Quando os ateus de serviço nos me®dia têm mais respeito pelo papa Chicozinho do que pelo povo católico

«Ou falamos, afinal, da intolerância do fundamentalismo católico que tudo faz para se opor ao Papa Francisco, cuja coragem e espírito progressista tanto incomodam os conservadores da igreja, dos “huguinhos”, à Fraternidade São Pio X, passando pelos “legionários de Cristo”?»

1/ Quando vemos os ateus em geral — e esta ateísta em particular — a tecer loas ao papa Chico, algo de muito grave se passa na estrutura hierárquica da Igreja Católica. Contudo, penso que o professor Bacelar Gouveia não deveria gastar cera com tão ruim defunta.

O facto de o papa Chiquinho e o cardeal de Lisboa beijarem os genitais ao António Costa não significa que os artigos da Constituição percam o seu valor e a sua objectividade.

Parece-me claro que se a Constituição não permite que o estado de excepção (ou estado de emergência) limite a liberdade religiosa, então segue-se que a Constituição deve ser revista para satisfazer a ateísta Bárbara Reis; ou então, a criatura deve meter a viola ao saco e ir cavar batatas, em vez de escrever em jornais.

papa-chico-comuna-400-webO que não vale (não é legítimo) é dizer-se que a Constituição pode ser sujeita a interpretações que justifiquem a própria defesa da inconstitucionalidade dos seus artigos.

Assim, por exemplo, o artigo 24, alínea 1., da Constituição, diz que “a vida humana é inviolável”; e o artigo 25, alínea 1., diz que “a integridade moral e física das pessoas é inviolável”. E o conjunto destas duas disposições legais não permite a eutanásia, ou mesmo o suicídio assistido patrocinado pelo Estado.

Ou seja, para que a eutanásia seja legalizável, é preciso previamente rever a Constituição. Não há aqui margem para “subjectivismos interpretativos” à moda da Bárbara Reis.

A ideia segundo a qual “nada, na lei fundamental, é objectivo” e “tudo na Constituição está sujeito à nossa interpretação” mais conveniente politicamente — esta ideia é assustadora. Passamos a viver juridicamente sobre areias movediças.

2/ A sra. Bárbara Reis deveria saber distinguir entre a lei, por um lado, e o seguidismo político do actual clero da Igreja Católica, por outro lado. Mas ela não parece saber fazer a distinção; e por isso é que o professor Bacelar Gouveia “está a chover no molhado” quando lhe faz qualquer crítica.

O facto de o papa Chiquinho e o cardeal de Lisboa beijarem os genitais ao António Costa não significa que os artigos da Constituição percam o seu valor e a sua objectividade.

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