O libertarismo não é uma alternativa viável à ditadura do politicamente correcto

O Alberto Gonçalves escreve o seguinte:

“A ideia [a dos novos puritanos, politicamente correctos actuais] é estabelecer um quadro das regras que devem regimentar a humanidade, e de seguida catar exemplos de violação das regras. Por fim, convém punir os prevaricadores”.


“O liberalismo prega o direito do indivíduo à sua auto-degradação, sempre que a sua auto-degradação não estorve a auto-degradação do vizinho”Nicolás Gómez Dávila 

Quando o Alberto Gonçalves faz a crítica de um determinado “quadro politicamente correcto das regras que devem regimentar a humanidade”, o que ele pretende estabelecer é um determinado quadro alternativo de regras que devem regimentar a humanidade que seja deferente do “quadro das regras politicamente correctas que devem regimentar a humanidade” — porque se alguém afirma algo ou faz uma crítica, está convencido que a sua afirmação ou crítica estão correctas e que todos devem corroborar essa opinião.

Convém dizer que — em todas épocas, ao longo da História — sempre existiu uma qualquer cultura “politicamente correcta” (a cultura preponderante em uma determinada época histórica, que tem sempre um “quadro de regras”); o problema consiste no facto de essa cultura politicamente correcta entrar (ou não) em confronto radical com a Natureza Humana e, consequentemente, com aquilo a que os medievais (por exemplo, S. Tomás de Aquino) e os iluministas (por exemplo, Wolff) chamaram de “jusnaturalismo”.

A negação (mais ou menos radical) da Metafísica não deixa de ser uma forma de metafísica.

Por exemplo: quando a ideóloga socialista e feminista Isabel Moreira escreveu que “o Direito deve ser, felizmente, antinatural”, revela o epítome da evolução cultural e histórica do liberalismo (por favor ler o livro “¿Porque Está a Falhar o Liberalismo?”, para melhor se compreender a evolução da decadência do liberalismo contemporâneo).

A negação da importância da influência da Natureza e do Cosmos, na organização humana, é uma característica dos gnósticos [ou “puritanos”] de todas as épocas.

Em resumo: a crítica racional ao politicamente correcto actual não se pode escorar no libertarismo (por exemplo, o libertarismo do Alberto Gonçalves), porque o libertarismo é uma das causas da decadência actual do liberalismo.

“A mentalidade liberal nunca entende que os horrores que a espantam são o lado avesso das falácias que ela admira”.Nicolás Gómez Dávila 

A alternativa viável ao conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) do politicamente correcto actual — que nega a importância da influência da Natureza e do Cosmos na organização social  — é um outro conjunto de regras (jurídicas, éticas, morais) que tenham em devida conta a importância da Natureza e do Cosmos na Natureza Humana (por exemplo, através do jusnaturalismo e conceito jurídico aristotélico de equidade).

A crítica ao politicamente correcto actual, que não lhe aponte uma alternativa viável, é uma nova edição da Teoria Crítica.

Os liberais, e a culpa da “extrema-direita”

quixote-webMiguel de Cervantes escreveu a obra-prima literária “D. Quixote”, cujo personagem homónimo combatia contra moinhos de vento; hoje vemos os ditos “liberais” a alinhar com a Esquerda radical no “combate às alterações climáticas” — como se nunca, jamais, em tempo algum, se tivessem verificado “alterações climáticas”; quem os ouvir, pode até acreditar que as “alterações climáticas” são um fenómeno físico pós-moderno.

O “liberal” escreve:

“O que há para fazer sobre o combate às alterações climáticas e pela mitigação dos seus efeitos não passa, como não pode passar, pelo fim da liberdade”.

O “liberal” acredita que “o clima muda”; o “liberal” é genial! — porque, alegadamente, podemos deduzir da tese do “liberal” que o clima nunca mudou ao longo de mais de um milhar de milhões de anos!

E, perante a mudança que acontece naturalmente no clima, a Esquerda e os “liberais” (passo a redundância) chegaram à conclusão de que é necessário combater essa mudança (e os burros são, alegadamente, os da “extrema-direita”).

