O Tiago Freitas e a generalização da culpa

O senhor Tiago Freitas escreveu isto no intróito de um seu texto:

“Durante anos vivemos sob o que muitos apelidaram de “opressão woke”. Seguiu-se uma reacção que começou por ser higiénica, mas que rapidamente resvalou para um contrawokismo excessivo, por vezes boçal. O resultado? Um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico. Ainda assim, há sinais que atravessam essas trincheiras.”

Vamos tentar “descodificar” (laborar em um pequeno exercício de hermenêutica freudiana) este pequeno trecho do senhor Freitas — por exemplo, o que significa «um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico».

Repare-se como o Freitas atribui a responsabilidade do “desalinhamento do barómetro” ideológico igualmente aos “wokistas” e aos “contrawokistas” — o senhor Tiago Freitas gosta de estar em cima do muro; ou, como dizia Ivone Silva: “com um vestido preto, não me comprometo”. O senhor Freitas faz o possível por não se comprometer, como bom comissário político do Totalitarismo de Veludo que é. douglas murray-marxismo cultural web

O senhor Freitas tira partido da alienação do público em geral, quando dá a entender aos seus leitores que o Wokismo é uma coisa que caiu do céu, sem qualquer nexo causal ideológico e histórico, e que os contrawokistas são uma espécie de toscos intelectuais que também e igualmente contribuem para o “desalinhamento do barómetro reputacional” e ideológico.

“Wokistas” e “contrawokistas” são (implicitamente e segundo o senhor Freitas) igualmente culpados pelas guerras culturais e pelos desalinhamentos ideológicos e axiológicos.

Para o senhor Freitas, o Wokismo não tem nada a ver com Lukacs; e sobretudo não tem nada a ver com o italiano Gramsci. O Wokismo caiu do céu, foi (implicitamente) uma invenção da Mariana Mortágua ou das universidades americanas. Para o senhor Freitas — na esteira da opinião “objectiva” do José Pacheco Pereira —, dizer que o Wokismo tem alguma coisa a ver com a Escola de Frankfurt (por exemplo, Marcuse e a sua “tolerância repressiva”; ou Theodore Adorno) é uma flagrante Teoria da Conspiração.

Para o senhor Freitas, assim como para o “intelectualíssimo” José Pacheco Pereira, a Utopia Negativa não existiu: é uma invenção dos “fassistas”.

Mas o Freitas iria mais longe: afirmar que os pós-modernistas, aka desconstrutivistas, ou pós-estruturalistas (por exemplo, Jean-François Lyotard, Deleuze, Foucault, Derrida, etc.) têm alguma coisa a ver com o Wokismo, só pode vir da cabeça de um maluco (como eu). Por isso, eu sou tão culpado pelo “desalinhamento do barómetro” ideológico quanto o é a Mariana Mortágua. Somos todos culpados.

A generalização da culpa só pode servir para a trivializar: podemos sentir-nos exonerados de culpa se não somos mais responsáveis do que os outros. É isto que o comissário Freitas pretende: generalizar a culpa.

Diogo Faro, o grande macho

“Boa parte dos homens, quando perguntados sobre que mulheres admiram, não conseguem nomear nenhuma para além das que fazem parte do círculo familiar.

Creio até haver machos tão machos que nem a própria mãe admiram, e que acham que tudo o que a senhora faz não é mais do que sua obrigação (incluindo fazer-lhes as marmitas todos os dias, apesar de já terem 40 biscas).

Quer dizer, claro que estes machos, incríveis portentos de macheza que são, conseguem nomear uma data de mulheres porque “são mesmo boas” e conseguem admirar os seus corpos, não conseguem é admirá-las para lá do binómio supra intelectual mamas – cu.”

Diogo Faro, o grande macho

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Por isso é que a classe política do sistema actual protege os ciganos

Na actual sociedade do Estado progressista, as classes com interesses opostos já não são a burguesia e o proletariado, mas antes são a classe que paga impostos, por um lado, e, por outro lado, a classe que vive na chulice e à pala dos impostos pagos pela maioria.

