Caetano Veloso: ¿como é que se chama a um homem de 40 anos que “come” uma menina de 13 anos?

Caetano Veloso “comeu” uma menina de treze anos. ¿Será ele pedófilo? “Claro que não!”, segundo os tribunais esquerdistas brasileiros que consideram que um adulto que “come” uma menina de 13 anos não é pedófilo (ou coisa que o valha).

No contexto jurídico português, o Caetano Veloso teria apanhado alguns anos de cadeia; mas na república das bananas do Brasil, quem denuncia um caso gritante de pederastia é condenado pela “Justiça”.

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O Lumpemproletariado é o estrato social revolucionário do Bloco de Esquerda

Antes de mais nada, há que ver este vídeo de Olavo de Carvalho, e também este texto dele — para que se compreenda o raciocínio que se segue.

«Karl Marx descrevia assim o Lumpemproletariado:

“Libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, mendigos.” »

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A Cristina Miranda escreve o seguinte:

“… como se pode ver pelas notícias que nos chegam todos os dias, hoje aplaude-se os criminosos mais depressa do que se enaltece um agente [da polícia] que arrisca a vida todos os dias pela nossa segurança.

(…)

Como se explica que, depois de tanta luta por uma polícia que fosse respeitada e impusesse a ordem necessária ao bom desenvolvimento de uma sociedade, se chegasse a este retrocesso, com os políticos e a comunicação social sempre mais do lado dos agressores e esquecendo o total apoio aos policiais?”

A quem interessa a degradação da PSP e GNR?

Uma das distinções ideológicas importantes entre o Partido Comunista, por um lado, e a restante Esquerda contemporânea, por outro lado, é a posição em relação ao Lumpemproletariado.

Por exemplo, li há tempos um texto da Raquel Varela em que se verificava (nela) a posição ideológica marxista clássica em relação ao Lumpemproletariado. A posição da Raquel Varela, em relação ao Lumpemproletariado, é a posição marxista clássica; mas não é a posição normalizada pela Esquerda actual, em geral.

O Lumpemproletariado foi “recuperado”, por assim dizer, pelo marxismo cultural (Escola de Frankfurt), e é considerado — por esta corrente ideológica — o estrato populacional revolucionário por excelência.

É neste contexto que podemos compreender a “política identitária” e a chamada “interseccionalidade” da actual Esquerda marxista cultural oriunda dos Estados Unidos (Herbert Marcuse viveu e morreu nos Estados Unidos).

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Para o Bloco de Esquerda, o partido dito “Livre”, o Partido Socialista de António Costa, etc., a classe operária já não é a classe revolucionária: foi substituída pelo Lumpemproletariado.

O estrato social revolucionário, segundo o Bloco de Esquerda, é constituído por libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, e mendigos.

Quem manda hoje em Portugal é o Bloco de Esquerda que controla o Partido Socialista através de António Costa.

Quando o Bloco de Esquerda e a Direitinha se abraçam

Cerca de 180 directores de empresas americanas concordam com a Esquerda radical (de tipo “Bloco de Esquerda”): “a restrição do aborto é má para o negócio”.

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Vemos como a Direitinha (tipo Insurgente) concorda com a esquerda radical (tipo Bloco de Esquerda), nesta como noutras matérias. Talvez por isso é que a Catarina Martins disse (eu ouvi) que “O Bloco de Esquerda é a salvação do capitalismo”.

Recordando um texto de Olavo de Carvalho:

« Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflituantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de Direito, ou gosta do Estado de Direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um “conservador”; no segundo, é um “liberal”.

(…)

Ou você fundamenta o Estado de Direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.

(…)

O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários.

O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de Direito.

O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de Direito. »

— Olavo de Carvalho, “Por que não sou liberal” ; ler o resto.

No Brasil, os extremos tocam-se: a Esquerda alia-se aos generais

 

santos-cruz-webNo Brasil assistimos a uma transfiguração da Esquerda (do P.T.): esta alia-se agora aos militares ideologicamente mais retrógrados (como, por exemplo, o ministro general Santos Cruz), membros do governo de Bolsonaro, contra uma alegada influência de Olavo de Carvalho na esfera política brasileira.

Quando eu digo “ideologicamente mais retrógrados”, isto significa que é tropa que tem a cabeça cheia de vácuo (para não dizer outra coisa).