Mesmo que seja cientificamente verificável que o Aquecimento Global Antropogénico existe de facto, as estimativas económicas dizem-nos que (o Aquecimento Global) poderá custar entre 0,2% a 2% do PIB global até 2100 se nada se fizer para o “combater”;

por outro lado, qualquer tipo de “combate” ao Aquecimento Global poderá custar mais de 20% do PIB global até 2100 — portanto, mais vale estar quieto e “deixar correr o marfim”.

Porém, o que é assinalável é que os ditos “liberais” alinhem com a Esquerda radical na treta do «combate às “alterações climáticas”». E depois, “a culpa é da extrema-direita”.

A aliança entre os Bilderbergers globalistas e os caciques da Esquerda internacionalista

Custa-me reconhecer que a Raquel Varela tem aqui parcialmente razão; e digo “parcialmente” porque já não concordo com ela quando diz que a culpa do radicalismo veganista do reitor da universidade coimbrinha “é do capitalismo” — quando, em boa verdade, impera o silêncio do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda em relação ao radicalismo animalista.

Quem manda hoje em Portugal é o PAN (Pessoas-Animais-Natureza): até o António Costa quer proibir a carne de porco.

Escreve a Raquel Varela:

“Marx explicava que a tendência do capitalismo era para tornar vegetarianas as classes trabalhadoras, desde logo diminuindo a parcela de proteína a que têm acesso na reprodução da força de trabalho, vulgo salário”.

Como dizia o velho António, “em política, o que parece, é!”. E parece (muito) que é a Esquerda (mais ou menos marxista) que transformou a ecologia em uma religião (a começar pelo Partido Comunista e os Verdes, desde a década de 1980), e os seguidores dessa nova religião em fanáticos.

Hoje, não sei quem é mais fanático: se o jihadista maomerdano, se o animalista abortista e eugenista.


Pela primeira vez na História, a Esquerda defende hoje um retrocesso do nível de vida das populações mais pobres.

Existe um pacto inconfessável entre a plutocracia globalista, por um lado, e os caciques locais de Esquerda internacionalista dos diversos países, por outro lado.

Esse pacto segue o paradigma fascista da China (sinificação), em que coexiste um capitalismo (propriedade privada) estritamente controlado pelo Estado, por um lado, e por outro lado um comunismo/marxismo/colectivismo estatal orgânico.

Esta coexistência contra-natura (entre o controlo do Estado em relação à produção das empresas privadas, e um colectivismo orgânico) é própria dos regimes fascistasvejam como Mussolini e Hitler controlaram a produção das empresas privadas através dos respectivos Estados.

O que acontece na China é um fascismo.

E é o modelo chinês (sinificação) que é defendido (desde a década de 1970, com Henry Kissinger, por exemplo) pela plutocracia globalista em relação às diversas regiões do globo, incluindo a União Europeia.

Por isso é que, por exemplo, o canal de televisão do Pinto Balsemão (o patrão português dos Bilderbergers) é muito “amigo” do Bloco de Esquerda da Catarina Martins: os Bilderbergers têm uma aliança tácita com os caciques locais esquerdistas.

Não devemos esquecer a influência do movimento ecologista radical alemão na construção ideológica do nazismo (Wandervögel). Hitler era radicalmente vegetariano e adorava animais (gostava muito mais de cães do que de seres humanos).

O novo fascismo (a sinificação), que está a ser construído à escala global, serve os interesses da plutocracia globalista, por um lado, mas por outro lado é adoptado pelos caciques de esquerda ávidos de Poder (o exercício do Poder político é uma droga altamente viciante).

E nem o Partido Comunista foge à aliança tácita entre o caciquismo internacionalista de Esquerda e a plutocracia globalista.

As famílias numerosas sempre assustaram os poderosos.

meat-is-murder-webNão é por acaso que a Esquerda americana defende o subsídio abortista da parte do Estado — porque é a mulher negra e pobre quem mais aborta.

