A guerra do significado das palavras

 

O inglês Douglas Murray escreve aqui um texto acerca da interpretação que é hoje dada ao termo “marxismo cultural”.

A Esquerda inglesa adulterou o significado do termo “marxismo cultural”, e identifica agora esse termo com “anti-semitismo”, e, por isso, diz (ela) que “marxismo cultural” é um termo utilizado pela “extrema-direita” contra os judeus (como se a Esquerda não fosse anti-semita por sua própria natureza: basta ver as posições políticas do Corbyn acerca dos judeus).

Assistimos hoje a uma guerra do significado das palavras, em que “interpretar” significa “deformar”, desfigurar — quando se dá a um conceito um significado que não tem. Afirmar que “marxismo cultural” é sinónimo de “anti-semitismo” é destruir o significado original de “marxismo cultural” (desconstrução ideológica).

A desconstrução ideológica teve origem nos hegelianos alemães do século XX — desde a Escola de Frankfurt (a origem do marxismo cultural), Heidegger e, mais tarde, Gadamer: para este último, “interpretar” é compreender de maneira nova e diferente a cada instante — o que significa, segundo Gadamer, que as interpretações (acerca da realidade) estão sempre a mudar, o que é auto-contraditório, porque se “as interpretações mudam a cada instante” então segue-se que a compreensão da realidade (ou de aspectos parciais da realidade, a que se dedica a ciência) se torna impossível, por um lado, e por outro lado, a própria interpretação do conceito de “interpretação” segundo Gadamer estaria sempre a mudar a cada instante, o que é absurdo.

É óbvio que existe a “semântica” — a mudança mundana (ou seja, a mudança que não é hermenêutica) do sentido das palavras através da História. Mas a mudança dos significados das palavras dentro de uma época estrita (“sincronia”, segundo Saussurre) tem os limites impostos pela própria História e pela cultura antropológica. Por exemplo, se a Esquerda quiser começar a dizer que uma “pedra” se passa a chamar-se agora “pau”, a nova interpretação do significado de “pedra” só pode ser assumida, na cultura popular, através da coacção e da força bruta do Estado, porque viola a semiótica e a herança histórica da linguagem da cultura antropológica.

A guerra do significado das palavras está a levar, por exemplo, a que cidadãos sejam perseguidos (pela Esquerda no Poder) por uma espécie de nova polícia política, por afirmar publicamente que um homem biológico é um “homem biológico”; ou que pessoas sejam perseguidas nas redes sociais por afirmar que um homem não é uma mulher; ou que instituições católicas sejam perseguidas pelo Poder da Esquerda apenas por obedecerem aos princípios mais básicos da Lei Natural.

É praticamente impossível ser-se homossexual e não se ser culturalmente permeável à desconstrução da ordem social; um homossexual é anti-social por natureza.


Naturalmente que o Douglas Murray assumiu (no referido texto) uma posição ambígua  e ambivalente acerca do termo “marxismo cultural” — não fosse ele (o Douglas Murray) homossexual : a homossexualidade militante (e cultural) é um dos instrumentos de acção política do marxismo cultural, no sentido de minar as instituições da família  e do casamento . Aliás, é este um problema (em juízo universal) dos homossexuais ditos de “Direita”: de vez em quando, o marxismo cultural dá muito jeito.

É praticamente impossível ser-se homossexual e não se ser culturalmente permeável à desconstrução da ordem social (qualquer que esta seja); um homossexual é anti-social por natureza. Pessoas como Douglas Murray não se podem queixar da invasão cultural islâmica (anti-gay) na Europa, porque a própria lógica do movimento homossexualista trata espontaneamente da desconstrução da estrutura da sociedade europeia assente na família natural, o que vai de encontro aos desígnios do marxismo cultural.


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