O Sérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) e a Introdução Geral acerca do marxismo cultural

O Sérgio Barreto Costa (da Silva Papaeira) escreve uma introdução geral em duas partes acerca da existência, ou não, do marxismo cultural. A introdução geral dele tem um duplo objectivo — aliás exarado logo no início do texto: o primeiro, o de sublinhar a opinião (dele) de que Nuno Melo é um normalíssimo político; e o segundo objectivo, o de se superiorizar a José Pacheco Pereira e a António Guerreiro que ele próprio considera serem “os mais importantes intelectuais públicos do país”.

António Sérgio escreveu um ensaio que foi publicado em 1952 (Cartas de Problemática, nº 4) que fala da tendência típica dos portugueses universitários (de tipo Sérgio Barreto Costa) para o discurso redondo e para as “introduções gerais”:

“Liga-se a este culto da sabichice estreme o portuguesíssimo apego às introduções gerais. Sempre que um típico intelectual lusitano tem por mira instruir-nos sobre determinado assunto — embrenha-nos na selva de uma introdução genérica, histórico-filosófico-preparatória, cheia de cipoiais onde se nos enreda o espírito e onde nunca se avista a estrada recta e livre.

Depois, quando já nos achamos cerca da orla da floresta, principiando-se a enxergar o bom caminho e o objectivo — pronto!, acaba-se o fôlego ao nosso autor e a nós próprios, exactamente no instante em que se ia abordar o tema.”

Caros amigos: não nos interessa saber se o Nuno Melo é um “normalíssimo político”, ou não; o que nos interessa é saber — de uma forma sucinta e sem introduções gerais — se ele tem razão, ou não. E Nuno Melo tem razão.

Comentar a Introdução Geral do Silva Papaeira seria incorrer no erro de laborar em uma nova Introdução Geral, desta feita de minha lavra; mas sempre podemos fazer uma ou outra crítica circunstancial, por exemplo, quando o Papaias confunde “cultura intelectual”, por um lado, e “cultura antropológica”, por outro lado; e essa confusão é levada a cabo através de uma sorite1:

«Assim sendo, e uma vez que, para Marx, “a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante”, é completamente impossível que a supremacia cultural esteja, neste momento, nas mãos da esquerda.»

Basta lermos os editoriais de praticamente todos os jornais portugueses para sabermos qual é a “força intelectual dominante” em Portugal. Só um burro não vê.

É claro que o José Pacheco Pereira é (aparentemente) um burro que se julga experto; o rei vai nu. Não seria necessário escrever uma Introdução Geral rebuscada para constatar um facto tão notório.

Em termos estritamente epistemológicos (deixemos de lado as interpretações subjectivistas), o Sérgio Barreto Costatem razão, isto é, constrói a História de forma correcta — por exemplo, quando fala em Lukacs e em Gramsci.

É claro que o Pacheco não leu Gramsci; ou se leu, entrou em dissonância cognitiva e em estado de negação.

Mas o Papaeira “esqueceu-se” de falar dos desenvolvimentos ideológicos a partir de Lukacs e de Gramsci: a Utopia Negativa (a Escola de Frankfurt, a Teoria Crítica, e o posterior desenvolvimento ideológico marcuseano), e o neo-estruturalismo ou Pós-modernismo.

O marxismo cultural não se restringe a Lukacs e a Gramsci. 


Notas

1. uma Sorite é um sofisma que consiste em acumular proposições que podem ser verdadeiras, mas cuja conclusão é ilegítima por falta de ligação entre as proposições. Por exemplo: “Sou o homem mais belo do mundo. Com efeito, Paris é a cidade mais bela do mundo, o meu colégio é o mais belo de Paris, o meu quarto é o mais belo do colégio; sou o homem mais belo do meu quarto. Por isso, sou o homem mais belo do mundo”. → Cyrano de Bergerac

2. “da Silva Papaeira”: ¿por que razão os “intelectuais” portugueses utilizam sempre três nomes?