O abortismo de Esquerda é uma forma de racismo classista encapotado (desde o tempo de Margaret Sanger), que se esconde por detrás da emoção hipócrita do “coitadismo” em relação aos mais pobres.

Em vez de defender a vida das crianças pobres, a Esquerda actual defende a eugenia em relação aos deserdados e o aborto grátis das crianças pobres – e aqui verificamos a aliança evidente entre a Esquerda (por exemplo, o comunista americano Bernie Sanders) e a plutocracia globalista.

Não é por acaso que o jornaleiro esquerdista Daniel Oliveira é muito querido dentro da organização me®diática do Bilderberger Pinto Balsemão. Les bons esprits se rencontrent…

A linguagem ressabiada do liberal fodido

A questão “liberal” — em Portugal — parece-se com o “sketch” do Herman José sobre “¿Quem é o presidente da junta?”; é semelhante ao que acontece na Esquerda dos Estados Unidos: todo o candidato esquerdista pretende ser mais radical do que o seu camarada do lado: de modo semelhante, os ditos “liberais”, em Portugal, competem entre si para saber quem é mais “radicalmente liberal”.


Só alguém mentalmente diminuído pode ser contra a sua própria liberdade (entendida no sentido de “livre-arbítrio”, como capacidade de um indivíduo determinar por si próprio, espontaneamente e voluntariamente). E só um indivíduo perverso (um psicopata ou/e sociopata) pode ser contra a liberdade (livre-arbítrio) dos outros.

Porém, a tendência dita “liberal” actual (não me refiro ao liberalismo “clássico”), ou reduz a Realidade inteira à economia (a economia passa a ser a própria metafísica do “liberal” moderno), ou então o livre-arbítrio  passa a ser entendido (pelo liberal contemporâneo) como a capacidade de escolher entre dois ou mais comportamentos, sem se inclinar a priori para um lado ou para outro.

Por outras palavras, para o liberal actual, o livre-arbítrio é a capacidade de se ser a causa primeira e absoluta dos nossos actos — o que faz com que o livre-arbítrio do liberal moderno se identifique com a “liberdade da indiferença  e com o “acto gratuito”.

Aconselho o leitor a ler um livro da autoria de Patrick J Deneen, com o título “Why Liberalism Failed”, ou “Por que falhou o liberalismo”.

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A crítica ao “liberalismo” contemporâneo não significa “crítica à liberdade” entendida em si mesma.

Em vez disso, a crítica ao liberalismo contemporâneo significa a crítica a uma determinada forma enviesada de conceber a “liberdade” (que é comum à Esquerda neomarxista e a um determinado tipo de “liberais”), forma essa que não tem em consideração os primeiros princípios que moldam e condicionam a Realidade.

O liberalismo contemporâneo  resulta desfavorável à liberdade porque ignora as restrições que a liberdade deve impôr a si própria para não se auto-destruir.

Quando os “liberais” reduzem a Realidade inteira à economia, estão a fazer um favor ao monismo totalitário de esquerda.


A hipocrisia das palhinhas de plástico dos restaurantes de hambúrgueres McDonalds

mcdonalds-palhinhasHá muito tempo que não eu não entrava num restaurante McDonalds; hoje entrei e pedi um hambúrguer e uma cola zero.

Quando me sentei para comer, verifiquei que o copo (de plástico) com a coca-cola, não trazia a necessária palhinha (de plástico).

Fui ao balcão pedir a palhinha, e disseram-me que o McDonalds já não fornece a palhinha aos clientes (porque a palhinha pode furar um olho a uma tartaruga marinha). Mas, diz-me a funcionária, que eu posso ir buscar uma palhinha “ali ao lado do micro-ondas”.

Ou seja, o McDonalds não fornece palhinhas de plástico (porque a palhinha pode furar o olho-do-cu de uma marmota), mas podemos ir buscar a palhinha (que o McDonalds não fornece) “ali ao lado do micro-ondas”.

