A caridade tem que cuidar da dignidade moral do pobre

El_Greco_St_Martin_of_Tours-webO Homem moderno — incluindo os cristãos actuais — já perdeu a noção cristã medieval de “caridade”; para o homem moderno, a caridade é dar (mas) sem cuidar da dignidade moral de quem recebe.

Na Idade Média, os mendigos andavam livres nas ruas das povoações; e quando pediam esmola a um rico burguês ou nobre que passava, quem lhes dava a esmola pedia em troca uma oração pela sua alma. Ou seja, a mendicidade medieval era uma profissão socialmente útil, porque quem dava a esmola ao pobre recebia qualquer coisa em troca.

A partir do momento em que a Reforma protestante retirou à penitência religiosa, por um lado, e à acção moral individual, por outro lado, a sua importância tradicional medieval, o Estado passou a controlar a acção altruísta dos indivíduos.

E como a mendicidade não acabava, o Estado protestante — Alemanha, Inglaterra — passou a restringir a liberdade dos mendigos naquilo a que Foucault chamou de “Grande Encarceramento”: os mendigos deixaram de ser úteis à sociedade, e passaram a ser reprimidos e encarcerados.

Através da rotulagem do “pobre” e de sinais distintivos afins, a caridade da Idade Média que se caracterizava por um modo de relação, transformava-se, no mundo moderno da Reforma e dos “direitos humanos”, em um modo de segregação.


Na imagem: S. Martinho partilha a sua capa com um pobre (pintura de El Greco).

A roubalheira da empresa Águas de Gaia Empresa Municipal, SA

A empresa Águas de Gaia não necessita de aplicar dinheiro em contas bancárias a prazo, ou fazer aplicações financeiras com mais-valias: basta-lhe chular o consumidor de água.

aguas-de-gaia-webBasta ao consumidor atrasar-se em seis dias no pagamento de uma factura, a empresa Águas de Gaia debita logo 08,31€ (+ IVA) de coima na factura seguinte.

Por exemplo, o meu consumo de água, na última factura, foi de 11,08 € (IVA incluído); e porque me atrasei mais de seis dias no pagamento da factura, tive que pagar um suplemento de 10,22 € de coima. Ou seja, o valor da coima é semelhante ao valor do consumo de água.

Neste caso particular, o “lucro” da empresa Águas de Gaia é de quase 100%. A chular assim o consumidor, a empresa Águas de Gaia não precisa de contas bancárias a prazo.

Mas, por exemplo, se um consumidor tiver uma factura de 500 Euros de água, paga os mesmos 10,22 € de coima.

É esta a lógica socialista da Câmara Municipal de Gaia: o tubarão que consome muita água paga a mesma coima que o peixe miúdo.