A normalização do normal

A cidade americana de Somerville estendeu aos grupos “poliamorosos” os direitos civis concedidos pelo Estado às pessoas unidas pelo matrimónio — por exemplo, os direitos decorrentes da Segurança Social e da assistência médica, assim como o direito dos membros dos grupos “poliamorosos” a visitar os seus “cônjuges” nos hospitais.

Rapidamente o “casamento” poliamoroso será legalizado no Estado de Massachusetts.

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Em um verbete anterior, esbocei a diferença de propósitos entre o marxismo cultural do Bloco de Esquerda — mas também do Livre, do PAN, e mesmo da ala radical do Partido Socialista de que faz parte o António Costa —, por um lado, e o liberalismo de Stuart Mill — do IL (Iniciativa Liberal) e de um certo PSD de Rui Rio —, por outro lado. Chamei à atenção para o facto de, não obstante os métodos de acção política serem semelhantes, os fins a alcançar (num e noutro caso) são díspares, senão mesmo opostos.

Segundo Fernando Pessoa, os liberais são “aqueles que cuja teoria do progresso inculca a ideia de que ele se faz por uma lenta alteração da sociedade, não tanto nem somente dentro de moldes em que essa vida social se encontra vasada”. (…) “Para o liberal, os moldes (culturais) alargam-se mas a sua forma fica”.

O problema (que Fernando Pessoa não terá visto) é o facto de o “progresso” não obedecer a uma qualquer lei da natureza, por um lado; e por outro lado, o facto de só existir progresso na ciência; e mesmo na ciência, o progresso é estabelecido em função de determinados pontos de referência assinalados epistemologicamente “a posteriori” — como escreveu o reaccionário Nicolás Gómez Dávila: “duvidar do progresso é o único progresso”.


Depois da normalização legal da eutanásia, a legalização e a normalização do “casamento” poliamoroso será uma das prioridades do Bloco de Esquerda e do IL (Iniciativa Liberal) e com ajuda preciosa dos me®dia — embora por razões diferentes. O problema é que o IL (Iniciativa Liberal) não se dá conta de que está a fazer o jogo político destrutivo e totalitário do Bloco de Esquerda.

Quando foi da normalização legal do “casamento” gay, os políticos (do Bloco de Esquerda ao PSD, e mesmo no CDS de Paulo Portas) disseram-nos que “a homossexualidade era coisa normal”, não obstante apenas cerca de 2% da população ser homossexual. O termo “normal” passou a ter uma dimensão abstrusa, produto de um nominalismo radical que infesta a cultura das “elites” políticas actuais.

Quando dizemos que o comportamento característico especifica- e exclusivamente de apenas 2% da população “é normal”, estamos a adoptar uma concepção acientífica da realidade social e cultural.


Precisamos de contrariar esta elite política; e para isso necessitamos de um partido político burkeano forte (burkeano, de Edmund Burke):

  • um partido político que defenda a coesão social e os interesses da maioria (mesmo que o católico bonzinho Seara Duque não concorde) e dos seus costumes;
  • um partido político que se oponha sistematicamente à humilhação do povo por parte da elite política (como esta faz constantemente, por exemplo, quando diz que “o povo português é racista”. A humilhação do povo tem o propósito de o submeter e controlar);
  • um partido que defenda os pressupostos morais básicos e as normas fundamentais que caracterizam a vida boa comunitária;
  • um partido que defenda o respeito pela autoridade, a começar pelos pais e extensível aos idosos em geral;
  • um partido que dê valor à família e apoie políticas de nascimento de crianças;
  • um partido que reconheça as nossas dívidas históricas em relação aos mortos, heróis nacionais incluídos.

Esse é o partido da normalização do normal.