Por isso é que os políticos da Esquerda (PSD incluído) protegem e respeitam o modus vivendi dos ciganos: comem todos da mesma gamela.

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Lula da Silva é um espertalhão

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Brasil envia módulo de veículo sub-orbital experimental à Alemanha em teste que prepara o país para o espaço. Simultaneamente, o Lula critica a União Europeia por apoiar a independência da Ucrânia contra a invasão da Rússia.

Quando é para criticar o Ocidente (Estados Unidos e União Europeia), o Lula da Silva está na primeira fila e apoia os BRIC’s contra o Ocidente; mas quando é para pedir apoio tecnológico, o Lula já não conhece a China nem a Rússia: prefere pedir apoio a um país da União Europeia.

A heterodoxia brasileira

No mundo anglo-saxónico, Al Pacino actuou na série cinematográfica “The Godfather”.

Em Portugal, traduzimos “The Godfather” para “O Padrinho” — que é a tradução literal.

No Brasil, resolveram chamar a essa série de filmes “O Poderoso Chefão”.

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A tentativa absurda de separar a modernidade e o fascismo

“Acredito que o mundo moderno é uma empresa de desnaturação do homem e da criação. Acredito na desigualdade entre os homens, na maldade de certas formas de liberdade, na hipocrisia da fraternidade. Acredito na força e na generosidade. Acredito em hierarquias que não sejam a do dinheiro. Acredito que o mundo está podre pelas suas ideologias. Acredito que governar é preservar a nossa independência e, depois, deixarmo-nos viver como quisermos.”

Maurice Bardèche, neofascista

O fascismo está tão profundamente mergulhado na modernidade quanto o está o comunismo marxista, ou o liberalismo. Um neofascista, como Maurice Bardèche, é uma espécie de Mariana Mortágua virada do avesso (mas o tecido é o mesmo).

maurice bardeche webAs hierarquias do fascismo (de Mussolini) foram fortemente marcadas pelo dinheiro, nomeadamente pelos latifundiários italianos que fomentaram decisivamente a ideologia e o regime. Afirmar que, no fascismo, as hierarquias não foram “as do dinheiro”, é uma falácia.

O mundo moderno, ocidental e ocidentalizado, não nega a existência de desigualdades: apenas segue o Direito Natural, medieval e cristão, que atribuía uma igualdade ontológica (à nascença) a todos os seres humanos em uma determinada sociedade com uma cultura antropológica comum. Por isso é que o Direito Positivo, desprovido da influência do Direito Natural (os “princípios metajurídicos” do Direito), é uma aberração. O fascismo afasta-se do Direito Natural medieval, no sentido em que nega (implícita- ou explicitamente) o princípio da igualdade ontológica.

A par com o comunismo, não há movimento mais conspurcado pela merda modernista do que o fascismo — incluindo o nazismo nietzscheano, que é uma corruptela socialista do fascismo original italiano.

Afirmar que o fascismo não é produto de uma ideologia, como escreveu Maurice Bardèche, é afirmar o absurdo, é negar a própria essência do fascismo. É como se alguém dissesse: “Eu não sou eu”.

Uma coisa é a crítica salutar à modernidade (incluindo a crítica ao modernismo “progressista” católico); outra coisa, diferente, é afirmar que “o fascismo é contra a modernidade”. Não é. O fascismo é a favor de uma outra forma de modernidade, que não deixa por isso de ser moderna.

O fascismo é uma vergôntea do romantismo de Rousseau.

O homem tribal primitivo transformava objectos em sujeitos; o homem moderno transforma sujeitos em objectos — com especial ênfase para os sistemas comunista e fascista que se especializaram na arte de coisificar a pessoa.

Salazar era demasiado inteligente (e cristão) para se sujeitar a ser fascista.