É tempo de os católicos compreenderem que o Anselmo Borges não representa o catolicismo

Em uma semana em que se celebrou o dia de Corpo de Deus, e em que o Cardeal Patriarca de Lisboa se manifestou publica- e veementemente contra a eutanásia — a coluna semanal do Anselmo Borges no Diário de Notícias aborda uma hipotética demissão do papa Chico.

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Imaginem se existisse um “Troféu Raça Branca” …

“O Troféu Raça Negra é um prémio brasileiro que é entregue exclusivamente a indivíduos negros, e a grupos que contribuíram ou exibiram avanços para os afro-brasileiros”.

Wikipédia

Agora, imaginem que alguém se lembrava de criar ou instituir um “Troféu Raça Branca”… seria o fim do mundo em cuecas…!, porque os negros são considerados uma raça superior e por isso têm direito a troféus que as outras raças não têm.

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As análises políticas do José Pacheco Pereira e o brasileirismo da língua

fala de cavaco webA utilização do substantivo “fala”, no contexto supracitado, não é incorrecto; mas é incomum em Portugal, onde se utiliza — naquele contexto — o substantivo “discurso”.

Em Portugal, seria mais comum que se escrevesse “O discurso de Cavaco Silva sobre a política do PS”.


Quanto ao conteúdo do artigo, aplica-se ao José Pacheco Pereira esta frase de Eric Voegelin:

“Quando a episteme está destruída, as pessoas não páram de falar em política; mas agora só se expressam em forma de doxa”.

As análises políticas do José Pacheco Pereira são uma forma de doxa, no sentido em que se assemelham aos comentários cochichados pelas mulheres do solheiro nas aldeias de Portugal.

Paula Rego

Uma pessoa que — sem qualquer arrependimento ao longo da sua vida — defendeu uma pretensa legitimidade do acto de abortar a pedido caprichoso da mulher, não merece reverência ontológica especial.

Deus tenha dó da sua (dela) alma.

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A prostituição não pode ser normal

Desta vez estou (parcialmente) de acordo com a Raquel Varela — coisa rara, aliás: há quem defenda que o piropo seja criminalizado (por exemplo, a Isabel Moreira), mas essas mesmas pessoas pretendem a normalização da prostituição.

A normalização da prostituição é mais do que o simples conceito de “legalização”.

A normalização conduz à prescrição de comportamentos. O que é “normal” é o que está conforme com a norma. A moral e a estética (esta, enquanto define o belo) fazem parte (em filosofia) das “ciências normativas”.

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Uma norma é instituída em referência a uma medida em relação à qual são medidos os desvios (Curva de Bell), cuja amplitude afasta mais ou menos da norma — ou é instituída em referência a um ideal (o bem, o belo, o verdadeiro, são valores nominativos na área da ética, da arte, e mesmo  da ciência).


Também concordo com a ideia de que as prostitutas não devem sofrer repressão policial; mas as redes de tráfico humano devem ser “barbaramente” combatidas pelo Estado.

Não devemos (o Estado não deve) confundir a prostituta, por um lado, e quem vive luxuosamente à custa dela, por outro lado.

Porém, para evitar que a prostituição se pratique na via pública e em qualquer local nas cidades (inclusivamente perto de escolas), sou a favor da delimitação geográfica da frequência de prostitutas (o que não significa legalização).

O infortúnio da marxista Raquel Varela

Quando leio este escrito (e outros) da Raquel Varela, parece-me estar a ler um artigo do jornal revolucionário estudantil do meu tempo de faculdade, no fim da segunda metade da década de 1970. Porém, aquilo que é tolerável num miúdo de 18 anos, deixa de o ser em uma pessoa de 40.

O mundo não é perfeito; mas a Raquel Varela, nos seus 40, parece pretender a perfeição do mundo em nome de uma certa ideologia, e, por isso, revolta-se contra o mundo porque este não corresponde ao que (alegadamente) deveria ser.

Aquilo que poderia parecer (por parte da Raquel Varela) uma crítica social viável, razoável e plausível — transforma-se em uma hipérbole por intermédio de um radicalismo ideológico próprio de uma adolescente.

O que mais me espanta, na Raquel Varela, é a recusa radical da Natureza Humana; a ideia implícita segundo a qual “é possível haver uma outra Natureza Humana”.

Ora, a tentativa de construção de “uma outra Natureza Humana” foi o que se fez no século XX com as revoluções que causaram centenas de milhões mortes… e, ainda assim, a Raquel Varela — imbuída de uma superioridade moral em relação ao comum dos mortais — defende a construção dessa “outra Natureza Humana” que rejeita a estrutura da realidade, em uma crítica niilista (uma espécie de Teoria Crítica) e radical, criando uma “segunda realidade” que se sobrepõe à natureza das coisas e à realidade propriamente dita.

A deformação do real — e a recusa da Natureza Humana — levou à edificação dos sistemas ideológicos que mataram centenas de milhões de pessoas no século XX.

Sobre a realidade objectiva, um cristão diria o seguinte:

Meu Deus, dá-me a serenidade
para aceitar aquilo que não posso mudar,
a coragem para mudar o que for possível,
e a sabedoria para saber a diferença.

(Reinhold Niebuhr)

Para um revolucionário (Hitler, o revolucionário, do alto do seu palanque comicial, berrava: “Alles Muss Anders Sein!”), não existe essa diferença entre o possível (o que se pode mudar) e o impossível (por exemplo, aquilo que faz parte da Natureza Humana e que não pode ser mudado).

Por isso é que qualquer crítica social, vinda Raquel Varela, é uma espécie de defesa de uma política de terra queimada — como se fosse possível destruir a sociedade inteira para depois, a partir das cinzas do niilismo revolucionário, fazer renascer um “homem novo” com “outra Natureza Humana”.

A tragédia do marxista vencido degenera em um infortúnio patético — porque o marxismo (épico e romântico) ignora a categoria do “trágico”. Na hora de ser fuzilado, seja pelos seus compagnons de route, seja pelos seus inimigos, o marxista morre estupefacto.