A diferença ética e ontológica entre o Bloco de Esquerda e o IL (Iniciativa Liberal)

Nicolás Gómez Dávila escreveu o seguinte, acerca do regime de democracia representativa:

“Hay que repetirlo y repetirlo: la esencia de la democracia es la creencia en la soberanía de la voluntad humana.”

Desta vez não concordo com ele. A democracia americana, tal como estipulada originalmente pela Constituição dos Estados Unidos, não prescinde de Deus: a vontade humana, neste caso, só existe com o beneplácito da vontade de Deus.

Se a vontade humana for uma consequência da vontade de Deus, então a vontade humana torna-se dependente de um primeiro princípio, ou de um axioma — ou de um “dogma” como se escreve aqui. E, sendo dependente, a vontade humana não é soberana, mesmo que o ser humano viva em democracia.

O facto de se viver em democracia não significa necessariamente que se imponha, na cultura antropológica  a crença  na soberania da vontade humana.


O que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma. Há cada vez mais pessoas que salvariam o seu cão em vez de um vizinho (des)conhecido de se afogar. O Humanismo está em falência não por ser errado, mas porque não tem sabido reconhecer no Animalismo um inimigo fatal.”

Em defesa dos direitos humanos ou introdução ao artigo de Joaquim Grave


Existe uma diferença de propósitos entre o liberalismo (utilitarismo) de Stuart Mill, por um lado, e o marxismo cultural, por outro lado.

O liberalismo utilitarista de Stuart Mill [representado actualmente em Portugal pelo IL (Iniciativa Liberal) e pelo PSD de Rui Rio] tinha (em finais do século XIX) como preocupação a organização da sociedade em benefício de seres humanos considerados “extraordinários” e extravagantes (os novos “super-homens” da nova aristocracia burguesa), e por isso obrigando toda a gente a “libertar-se” das restrições das tradições e dos costumes.

O marxismo cultural (representado em Portugal pelo Bloco de Esquerda, partido Livre, e uma parte do Partido Socialista, PAN) pretende o fim das restrições dos costumes como uma forma de minar a sociedade por dentro, tendo em vista um fim oposto ao do liberalismo: a instauração de um totalitarismo que imporá um “paraíso na Terra”, e que (alegadamente) surgirá espontaneamente na sequência de uma espécie de “apocalipse” (Fé Metastática).

O liberalismo utilitarista conduz a um social-darwinismo (uma sociedade organizada em benefício dos mais fortes). O marxismo cultural conduz a um totalitarismo distópico de tipo previsto no romance “1984” de George Orwell.

Ou seja, os meios são semelhantes entre uma e outra ideologia; mas os fins (os propósitos) são diferentes.

A preocupação do liberalismo utilitarista de Stuart Mill é com as “normas sociais opressivas” (a “libertação” em relação à opinião pública); em contraponto, os marxistas culturais servem-se da guerra contra as “normas sociais opressivas” para uma “destruição criativa”, radical e utópica da sociedade, tendo em vista um “paraíso” totalitário.


Uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

especismo-2-webQuando se diz (na citação) que “o que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma”, o que se pode dizer é que o que está em causa é uma tentativa (por parte dos marxistas culturais) de mudar os tabus que regem a nossa sociedade — porque eles sabem muito bem que uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

O aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio são cada vez mais defendidos abertamente pelo movimento ecologista; os direitos dos animais em geral são equiparados aos direitos humanos.

Para que o aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio deixem de ser tabus culturais, a Esquerda tem que encontrar (e impôr) novos tabus culturais — por exemplo, a censura da linguagem em nome de uma total discricionariedade subjectivista, a negação da existência dos dois sexos em nome da “igualdade”, a deslocalização do conceito de “opressão” da economia (marxismo clássico) para a psicologia — tornando a liberdade de expressão o grande problema da sociedade, e não a solução preconizada pelo Iluminismo; e o maniqueísmo de Marcuse traduz-se no conceito de tolerância repressiva: o marxismo cultural entende a liberdade de expressão como um mal que tem que ser erradicado.


end-espexcismo-webO movimento ecologista e animalista internacional trabalha arduamente para conduzir a humanidade à barbárie eugenista e anti-humanista a que já assistimos no princípio do século XX, nomeadamente com a ligação íntima entre os “Green Wing” alemães (Wandervögel) e o movimento nazi.

