A imprensa peruana e a morte do chefe do Sendero Luminoso

É neste “tom” que a imprensa peruana celebra a morte de Abimael Guzmán, o chefe histórico do Sendero Luminoso e genocida inveterado.

Abimael Guzman

Já na imprensa portuguesa, por exemplo, o jornal Público (o jornal dos herdeiros de Belmiro de Azevedo) publica uma respeitosa notícia acerca da morte de um “revolucionário”.

O Diogo Faro e o Ricardo Araújo Pereira: os cromos do regime

Existe por aí um indivíduo que dá pelo nome de Diogo Faro que é uma contradição com pernas, por um lado, e por outro lado é um símbolo da actual “elite” social e cultural (ruling class).

Não quero com isto dizer que seja possível a qualquer ser humano viver isento de contradições; afinal, o nosso pensamento desenvolve-se a partir de opostos, e portanto a contradição é sempre uma tentação. O próprio conceito de “matéria” é contraditório em si mesmo (v. quântica).

No entanto, é precisamente a procura das contradições que estimula o conhecimento e o progresso científico. Embora vivamos em um mundo de contradições (de opostos), é função da inteligência humana tentar sempre discernir a contradição e a lógica.

O que é assustador é o facto de a forma de pensar do Faro coincidir com a forma de pensar das “elites” que nos comandam. E por isso é que o Faro tem uma projecção social esdrúxula.

«

(…)

Infelizmente há muita gente idiota que ainda acredita nestes cromos do regime.

O Árctico a derreter, a Amazónia a desaparecer, as barreiras de corais a morrer e a Terra a secar.

O fascismo cresce na rua e nos governos, o nazismo ecoa nas redes sociais, o autoritarismo mantém-se firme em tantos países e as democracias abanam como se os seus pilares fossem feitos de areia. O racismo continua a matar, a homofobia continuar a matar, a xenofobia continua a matar, o machismo continuar a matar. Não só matam como são normalizados e até promovidos e aplaudidos. Trabalhamos cada vez mais para viver para cada vez menos, enquanto a desigualdade económica cava um poço entre ricos e pobres tão grande quanto o buraco na camada de ozono. Vivemos em competição e não cooperação, o individualismo mais egoísta prevalece sobre qualquer amor comunitário e do bem comum. Dependemos das redes sociais para ser indivíduos únicos e perdemos para as redes sociais a nossa sanidade mental. E a nossa privacidade. Já nada é nosso. Somos controlados, manipulados e subjugados sem disso dar conta. O livre-arbítrio era dos filósofos, agora é dos plutocratas. E o mundo por todos os lados parece mesmo desabar.

(…)

As alterações climáticas ainda podem ser revertidas e os ecossistemas salvos, parando o aquecimento da terra e a potencial crise de refugiados climáticos.»

greenland-web

Qualquer político do regime actual concordaria com este discurso do Faro; ou, se não concordasse, ficaria em um silêncio emasculado — mesmo quando os factos nos demonstram o contrário!: por exemplo, a Gronelândia ganhou cerca de 350 mil milhões de toneladas no gelo, apenas em 2019!

greta-taxes-webPara as elites — e para os profetas oficiais do regime, como o Faro —, os factos são irrelevantes; o Iluminismo é rejeitado, a irracionalidade voltou a estar na moda, e impera um novo tipo de obscurantismo que defende o irracional, alegadamente em nome de uma versão acientífica e utópica de “ciência”.

O discurso oficial do regime — amplificado pelos “cromos” do regime, como o Diogo Faro ou o Ricardo Araújo Pereira — é uma mistura de Teoria Crítica e pregação escatológica.

A Teoria Crítica é uma espécie de ácido que dissolve o tecido da realidade social, política, existencial e metafísica: o Diogo Faro é uma picareta falante que pretende transformar a realidade em um inferno.