Em suma: por um lado, o McDonalds não fornece palhinhas; mas, por outro lado, o McDonalds fornece palhinhas.

Note-se que a cadeia de fast-food McDonalds simboliza o píncaro do sistema capitalista. Ora, é esta hipocrisia “ecologista”, oriunda da Esquerda mais radical, que é adoptada religiosamente pelos herdeiros do capitalismo americano.

Com “liberais” como o Pedro Picoito, ¿para que precisamos da Catarina Martins?!


Durante as décadas de 1960 e 1970, o cidadão português (emigrante) era conhecido genericamente na Europa do norte por “ladrão de bicicletas” (principalmente na Holanda, Bélgica e França).

ladrao-de-bicicleta-webHoje, já ninguém na Europa utiliza este epíteto em relação ao português imigrante — não só porque a cultura do português médio mudou (hoje, o tuga já não rouba bicicletas), mas também porque o tuga médio já não anda de bicicleta (prefere o automóvel).

¿O epíteto de “ladrão de bicicletas”, quando aplicado ao tuga naquelas duas décadas, tinha alguma razão de ser? Claro que sim! Quando saía uma notícia no jornal sobre um roubo de uma bicicleta, em grande parte dos casos vinha-se a descobrir que o ladrão era um imigrante português.

Se o Pedro Picoito fosse um adulto durante aquelas duas décadas, escreveria certamente o seguinte:

« Trata-se de um argumento falacioso e pouco liberal. É a generalização sobre os imigrantes portugueses, que a leva a cair na velha armadilha ideológica do determinismo. Dizer que os “portugueses são ladrões de bicicletas” não é apenas uma caricatura de mau gosto. É condenar à suspeita todos os portugueses que procuram integrar-se na sociedade da Europa do norte, apesar dos obstáculos que enfrentam, apesar dos preconceitos de que são alvo. É negar a individualidade a um número vasto de pessoas em nome da sua origem étnica ou cultural. É, em suma, desprezar a meritocracia e a igualdade. »

Porém, a verdade é que uma grande parte dos casos de roubos de bicicletas (por exemplo, na Bélgica) era (naquela época, e a julgar pelas notícias dos jornais) empiricamente (experiência) associado a imigrantes portugueses.

Ora, é esta verdade empírica acerca dos factos sociológicos e culturais (que são sempre circunstanciais e circunscritos a um determinado Zeitgeist) que o politicamente correcto (ou Pedro Picoito, o que vai dar no mesmo) pretende esconder ou escamotear.

O facto (verificado) de terem existido muitos Tugas “ladrões de bicicletas”, na Bélgica e nas décadas de 1960 e 1970, não significa necessariamente que tenha existido, em relação aos Tugas, “a velha armadilha ideológica do determinismo”. O que existiu, na Bélgica (por exemplo), foi a estigmatização do comportamento de roubo de bicicletas, e que por causa do alto nível de incidências calhou maioritariamente aos Tugas que roubavam bicicletas.

Ora, parece que tanto o Bloco de Esquerda como o Pedro Picoito não concordam com a estigmatização de um determinado comportamento socialmente indesejável ditado por uma qualquer cultura antropológica.

Neste aspecto (no politicamente correcto), o Pedro Picoito e a Catarina Martins estão de acordo. É neste sentido que se diz por aí que  “os liberais portugueses são a ‘Direitinha’ educadinha” (andam a “toque de caixa” da Esquerda radical).


Ler o texto do Pedro Picoito (também em PDF aqui).


Uma das características do discurso do Pedro Picoito (e do politicamente correcto, e da Esquerda em geral) é a perda na noção cultural de “juízo universal ”.

Até há pouco tempo, a noção de “juízo universal” pertencia ao senso comum.

Por exemplo quando eu digo hoje que os homens correm mais rápido do que as mulheres”, aparece sempre um Pedro Picoito qualquer a dizer que “você está errado, porque eu conheço uma mulher que corre mais rápido do que homens!”.