Hitler e Himmler eram vegetarianos e consideravam os direitos dos animais a par e equivalentes aos direitos humanos (Hitler gostava mais de cães do que de pessoas) ; a política nazi do “Blut und Boden” (Sangue e Chão) é indissociável da sua componente ideológica ecologista, que se desenvolveu a partir dos filósofos românticos como Nietzsche e do mito dogmático darwinista.

Mais tarde no século XX, alguns “filósofos” seguiram a tradição “revolucionária” de menorização da importância do ser humano no contexto da Natureza, nomeadamente Marcuse e/ou Heidegger; mas também, por exemplo, pelo Padre jesuíta (e, por isso, panteísta) Pierre Teilhard Chardin que muitos “católicos fervorosos” prezam.

Porém, o verdadeiro guru do animalismo ecologista actual é Peter Singer.

Para que se tenha uma ideia do enorme problema que os portugueses têm entre mãos, grande parte dos professores de filosofia em Portugal doutrinam as nossas crianças com a teoria do “especismo”, da autoria de Peter Singer (a ler: A incoerência da teoria ética de Peter Singer).

Em Portugal, um dos exímios intérpretes de Peter Singer é Pedro Galvão, que os “professores de filosofia” que estão na moda tanto respeitam.

Para a actual Esquerda, a mulher não existe

Vemos aqui uma notícia da CNN: em lugar do conceito de “mulheres”, os esquerdistas da CNN usam o termo ideológico “indivíduos com colo do útero”.

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A despersonalização do ser humano sempre foi uma das características da Esquerda — desde Estaline a Hitler, passando pela actual promoção do aborto e da eutanásia (que são duas faces da mesma moeda).

A despersonalização do ser humano, por parte da Esquerda, é (e sempre foi) anunciada em nome de uma qualquer virtude e/ou com boas intenções.

A obliteração, por parte da Esquerda, da noção de “mulher” na cultura é agora realizada em nome de uma putativa “igualdade” entre homens e mulheres.

Em nome dessa alegada “igualdade”, a actual Esquerda despersonaliza o ser humano transforma o ser humano em um objecto biologicamente neutro e ontologicamente asséptico, tal como o fizeram os estalinistas e os nazis em um passado recente.

A História repete-se.

Engels foi o bisavô do marxismo cultural

Podemos ler aqui uma crítica pertinente a um livro de uma feminista, de seu nome Lúcia Vicente.

Eu não lerei o livro, certamente, por uma razão: quase tudo o que as feministas pós-modernas gritam está condensado em um livrinho de Engels: “A origem da família, da propriedade e do Estado” (a minha edição é de 1976). A primeira edição do livro é de 1884.

Ao ler o artigo crítico de Lúcia Vicente emA incongruente utopia feminista”, fui identificando, ponto por ponto, algumas teses defendidas por Engels na obra “A origem da família, da propriedade e do Estado”. A julgar pela referida crítica, as teses de Lúcia Vicente têm mais de um século.

engels-familia-webO livro de Engels está cheio de contradições, que não serão abordadas aqui e agora.

Este livro de Engels é a base ideológica do ataque à família natural por parte do marxismo cultural de que faz parte a Lúcia Vicente. Porém, as teses de Engels ou são a-históricas (não têm fundamento histórico, ou seja, são especulações “antropológicas” puras), ou são absurdas (não têm qualquer fundamento na realidade).

No livro, Engels defende (por exemplo) a legitimidade do incesto (na página 59), desde que enxertada na “Gens do direito materno” (conceito de “Gens” segundo Engels: círculo fechado de parentes consanguíneos por linha feminina, que não se podem casar uns com os outros); ou seja, segundo Engels, fora da Gens, o incesto é legítimo.