A pregação escatológica apela a uma soteriologia em função de um putativo “fim do mundo” que se aproxima: à laia da Greta, o profeta Diogo Faro apela ao arrependimento dos Hílicos contemporâneos: “Arrependei-vos!”, diz ele: “O fim está próximo!”

A tentativa de negar a Natureza Humana (por exemplo, quando o Faro diz que infelizmente “vivemos em competição e não cooperação”) tem como objectivo a humilhação do indivíduo (por via da Estimulação Contraditória) ; isto é, se o ser humano é, por sua própria natureza, competitivo, segue-se que a crítica da elite política actual em relação à competição humana, é uma forma de anulação do indivíduo enquanto ser humano, reduzindo-o (através da dissonância cognitiva generalizada) a um mero instrumento da acção política por parte da elite.

Por fim: a ideia peregrina das elites actuais, segundo a qual “as alterações climáticas ainda podem ser revertidas e os ecossistemas salvos, parando o aquecimento da terra, através do aumento de impostos e da estatização da economia.

É como se dissemos que “a rotação da Terra poderia ser parada se o Bloco de Esquerda tivesse o Poder absoluto”. Ou como se dissemos que “o facto de o clima mudar” — como tem mudado desde que existe atmosfera na Terra — “é culpa do capitalismo”.

Infelizmente há muita gente idiota que ainda acredita nestes cromos do regime.

Temos que assumir, de uma vez por todas, que o “socialismo de rosto humano” acabou

MARXISMO-ESCOLAS-webEste artigo do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é um exemplo do discurso educadinho e politicamente correcto que putativamente se opõe à “extrema-esquerda”, mas que, no fundo, faz o jogo político desta. É um discurso timorato, que acaba por dar alguma razão ao maoísta Pacheco que acusa a Igreja Católica de estar por detrás das reclamações do pai Artur de Famalicão.

Dizem-se muitas asneiras sobre o ensino no tempo de Salazar e Caetano. Por exemplo, quando o Padre compara a disciplina liceal de Organização Política e Administrativa da Nação, por um lado, com a actual disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, por outro lado, “esquece-se” que a disciplina Organização Política e Administrativa da Nação não era nuclear (não era obrigatória, mas antes era optativa): muita gente optava por ela porque era uma disciplina fácil (tínhamos que fazer, obrigatoriamente, o total de seis disciplinas do 7º ano dos liceus; eu fiz essa disciplina).

Qualquer tentativa de modificar a actual disciplina de Cidadania e Desenvolvimento — como defende o Padre — é “chover no molhado”, porque a referida disciplina foi construída pela Esquerda para não ser modificável, de modo algum.

Este tipo de discurso conciliatório e sacerdotal da Não-esquerda é música para os ouvidos radicais como os do ideólogo jacobino Pacheco.

A Não-esquerda tem que começar a perceber que não é possível qualquer tipo de compromisso com a actual Esquerda — que inclui o Partido Socialista de António Costa.

O Partido Socialista de Mário Soares já não existe. O “socialismo de rosto humano” acabou.

Bárbara Reis, uma criatura burrinha todos os dias (Graças a Deus!)

Uma criatura que dá pelo nome de Bárbara Reis escreveu o seguinte no jornal Púbico (a propósito da oposição à obrigatoriedade das aulas de “Cidadania e Desenvolvimento”):

“A objecção de consciência refere-se a acções, não a ideias. Implica agir, fazer uma coisa”.


Antes de mais, vamos saber o que significa “ideias” (quando começamos a definir, o esquerdalho começa a fugir).

A ideia é aquilo através do qual o pensamento se relaciona com o real (Espinoza).


Embora eu não goste de Espinoza, é impossível recusar esta definição (dele) sob pena de sermos ainda mais burrinhos do que a Bárbara Reis.

Para a Bárbara Reis (como para todos os marxistas!), o ser humano é livre porque age; a Bárbara Reis aproxima-se ontologicamente da realidade dos animais irracionais, categoria a que ela pertence por mérito próprio.

