O cínico Paulo Rangel

Fulano toma uma determinada posição ética ou moral. E, face a essa atitude de Fulano, há sempre quem pergunte: “¿o que é que ganhas com isso?”.

Trata-se de uma falácia (falácia da interrogação): quem faz a pergunta parte do princípio (ad Hominem) de que a posição ética ou moral de Fulano não é genuína, e que implica apenas algum tipo de ganho político ou material.

Holanda: uma achega à reacção de Costa: «este padrão de táctica diplomática em Costa não é inédito. Em Junho, ele também garantiu “à cidade e ao mundo”, que, com a sua veia europeia, havia entronizado Timmermans como Presidente da Comissão – o que faria dele um influente “king maker”. Resultado: isso simplesmente não aconteceu e o espanhol Sánchez, que até aí o acompanhara, abandonou-o sem dó, para “sacar” para a Espanha o Alto Representante para a Política Externa.» (Paulo Rangel)

A ideia de Paulo Rangel é a de que António Costa toma qualquer tipo de posição pública — ética, moral ou política — para “ganhar alguma coisa com isso”. Como escreveu Óscar Wilde, Paulo Rangel tem a mundividência de “um cínico que sabe o preço de tudo e o valor de nada.”

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