O ataque feminista (e marxista cultural) ao “homem branco, ocidental, rendimento acima da média, heterossexual”, tem a ver essencialmente com o ataque que Engels faz ao indivíduo (enquanto célula humana): “não são os indivíduos, mas os grupos inteiros que estão casados uns com os outros, classe com classe [página 58].

Segundo Engels, a união conjugal em massa (o “matrimónio grupal”) “não é tão monstruoso como o figura a fantasia dos filisteus, acostumados à sociedade da prostituição” [pág 60]. Verifica-se aqui, por exemplo, como Engels mistura alhos com bugalhos, e o “antropólogo”  faz juízos de valor.

A ideia de Engels segundo a qual, em uma comunidade, todas as mulheres e homens são de uns e doutros (comunismo sexual) em uma cultura de predominância matriarcal, não foi adoptada por Lenine; mas foi ideologicamente adoptada pela Escola de Frankfurt em geral, e em particular por marxistas como Marcuse e/ou Wilhem Reich (entre outros).

Segundo Engels, o homem só é livre quando abandona os seus laços familiares (tradicionais e naturais ) para que surja a horda [página 45]; segundo Engels, a horda é a forma social mais elevada [página 46]; segundo Engels, a horda opõe-se à família. O conceito de “horda” (que Engels foi buscar ao autor E. Espinas, “Sociedades Animais”, 1877), passa (em Engels) a ter uma conotação de “comunitarismo”, “colectivismo”, em oposição ao (horroroso) individualismo.

Para Engels, a “guerra” contra o “individualismo” começará com a destruição da família monogâmica (ou aquilo a ele chamou de “família sindiásmica”). Contudo, Engels incorre flagrantemente em uma falácia de apelo à natureza (quando coloca, em uma mesma categoria ontológica, macacos e seres humanos).

A defesa de uma sociedade matriarcal (em alegada oposição à sociedade patriarcal) está directamente ligada à seguinte tese de Engels (página 55):

“Em todas as formas de famílias por grupos, não se pode saber com certeza quem é o pai de uma criança, mas sabe-se quem é a mãe. Ainda que ela (a mulher) chame filhos seus a todos os da família comum, e tenha deveres maternais para com eles, nem por isso deixa de distinguir os seus próprios filhos entre os demais.

É claro, portanto, que em toda a parte onde existir o matrimónio por grupos, a descendência só pode ser estabelecida pelo lado materno, e por conseguinte apenas se reconhece a linhagem materna.”

A este conceito (matrimónio por grupos), Engels chama de “direito materno”.

Ora, na medida em que o “direito materno” — ou seja, a sociedade matriarcal das “famílias por grupos” — anula o indivíduo macho em favor da horda, Engels considera que o matrimónio por grupos — que é a união conjugal em massa de toda uma classe de homens com toda uma classe de mulheres — é mais positivo do que o casamento monogâmico (página 60).

A grande preocupação de Engels é a destruição cultural do conceito de “indivíduo macho em favor do colectivo.

O conceito de “lar comunista” (pág. 64), segundo Engels, significa “predomínio da mulher no lar” [pág 64]: o homem sai de casa por ordem da mulher [pág 65]. Ora, este lar comunista e matriarcal depende da abolição da exclusividade das relações sexuais (com relação a um determinado homem) na cultura antropológica e por parte da mulher (“o fim do matriarcado imprime um rápido desenvolvimento da monogamia” [pág 80].).

“O desmoronamento do direito materno (ou seja, o desmoronamento do matrimónio grupal) foi a grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo” (Engels, ibidem, página 76).

No livro, Engels faz comparações sistemáticas entre entre a cultura ocidental, por um lado, e alegadas culturas pré-históricas, por outro lado, invocando uma série de antropólogos do século XIX (como se a antropologia fosse uma ciência exacta). Trata-se de uma obra de um “antropólogo” amador.