Para nós, outros que discordamos dela, o ser humano age porque é livre: a liberdade é anterior à acção, por um lado, e por outro lado a acção livre depende das ideias que temos.

Ora, para sermos livres temos que nos distinguir dos animais irracionais (de tipo “Bárbara Reis”) e temos que ter ideias.
As ideias são a condição da acção livre (utilizando uma linguagem kantiana).

Sendo que a ideia é “aquilo através do qual o pensamento se relaciona com o real”, não é possível qualquer tipo de acção livre — repito! Livre! — sem as ideias que a condicione.

Por isso é que é perfeitamente legítimo — por exemplo e imaginando aqui o absurdo — a objecção de consciência em relação a aulas que ensinem às crianças as putativas “virtudes do holocausto nazi”.

A objecção de consciência em relação às ideias dos nazis é a condição da prevenção da repetição histórica da acção hedionda que matou milhões de pessoas inocentes.


E por isto tudo é que a Bárbara Reis é uma criatura burrinha todos os dias (Graças a Deus!).

O pós-modernismo como evolução do marxismo

Quando1 a “construção da realidade” do “marxismo científico” falhou2, os marxistas optaram pela desconstrução da Realidade (pós-modernismo: Derrida, Foucault, Bloco de Esquerda, etc.)


Notas

1. Na esteira da influência cultural Iluminista.
2. porque essa construção marxista foi baseada em uma
ideologia e não na ciência, como o demonstrou Karl Popper através do princípio da falsificabilidade.

Engels foi o bisavô do marxismo cultural

Podemos ler aqui uma crítica pertinente a um livro de uma feminista, de seu nome Lúcia Vicente.

Eu não lerei o livro, certamente, por uma razão: quase tudo o que as feministas pós-modernas gritam está condensado em um livrinho de Engels: “A origem da família, da propriedade e do Estado” (a minha edição é de 1976). A primeira edição do livro é de 1884.

Ao ler o artigo crítico de Lúcia Vicente emA incongruente utopia feminista”, fui identificando, ponto por ponto, algumas teses defendidas por Engels na obra “A origem da família, da propriedade e do Estado”. A julgar pela referida crítica, as teses de Lúcia Vicente têm mais de um século.

engels-familia-webO livro de Engels está cheio de contradições, que não serão abordadas aqui e agora.

Este livro de Engels é a base ideológica do ataque à família natural por parte do marxismo cultural de que faz parte a Lúcia Vicente. Porém, as teses de Engels ou são a-históricas (não têm fundamento histórico, ou seja, são especulações “antropológicas” puras), ou são absurdas (não têm qualquer fundamento na realidade).

No livro, Engels defende (por exemplo) a legitimidade do incesto (na página 59), desde que enxertada na “Gens do direito materno” (conceito de “Gens” segundo Engels: círculo fechado de parentes consanguíneos por linha feminina, que não se podem casar uns com os outros); ou seja, segundo Engels, fora da Gens, o incesto é legítimo.

O ataque feminista (e marxista cultural) ao “homem branco, ocidental, rendimento acima da média, heterossexual”, tem a ver essencialmente com o ataque que Engels faz ao indivíduo (enquanto célula humana): “não são os indivíduos, mas os grupos inteiros que estão casados uns com os outros, classe com classe [página 58].

Segundo Engels, a união conjugal em massa (o “matrimónio grupal”) “não é tão monstruoso como o figura a fantasia dos filisteus, acostumados à sociedade da prostituição” [pág 60]. Verifica-se aqui, por exemplo, como Engels mistura alhos com bugalhos, e o “antropólogo”  faz juízos de valor.

A ideia de Engels segundo a qual, em uma comunidade, todas as mulheres e homens são de uns e doutros (comunismo sexual) em uma cultura de predominância matriarcal, não foi adoptada por Lenine; mas foi ideologicamente adoptada pela Escola de Frankfurt em geral, e em particular por marxistas como Marcuse e/ou Wilhem Reich (entre outros).