Hoje, o nominalismo radical instalou-se na cultura da “elite”, e de tal forma que o juízo universal deixou de pertencer ao senso comum. Hoje, a “elite” tende a ser a-científica.

Estamos perante a estupidificação da cultura (o “imbecil colectivo”) realizada em nome de um certo elitismo cultural e intelectual.

Portanto, o argumento do Pedro Picoito da “velha armadilha ideológica do determinismo”, é falacioso; não cola.

O “determinismo” só existe (no caso da estigmatização de um comportamento indesejável) enquanto um determinado comportamento associado empiricamente a uma certa cultura é prevalecente e/ou notório: mas trata-se de um “determinismo provisório”, e portanto, não é um “determinismo” propriamente dito.

Podemos verificar, através do texto do Pedro Picoito, como existe um continuum consensual entre a mentalidade e mundividência do referido “liberal”, por um lado, e a mentalidade e a mundividência da Catarina Martins ou do Francisco Louçã, por outro lado.

Com “liberais” destes, ¿para que precisamos da Catarina Martins?!

A “pessoa”, como princípio de diferenciação cultural que caracteriza a singularidade da Europa (1)

 

A Cristina Miranda diz aqui aquilo que eu já resumi (neste espaço) da seguinte forma: a diferença entre o Bloco de Esquerda, por um lado, e os liberais portugueses, por outro lado, reduz-se à (concepção da) economia. Em tudo o resto são semelhantes, são compagnons de route do movimento revolucionário que conduzirá inevitavelmente a um novo tipo de totalitarismo.

« [os liberais portugueses] são uma espécie de “bloco de esquerda” nas liberdades individuais e no progressismo, mas liberais “não-socialistas” na economia.»

Lamento mas a Direita nunca governou em Portugal


A redução da realidade inteira à economia é uma característica própria de indigentes intelectuais, ou então de marxistas (o que vai dar no mesmo).

O “dilema” dos liberais portugueses é o de que não é possível (em termos práticos) defender o liberalismo na economia ao mesmo tempo que se defende uma cada vez maior (e multifacetada) intervenção do Estado na sociedade (ou seja, defender o liberalismo económico e, simultaneamente, defender a negação crescente e progressiva do liberalismo político).

Os liberais portugueses vivem em uma situação política de contradição insanável. Os liberais portugueses caíram numa armadilha ideológica que os conduzirá inexoravelmente à sua (deles) morte política.

E a armadilha ideológica colocada pela Nova Esquerda (a que se seguiu à queda do muro) consiste na ideia segundo a qual “é preciso cada vez mais intervenção do Estado na sociedade para assim defender uma cada vez maior afirmação da liberdade do indivíduo”. Mas os liberais portugueses não vêem a contradição do propósito da Esquerda.

Uma crescente e cada vez maior intervenção do Estado na sociedade não pode obviamente conduzir a uma maior liberdade individual, mas antes conduz à anomia e ao isolamento do indivíduo face a um Estado plenipotenciário  — ou seja, conduz ao prelúdio de um novo tipo de totalitarismo que tem como desígnio o fascismo chinês.

Não é por acaso que o fascismo chinês é o modelo político defendido pelas elites mundialistas para as diferentes regiões do planeta, e a União Europeia é uma clara tentativa impôr na Europa um fascismo político à imagem da China (sinificação).

A discussão deste assunto é prolixa: os liberais portugueses, salvo excepções, têm um baixo Coeficiente de Inteligência. Discutir com eles é “chover no molhado”.

“Why Liberalism Failed” (Patrick Deneen) — Parte 2

 

O chamado “liberalismo” evoluiu para um nominalismo radical, que se revela (no seu absurdo esplendor) quando se transforma a excepção em regra (a negação “liberal” do juízo universal, o que é uma característica do politicamente correcto e/ou marxismo cultural) — como podemos ver neste artigo no Insurgente assinado por um tal Martinho.

patrick-deneen-webEsse Martinho é de opinião segundo a qual um marxista pode defender a liberdade de expressão  (!).

