessariamente na sua substância). Nas suas decisões judiciais, a maioria dos juízes impõe à sociedade  a sua (deles) liberdade absoluta, próxima da liberdade da indiferença.

Isto tem que acabar.

A vontade dos juízes de provar a sua (deles) liberdade absoluta por intermédio de um acto político sem móbil constitui em si mesmo um móbil de violência política.

A decisão puramente subjectiva da juíza que julgou o caso dos “posters” dos ciganos, é um acto perpetrado em função de um capricho, embora um capricho reflectido e pensado, representando o exercício de um arbítrio total.

O objectivo do acto gratuito da juíza é o de afirmar uma liberdade total contra o Direito e contra os direitos da maioria, contra toda a moral e mesmo contra a Razão. Temos que saber o nome da juíza.

A Lei 67/2025 ou Lei dos Okupas, e a Direita esquerdista do PSD/CDS

Desde que Paulo Portas se apoderou do CDS (1997), eu sempre disse que “o CDS fecha a Esquerda à direita” — ou seja, a Esquerda tinha e tem um espectro político que vai da extrema-esquerda (Bloco de Esquerda) até ao chamado “centro político” (CDS).

O CDS só foi de Direita com Adriano Moreira e Manuel Monteiro, e talvez com Lucas Pires. A partir da tomada de poder, no partido, de Paulo Portas, o CDS tem vindo “a fechar a Esquerda à direita”.

Hoje, o PSD absorve o CDS de Nuno Melo, e ambos os partidos “fecham a Esquerda à direita”.

A lei dos Okupas, ou seja, a Lei 67/2025 de 24 de Novembro, é um exemplo de uma lei de uma pseudo-direita maçónica:

  • com a alteração do Código Penal, estabelece as penas para os Okupas;

  • mas, através da alteração do Código de Processo Penal, a alteração referida do Código Penal é “minada” através da definição clara da possibilidade de discricionariedade de juízo por parte do juiz (Artº 200, nº 8), por um lado, e por outro lado através da revogação automática da culpa e da pena aplicável no Código Penal se “tiver lugar a desocupação voluntária do imóvel” (idem, nº 9).

Ou seja: eu ocupo uma casa, o juiz pode ou não (discricionariamente) obrigar a desocupação imediata; mas se eu sair da casa voluntariamente, segue-se que então não há crime e nada me acontece.

Esta lei é de Esquerda.

André Ventura: “Portugal pertence à O.T.A.N., mas não muito…”

Segundo depreendi das palavras de André Ventura de ontem, Portugal deverá permanecer na O.T.A.N., mas se um país da organização for atacado pela Rússia, Portugal não terá nada a ver com isso.

Ou seja, segundo Ventura, Portugal está na O.T.A.N.; mas não está na O.T.A.N..

A posição de André Ventura em relação à Ucrânia não é muito diferente da posição de Marine Le Pen, da AfD (Alternative für Deutschland) e de Viktor Órban; e é muito diferente da posição de Giorgia Meloni, por exemplo.

A pequena diferença entre André Ventura, por um lado, e Viktor Órban ou Marine Le Pen por outro lado, é que o primeiro diz que está solidário com a Ucrânia, embora conclua que não está solidário com a Ucrânia — ao passo que os dois últimos dizem que são claramente a favor da Rússia e contra a Ucrânia. A diferença é uma questão de retórica.

A posição do André Ventura em relação à possibilidade de haver tropas europeias da O.T.A.N. na Ucrânia é um NIN: é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal.

Nota: O Portugal de Salazar foi neutral na II Guerra Mundial, mas foi antes de entrar na O.T.A.N..