O enviesamento do blasfemo

Segundo o blasfemo, a rainha britânica não tem “legitimidade democrática”; mas quando o Supremo Tribunal de Justiça do Reino Unido se pronuncia (em termos práticos) contra os resultados válidos de um referendo, então já existe “legitimidade democrática” para colocar em causa a democracia — porque vale tudo (até arrancar olhos) para manter o Reino Unido na União Europeia.

Não passa pela cabeça do blasfemo que o Supremo Tribunal de Justiça britânico possa não ter a “legitimidade democrática” necessária para se pronunciar contra a suspensão do parlamento — porque o que está realmente aqui em causa é a “legitimidade democrática” do resultado do referendo do Brexit, que o Supremo Tribunal de Justiça do Reino Unido não aceita; mas o blasfemo é zarolho, porque só vê a União Europeia por entre os antolhos.