De duas, uma: ou a Raquel Varela e o Ricardo Araújo Pereira não são marxistas, ou a defesa da liberdade de opinião (por parte destas duas avantesmas) faz parte de uma estratégia do “processo dialéctico” de instauração de um regime marxizante em Portugal.

Afirmar que (por exemplo) a marxista Raquel Varela defende a liberdade de expressão, é um oxímoro só possível vindo da parte de um “liberal” que já perdeu as suas referências históricas — e é o que se passa com o actual “liberalismo”, não só em Portugal mas também um pouco por todo Ocidente.

Hoje, aplica-se integralmente, em relação ao chamado “liberalismo”, esta frase de Eric Voegelin:

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. »

Ou seja: quando as referências históricas do liberalismo político desvanecem-se da memória dos actuais “liberais”, a epistemologia  desaparece e só lhes resta a mera opinião. E a opinião não é necessariamente científica, porque não se escora necessariamente em factos e na experiência.

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais

 

A “escravidão” é um estado existencial/ontológico; a “escravatura” é um estado político/social.

“Viver na escravidão” pode não ser a mesma coisa que “viver na escravatura”. Pode-se viver, por exemplo, na “escravidão dos vícios” (a submissão aos vícios), ou, em termos poéticos, na “escravidão do amor” (a submissão em relação ao ente amado).

Porém, os brasileiros chamam à escravatura, “escravidão” — como podemos verificar neste texto.


Contudo, o mais incómodo do referido texto é a “crítica” que faz ao conservadorismo (através da critica a Edmund Burke) — não que o conservadorismo não seja passível de qualquer crítica: não se trata disso; o problema é que a crítica em referência no texto não faz sentido (não tem lógica).

A referida crítica ao conservadorismo é escorada em uma análise de uma obra de ficção literária. O autor do texto recorre a um romance ficcional para propôr uma crítica ao conservadorismo — o que é um completo absurdo.

Aliás, este é o método tradicional da Esquerda: recorrer à narrativa ficcional, muito carregada emocionalmente (o apelo sistémico à emoção), para fazer valer os seus pontos de vista; por isso é que os “liberais” actuais fazem parte da Esquerda: estes também são “progressistas”, no sentido em que também concebem o “progresso” como uma lei da Natureza.


Vivemos em um mundo em que o confronto político entre mencheviques e bolcheviques se globalizou: a Esquerda (os bolcheviques actuais) e a dita “Direita” (os mencheviques actuais) são duas facções do mesmo partido global.
E quem não faz parte (quem não identifica com esse) desse partido dos bolcheviques e mencheviques coevos, não pode ser “progressista”.

Os bolcheviques (a Esquerda) e os mencheviques (a “Direita”) actuais, partem do princípio errado segundo o qual “existiu um progresso real e positivo nas sociedades ocidentais desde o Iluminismo até aos nossos dias” — quando, na realidade, o único “progresso” que existe realmente é o que se verifica nas Ciências da Natureza, e mesmo este progresso científico não está isento de erros, de avanços e recuos.

A liberdade a que o “liberal” actual aspira, não é a de um homem livre, mas antes é a liberdade de um escravo em dia de feira. A verdade é que a dignidade do ser humano não está na sua (pretensa e alegada) liberdade, mas antes está no tipo de restrições livremente aceites pela sua vontade.

Os mencheviques e bolcheviques de hoje justificam o alegado “progresso social moderno” retrófobo (falácia ad Novitatem) varrendo a miséria moral que defendem para baixo do tapete da ética política que sustentam — por exemplo, quando criticam a escravatura dos séculos passados, ao mesmo tempo que defendem a liberdade de matar um ser humano (aborto) chamando-lhe um “conjunto de células”.

O problema histórico da escravatura é demasiado complexo para ser abordado à luz da emoção. A escravatura é tão antiga quanto a prostituição. Ainda hoje existem escravos que o “liberalismo progressista” não conseguiu eliminar (por exemplo, nos territórios libertados pelas revoluções da chamada “Primavera Árabe” progressista). As sociedades actuais diferenciam-se meramente no estatuto dos seus escravos e no nome que lhes dão. É tudo uma questão de semântica.

