Por fim, alguém com coragem que questiona a pretensa autoridade de direito do Anselmo Borges

“Contra a soberba gnóstica, só imuniza o cepticismo ou a fé. Aquele que não crê em Deus pode ter a decência de não crer em si mesmo”. — Nicolás Gómez Dávila


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A única forma de lidar com um gnóstico é o de impedir a sua contaminação ideológica, afastando-o das instituições que são visadas pelo parasitismo ideológico que o motiva e alimenta.

Vemos, no semanário Sol, um artigo assinado por Pedro Sinde que se refere à pústula escrita pelo Anselmo Borges a que eu fiz referência em um comentário recente.

Face ao silêncio escandaloso da hierarquia da Igreja Católica portuguesa, é caso para dizer: “Por fim, aparece alguém que desafia a pretensa autoridade de direito do Anselmo Borges em matéria de catolicismo!”

A posição do Anselmo Borges em relação ao Novo Testamento é (nitidamente!) de desconstrução [“desconstrucionismo”, ou “desmontagem ideológica” (ver, por exemplo, Derrida)], que é uma atitude que se identifica claramente, desde a Antiguidade Tardia, com o gnosticismo ideológico parasitário (racionalismo” é o pseudónimo oficial de “gnosticismo ) — por exemplo, quando o Pedro Sinde escreve o seguinte, revelando o gnóstico que existe em Anselmo Borges:

[as afirmações do Anselmo Borges] “decorrem de uma concepção como que desencarnada de catolicismo, isto é, de uma concepção em que a religião aparece como uma ‘espiritualidade’ sem esqueleto, em que o Espírito não penetra irradiantemente a carne, numa glorificação heróica, transfigurante do mundo sensível; em que os Evangelhos ficam sem o sentido literal, para expressarem um sentido vagamente simbólico ou alegórico, como uma alma sem corpo. Retira a literalidade dos Evangelhos, retira a substancialidade da Eucaristia”.

Ao longo dos séculos, e desde a Antiguidade Tardia, os gnósticos sempre foram parasitas (entendido aqui no sentido literal) ideológicos da Igreja Católica 

O dogma da “bondade natural do Homem” (na esteira de Rousseau) formula, em termos éticos, a experiência central do gnóstico: “o Homem é naturalmente bom porque é naturalmente Deus”.


O Anselmo Borges tem todo o direito de desconstruir ideologicamente o Novo Testamento; mas não o pode fazer em nome da Igreja Católica e na sua (aparente) qualidade de sacerdote da Igreja Católica. A hierarquia da Igreja Católica portuguesa não pode continuar (cobardemente) em silêncio.

«O homem chama de “absurdo” a tudo o que escapa às suas clandestinas pretensões à omnipotência. » — Nicolás Gómez Dávila

Em última análise, e depois da desconstrução ideológica do Novo Testamento (por parte do Anselmo Borges), qualquer argumento do Pedro Sinde em sentido contrário (ao do Anselmo Borges) é improfícuo: a própria desconstrução ideológica torna irrelevante qualquer contra-argumento, porque o objecto de análise deixa de existir (de forma objectiva, enquanto tal) através do desmantelamento ideológico por parte do gnóstico.

A única forma de lidar com um gnóstico é a de impedir a sua contaminação ideológica, afastando-o das instituições que são visadas pelo parasitismo ideológico que o motiva e alimenta.

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