O que surpreende é a necessidade que um membro militar do governo de Bolsonaro tem de fazer ataques ad Hominem a Olavo de Carvalho — se, por um lado, esse tipo de ataques ad Hominem pretende desvalorizar a importância de Olavo de Carvalho na política brasileira, por outro lado acaba por se revelar (no público) exactamente o efeito contrário.

¿O que é o “liberalismo”?

“Liberalismo” é um termo vago que actualmente caracteriza realidades diferentes ou misturadas.

Convém (de certa forma) distinguir entre liberalismo político, saído da filosofia dos “direitos naturais” (jusnaturalismo ) exposta por John Locke (principalmente na sua primeira fase ideológica), por um lado, e o liberalismo económico, por outro lado.

O primeiro — o liberalismo político — é a forma abstracta e racional de um individualismo moderado, proposto por Locke e ligado à oposição a qualquer tipo de absolutismo ou totalitarismo, e tem a sua expressão no “Espírito das Leis” de Montesquieu (1748) com a teoria da separação de poderes. O liberalismo político de Locke faz do sujeito individual um ser dotado de direitos inalienáveis (propriedade, liberdade, etc.) e a fonte e o centro das relações sociais.

Este liberalismo político de Locke foi criticado por Rousseau que insistiu que a liberdade civil é impossível sem igualdade económica (igualdade social).

Locke esteve na origem do liberalismo e Rousseau (através do conceito de “Vontade Geral“) esteve na origem do jacobinismo.


O liberalismo económico teve origem nos economistas britânicos e franceses do século XVII, também eles influenciados por Locke, e mais tarde sistematizado por Adam Smith e pela chamada Escola Escocesa.

A este liberalismo económico chamamos de “liberalismo clássico”: é um princípio associado ao liberalismo político, e segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (conforme Adam Smith: “Não é da benevolência do talhante, do cervejeiro ou do padeiro que nós esperamos o nosso jantar, mas do cuidado que eles têm com o seu próprio interesse” — “Riqueza das Nações”).

Em Adam Smith existia o sentido do dever (v. “Teoria do Direito”); o mundo das regras (tradicionais) e das leis era, para Adam Smith, o verdadeiro significante do mundo afectivo ligado ao fundamento da economia: as paixões humanas naturais. Ao contrário do que defendeu Kant (“A Paz Perpétua”), Adam Smith era céptico acerca da possibilidade de o comércio (por si só) abolir a guerra entre as nações (“Riqueza das Nações”), porque aquele que, na sociedade liberal, não tivesse outra coisa senão as suas mãos para trabalhar, não poderia viver a obrigação do “sobre-trabalho sem lucro” senão contrapondo-lhe a violência.

Adam Smith tinha preocupações sociais, nomeadamente mediante o seu conceito de “simpatia”.

Como podemos verificar, o liberalismo (tanto político ou económico) escorava-se no jusnaturalismo (Lei Natural). O liberalismo clássico limita o conceito de “igualdade” à igualdade dos direitos naturais: não se trata de igualdade social que supõe que o Estado intervém para “corrigir” o jogo livre da sociedade civil, o que é interpretado pelo liberalismo como sendo funesto para a liberdade.


Mas aquilo a que hoje se chama “liberalismo” não é liberalismo no sentido clássico, uma vez que o Direito Natural é negado pela maioria dos actuais “liberais”. Existe nestes liberais actuais uma forte preponderância para um Marginalismo radical que implica uma supremacia avassaladora do subjectivismo individualista, em total detrimento do bem-comum.

É no sentido do “liberal” actual que Olavo de Carvalho faz a sua crítica, na medida em que o chamado “liberalismo” actual (que advém de uma corruptela ideológica de Von Mises) acaba por ser “um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito”.

O império do positivismo absoluto no Direito (tal como acontece com a esquerda radical), resulta que o Direito é (segundo o actual “liberalismo”) totalmente arbitrário e independente de quaisquer fundamentos metajurídicos (por exemplo, as tradições de uma sociedade, ou do jusnaturalismo).
Neste sentido, e tal como acontece com a Esquerda, o “liberalismo” actual segue o princípio da “Vontade Geral” de Rousseau, e já não o liberalismo político de Locke.