As ideias fundamentais propaladas pelas feministas radicais (da laia da Lúcia Vicente) desenvolveram-se a partir de Engels. Engels foi o bisavô do marxismo cultural.

Os portugueses estão a pagar esta trampa

O “politicamente correcto” (ou marxismo cultural) significa “leis com dois pesos e duas medidas”

“As tretas do politicamente correcto tornaram-nos cúmplices com uma violência ignóbil”.

Helena Matos


Estamos em presença do conceito maniqueísta de “tolerância repressiva”, de Marcuse: tudo o que vem da Esquerda é bom (ou não é mau), e tudo o que vem da Direita é mau.

É assim, por exemplo, que o vandalismo de uma catedral é coisa boa ou, no mínimo, coisa inócua; e pintar por cima de um símbolo dos Black Lives Matter  já é “crime de ódio”.

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E o paspalho José Pacheco Pereira continua a dizer que “o marxismo cultural não existe”

O discurso marxista cultural é dissolvente, corrosivo — corrói e destrói o tecido cultural.


É um discurso alegadamente realizado em nome da “ciência”, mas que simultaneamente nega as categorias da ciência: é como se a ciência fosse reinventada de acordo com os paradigmas da ideologia.

rapazes q menstruam

Vemos, por exemplo, um comentário no Twitter ao artigo do jornal Púbico (ver imagem abaixo): alegadamente, “quem concorda com a ideia de que existem cromossomas XX e XY, é ignorante”, e “deve ir aprender com a OMS” (Organização Mundial de Saúde).

Há aqui uma tentativa de fundamentar “cientificamente” a negação das categorias da própria ciência (neste caso, da biologia); e este tipo de atitude acientífica não é apenas popular: é oriundo da própria elite de ideólogos neomarxistas.

hons q mentruam web

A dissolução do espírito crítico em circulação na sociedade é um dos instrumentos essenciais para a construção de uma sociedade totalitária.


O médico psiquiatra Theodore Dalrymple escreveu o seguinte acerca do marxismo cultural:

“O politicamente correcto é propaganda marxista cultural em pequena escala.

Nos meus estudos acerca das sociedades marxistas, cheguei à conclusão que o propósito da propaganda marxista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar; e, por isso, quanto menos ela (a propaganda) corresponder à realidade, melhor serve o seu propósito de humilhar.

Quando uma pessoa é obrigada permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade.

O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correcto ou marxismo cultural, este tem o mesmo efeito e propósito.”


Por exemplo, quando um cidadão olha para um pau e diz que é uma pedra — porque a elite de ideólogos marxistas (em que se inclui o José Pacheco Pereira) o conseguiu convencer de que “1 pau = 1 pedra”, negando a própria ciência que demonstra que um pau não é uma pedra, — esse cidadão já perdeu o sentido da sua própria dignidade; esse cidadão está pronto a ser controlado pelo Estado totalitário inspirado pelo Bloco de Esquerda (com o apoio ideológico do PSD de José Pacheco Pereira).

Quando os ideólogos marxistas culturais sentenciam (por exemplo) que “um homem é uma mulher” (e/ou vice-versa), e que os cromossomas não têm qualquer valor de categorização da realidade sexual — o que fazem é tentar impôr ao cidadão uma estimulação contraditória que causa exactamente a humilhação do cidadão (um sentimento de vergonha que o indivíduo sente face à autoridade ontológica exercida pela ideologia marxista cultural sobre ele próprio) de que nos fala Theodore Dalrymple; e assim o cidadão é forçado a negar a própria realidade objectiva e auto-evidente: esta estimulação contraditória  tem como consequência a dissonância cognitiva do cidadão que nega a própria realidade que está a ver.


E depois, o paspalho José Pacheco Pereira vem dizer que “o marxismo cultural não existe”.