¿O que é o “liberalismo”?

“Liberalismo” é um termo vago que actualmente caracteriza realidades diferentes ou misturadas.

Convém (de certa forma) distinguir entre liberalismo político, saído da filosofia dos “direitos naturais” (jusnaturalismo ) exposta por John Locke (principalmente na sua primeira fase ideológica), por um lado, e o liberalismo económico, por outro lado.

O primeiro — o liberalismo político — é a forma abstracta e racional de um individualismo moderado, proposto por Locke e ligado à oposição a qualquer tipo de absolutismo ou totalitarismo, e tem a sua expressão no “Espírito das Leis” de Montesquieu (1748) com a teoria da separação de poderes. O liberalismo político de Locke faz do sujeito individual um ser dotado de direitos inalienáveis (propriedade, liberdade, etc.) e a fonte e o centro das relações sociais.

Este liberalismo político de Locke foi criticado por Rousseau que insistiu que a liberdade civil é impossível sem igualdade económica (igualdade social).

Locke esteve na origem do liberalismo e Rousseau (através do conceito de “Vontade Geral“) esteve na origem do jacobinismo.


O liberalismo económico teve origem nos economistas britânicos e franceses do século XVII, também eles influenciados por Locke, e mais tarde sistematizado por Adam Smith e pela chamada Escola Escocesa.

A este liberalismo económico chamamos de “liberalismo clássico”: é um princípio associado ao liberalismo político, e segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (conforme Adam Smith: “Não é da benevolência do talhante, do cervejeiro ou do padeiro que nós esperamos o nosso jantar, mas do cuidado que eles têm com o seu próprio interesse” — “Riqueza das Nações”).

Em Adam Smith existia o sentido do dever (v. “Teoria do Direito”); o mundo das regras (tradicionais) e das leis era, para Adam Smith, o verdadeiro significante do mundo afectivo ligado ao fundamento da economia: as paixões humanas naturais. Ao contrário do que defendeu Kant (“A Paz Perpétua”), Adam Smith era céptico acerca da possibilidade de o comércio (por si só) abolir a guerra entre as nações (“Riqueza das Nações”), porque aquele que, na sociedade liberal, não tivesse outra coisa senão as suas mãos para trabalhar, não poderia viver a obrigação do “sobre-trabalho sem lucro” senão contrapondo-lhe a violência.

Adam Smith tinha preocupações sociais, nomeadamente mediante o seu conceito de “simpatia”.

Como podemos verificar, o liberalismo (tanto político ou económico) escorava-se no jusnaturalismo (Lei Natural). O liberalismo clássico limita o conceito de “igualdade” à igualdade dos direitos naturais: não se trata de igualdade social que supõe que o Estado intervém para “corrigir” o jogo livre da sociedade civil, o que é interpretado pelo liberalismo como sendo funesto para a liberdade.


Mas aquilo a que hoje se chama “liberalismo” não é liberalismo no sentido clássico, uma vez que o Direito Natural é negado pela maioria dos actuais “liberais”. Existe nestes liberais actuais uma forte preponderância para um Marginalismo radical que implica uma supremacia avassaladora do subjectivismo individualista, em total detrimento do bem-comum.

É no sentido do “liberal” actual que Olavo de Carvalho faz a sua crítica, na medida em que o chamado “liberalismo” actual (que advém de uma corruptela ideológica de Von Mises) acaba por ser “um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito”.

O império do positivismo absoluto no Direito (tal como acontece com a esquerda radical), resulta que o Direito é (segundo o actual “liberalismo”) totalmente arbitrário e independente de quaisquer fundamentos metajurídicos (por exemplo, as tradições de uma sociedade, ou do jusnaturalismo).
Neste sentido, e tal como acontece com a Esquerda, o “liberalismo” actual segue o princípio da “Vontade Geral” de Rousseau, e já não o liberalismo político de Locke.