Não confundir “Estado” e “Nação”

O que está escrito aqui é falso:

“ A «pátria» é a «terra dos pais», liga com um passado que se quer projectar para o futuro. A Nação, ao contrário, é outra coisa: é um conceito essencialmente moderno, não anterior à Revolução Francesa e que substitui o de Reino. (…) Dito de outra forma, a origem do Nacionalismo é fundamentalmente liberal e burguesa, referindo-se a uma ordem de ideias que tem que ver com os valores inerentes às revoluções liberais do século XIX.”

Desde logo, confunde-se o conceito de “nação”, por um lado, com o conceito de “Estado”, por outro lado. Esta confusão é imperdoável.

A Razão de Estado, essa sim, tem origem na modernidade.

A palavra “nações” já era utilizada no latim “natione”, e portanto tem muito mais do que dois mil anos. Dizer que o termo latino “natione” é modernista, só pode vir de uma mente esdrúxula.

O historiador romano Estrabão definiu (no século I d.C.) a Lusitânia nos seguintes termos: “A mais poderosa das nações (latim “natione”) da Hispânia, aquela que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas”.

Grande parte dos países da Europa são “nações históricas” (como é, por exemplo, o caso de Espanha, onde têm politicamente coexistido várias nações propriamente ditas; ou o caso do Império Austro-húngaro).

Uma “nação histórica” é sinónimo de “albergue espanhol”.

E por isso é que o Ernesto Milá, sendo espanhol, confundiu (penso eu que de forma propositada) “nação” e “Estado”. Hoje, é o Estado que substitui o antigo Reino — e não a Nação.

No caso português — onde a evolução linguística e cultural tem sido homogénea (em oposição à heterogeneidade da Espanha) desde a fundação da nacionalidade (e não fundação da “patrionalidade”) — estamos em presença de uma nação propriamente dita.

Em Portugal, o Reino coincidia com a Nação, o que nunca aconteceu com o centralismo castelhano e/ou espanhol.

A diferença entre “nação” e “pátria” é apenas etimológica. Pátria tem uma conotação romântica, literária, retórica; Nação tem uma conotação histórica e científica. Basicamente significam a mesma coisa.

Coisa diferente é o termo “nacionalismo”, que pode ter significados ligeiramente diferenciados. Fernando Pessoa escreveu:

« O nacionalista tradicionalista vai ao passado para descobrir o presente. O nacionalista integral vai ao presente e ao passado para descobrir o presente. O nacionalista cosmopolita busca o presente apenas no presente. » → Fernando Pessoa, in “O Preconceito Tradicionalista”.

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