Segundo Engels, o homem só é livre quando abandona os seus laços familiares (tradicionais e naturais ) para que surja a horda [página 45]; segundo Engels, a horda é a forma social mais elevada [página 46]; segundo Engels, a horda opõe-se à família. O conceito de “horda” (que Engels foi buscar ao autor E. Espinas, “Sociedades Animais”, 1877), passa (em Engels) a ter uma conotação de “comunitarismo”, “colectivismo”, em oposição ao (horroroso) individualismo.

Para Engels, a “guerra” contra o “individualismo” começará com a destruição da família monogâmica (ou aquilo a ele chamou de “família sindiásmica”). Contudo, Engels incorre flagrantemente em uma falácia de apelo à natureza (quando coloca, em uma mesma categoria ontológica, macacos e seres humanos).

A defesa de uma sociedade matriarcal (em alegada oposição à sociedade patriarcal) está directamente ligada à seguinte tese de Engels (página 55):

“Em todas as formas de famílias por grupos, não se pode saber com certeza quem é o pai de uma criança, mas sabe-se quem é a mãe. Ainda que ela (a mulher) chame filhos seus a todos os da família comum, e tenha deveres maternais para com eles, nem por isso deixa de distinguir os seus próprios filhos entre os demais.

É claro, portanto, que em toda a parte onde existir o matrimónio por grupos, a descendência só pode ser estabelecida pelo lado materno, e por conseguinte apenas se reconhece a linhagem materna.”

A este conceito (matrimónio por grupos), Engels chama de “direito materno”.

Ora, na medida em que o “direito materno” — ou seja, a sociedade matriarcal das “famílias por grupos” — anula o indivíduo macho em favor da horda, Engels considera que o matrimónio por grupos — que é a união conjugal em massa de toda uma classe de homens com toda uma classe de mulheres — é mais positivo do que o casamento monogâmico (página 60).

A grande preocupação de Engels é a destruição cultural do conceito de “indivíduo macho em favor do colectivo.

O conceito de “lar comunista” (pág. 64), segundo Engels, significa “predomínio da mulher no lar” [pág 64]: o homem sai de casa por ordem da mulher [pág 65]. Ora, este lar comunista e matriarcal depende da abolição da exclusividade das relações sexuais (com relação a um determinado homem) na cultura antropológica e por parte da mulher (“o fim do matriarcado imprime um rápido desenvolvimento da monogamia” [pág 80].).

“O desmoronamento do direito materno (ou seja, o desmoronamento do matrimónio grupal) foi a grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo” (Engels, ibidem, página 76).

No livro, Engels faz comparações sistemáticas entre entre a cultura ocidental, por um lado, e alegadas culturas pré-históricas, por outro lado, invocando uma série de antropólogos do século XIX (como se a antropologia fosse uma ciência exacta). Trata-se de uma obra de um “antropólogo” amador.


As ideias fundamentais propaladas pelas feministas radicais (da laia da Lúcia Vicente) desenvolveram-se a partir de Engels. Engels foi o bisavô do marxismo cultural.

Os portugueses estão a pagar esta trampa

O “politicamente correcto” (ou marxismo cultural) significa “leis com dois pesos e duas medidas”

“As tretas do politicamente correcto tornaram-nos cúmplices com uma violência ignóbil”.

Helena Matos


Estamos em presença do conceito maniqueísta de “tolerância repressiva”, de Marcuse: tudo o que vem da Esquerda é bom (ou não é mau), e tudo o que vem da Direita é mau.

É assim, por exemplo, que o vandalismo de uma catedral é coisa boa ou, no mínimo, coisa inócua; e pintar por cima de um símbolo dos Black Lives Matter  já é “crime de ódio”.

enviesamento-judicial-web